Provocação

MBL provoca confusão em aula magna de Haddad na Unicamp, e PT repudia episódio de ‘violência política’ da extrema direita contra pré-candidato 

Integrantes do MBL gritaram frases sobre o caso dos descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS

No audio source provided.
Fernando Haddad durante aula magna na Unicamp
Fernando Haddad durante aula magna na Unicamp | Crédito: Diogo Zacarias/Twitter/@Haddad_Fernando

Um grupo de integrantes do MBL interrompeu, na noite de quinta-feira (2), uma aula magna do pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), na Unicamp, em Campinas (SP). 

O evento foi interrompido após manifestantes gritarem durante a fala do petista e acabou em confusão do lado de fora do Teatro de Arena, com troca de agressões entre participantes do ato e integrantes do movimento. Segundo a organização do evento, os manifestantes foram retirados do local pela equipe de segurança. A Polícia Militar (PM) informou que foi acionada, mas declarou que não precisou intervir porque “a situação foi prontamente controlada pelos organizadores”. 

A aula tinha como tema os desafios econômicos do Brasil e começou por volta das 19h. Durante a exposição, integrantes do MBL interromperam Haddad com protestos relacionados ao caso dos descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o pré-candidato a deputado estadual pelo partido Missão, Matheus Pereira, gritando durante a fala do petista enquanto era vaiado pelo público. 

Em determinado momento, Pereira recebe uma rasteira após afirmar que Haddad estaria realizando campanha antecipada. Em nota, ele disse que foi ao evento para questionar o petista sobre a “taxa das blusinhas” e sobre uma suposta campanha antecipada. “Nós fomos ao evento com o objetivo de questionar o Haddad sobre o aumento da taxa das blusinhas, que o Lula falou que foi ideia dele.” 

Pereira também afirmou que foi agredido por estudantes e seguranças. “Mal chegamos e fomos recebidos com socos e chutes pelos estudantes e seguranças do Haddad. A todo momento, deixamos claro que não queríamos briga. Fui agredido por um indivíduo que estava participando do evento e por um funcionário”, disse.

Outro integrante do partido Missão, Gabriel Piauhy, pré-candidato a deputado federal, também publicou um vídeo após a confusão. “Tô saindo de Campinas agora. Fomos fazer mais uma vez o questionamento pro Haddad. A pergunta que ele tanto teme”, afirmou. Segundo participantes do evento, cerca de dez integrantes do MBL estavam no local.

O Diretório Central dos Estudantes da Unicamp afirmou que “a briga mencionada na mídia foi causada por militantes da direita que vieram ao evento provocar e causar tumulto”. “Eles foram retirados do evento imediatamente e nenhum participante do evento interagiu com os mesmos, mas infelizmente geraram confusão pela Unicamp”, informou a entidade. Após o episódio, a universidade voltou a divulgar uma cartilha com orientações para situações de conflitos nos campi.

Mesmo com a interrupção, Haddad concluiu a aula e afirmou que está se preparando para a campanha eleitoral. “Eu estou treinando, estou fazendo treinamento, estou exercitando cabeça, corpo, para fazer uma bela campanha, para a gente fazer um belo debate, sabe? Disputa para valer com as ideias que a gente defende. E vamos ganhar de qualquer jeito. De um jeito ou de outro, uma campanha bonita leva a gente à vitória. Beijo, Unicamp”, disse. Depois do evento, o pré-candidato deixou o local sem falar com a imprensa.

O episódio ocorreu uma semana após outra ação do MBL em um compromisso de Haddad. No dia 25 de junho, Gabriel Piauhy interrompeu a cerimônia em que o petista recebeu o título de cidadão honorário de Santo André para fazer perguntas sobre a investigação dos descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS.

Em nota, o PT afirmou que repudia “os episódios de violência política perpetrados por integrantes da extrema direita contra o pré-candidato ao governo do estado de SP do PT, Fernando Haddad”. 

O partido declarou que “pela segunda vez, integrantes desse grupo político de extremistas provocam conflitos em atos do nosso pré-candidato” e afirmou que “os dois atos de violência política usaram táticas semelhantes”. 

A legenda também declarou que “na democracia, as divergências são resolvidas no debate de ideias e não no estímulo à violência” e informou que prestará “irrestrito apoio e solidariedade a Haddad e aos integrantes da pré-campanha” e que “não tolerará abusos e atos de violência e não se furtará de acionar as medidas cabíveis”.

A ação na Unicamp se soma a outros episódios envolvendo integrantes do MBL em universidades e eventos públicos. Em setembro de 2023, membros do movimento entraram em confronto com estudantes da Universidade Federal do Paraná após uma ação dentro do campus. A universidade afirmou que o grupo provocou os alunos e iniciou a confusão, enquanto o MBL apresentou outra versão dos fatos. 

Em agosto do mesmo ano, integrantes do movimento foram retirados do campus da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo após uma confusão com estudantes durante um evento. Em fevereiro deste ano, integrantes do MBL voltaram a se envolver em tumulto na Unicamp ao entrar na universidade para cobrir com tinta pinturas e frases em um muro da biblioteca.

Editado por: Rafaella Coury

|

Newsletter