Corrupção

PF deflagra operação contra pessoas ligadas a Sóstenes Cavalcante (PL) por desvio de cota parlamentar

Contratos de aluguel de veículos teriam sido utilizados para dar aparência de legalidade ao desvio de recursos públicos

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Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara
Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara | Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (1º), a terceira fase da Operação Rent a Car, chamada Galho Fraco II, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos da cota parlamentar. A operação tem como alvo pessoas ligadas ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados. O parlamentar não é alvo de buscas nesta fase da investigação, mas já o foi na etapa anterior.

As medidas foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e incluem cinco mandados de busca e apreensão cumpridos no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais. Os alvos desta fase são três pessoas físicas, entre elas empresários e advogados, além de duas pessoas jurídicas relacionadas aos investigados. Segundo os investigadores, não há assessores do deputado entre os alvos desta etapa.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam indícios de um esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas utilizadas para desviar valores de cotas parlamentares. A cota é um valor mensal recebido por deputados e senadores para custear despesas relacionadas ao exercício do mandato, como passagens aéreas, hospedagem, alimentação, manutenção de escritório, contratação de consultorias e aluguel de veículos.

Segundo a investigação, contratos de aluguel de veículos eram utilizados para dar aparência de legalidade ao desvio de recursos públicos. A corporação também aponta suspeita de desvio de recursos para uma empresa de locação de veículos e posterior lavagem de dinheiro. Outra linha de investigação apura se essa empresa continuou recebendo recursos da cota parlamentar mesmo após ter sido dissolvida de forma irregular.

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu dinheiro em espécie em mais de um endereço, joias e um montante encontrado dentro de um objeto decorativo que simula um livro falso em um endereço de um advogado ligado a Sóstenes no Distrito Federal.

De acordo com a corporação, “as investigações apontam indícios de possível esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente utilizadas para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos”.

“Há também indícios de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode caracterizar fraude processual.”

Segundo a PF, as investigações tiveram início após diligências contra assessores ligados a parlamentares. A análise de mensagens de celular, depoimentos e quebras de sigilo levou aos indícios que deram origem às fases seguintes da operação.

Sóstenes Cavalcante declarou que se manifestará quando “tomar conhecimento do teor da decisão e ações”, em posicionamento enviado à CNN. 

Operação em dezembro

Ainda segundo os investigadores, também são apuradas as circunstâncias do dinheiro encontrado pela PF em um endereço ligado a Sóstenes durante a operação realizada em dezembro do ano passado. Na ocasião, foram apreendidos mais de R$ 460 mil em espécie.

Na época, Sóstenes afirmou que o dinheiro apreendido era resultado da venda de um imóvel e declarou que o comprador quis efetuar o pagamento em espécie. Também disse que não havia depositado os valores por causa “da correria de trabalho”. A PF, no entanto, levantou suspeitas sobre essa versão.

A operação realizada em dezembro foi um desdobramento da Operação Rent a Car e teve como alvos Sóstenes Cavalcante e o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), além de assessores e advogados ligados aos parlamentares. Segundo as investigações, assessores dos dois deputados movimentaram quase R$ 27 milhões de forma suspeita.

Na época, Carlos Jordy negou irregularidades e afirmou que a operação era uma perseguição. Em outra manifestação, classificou a ação como “covarde”.

Editado por: Rafaella Coury

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