Editorial

Copa do Mundo: o futebol segue como paixão, mas a Fifa representa negócios

Episódios de discriminação, interferência de Trump e práticas fascistas dos EUA marcam o mundial

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Infantino, presidente da Fifa, tem uma relação de proximidade com Trump
Infantino, presidente da Fifa, tem uma relação de proximidade com Trump | Crédito: Mandel Ngan/Pool/AFP

A Federação Internacional de Futebol (Fifa), organismo máximo dos torneios de futebol do mundo, costuma se gabar de que tem mais países filiados à sua entidade do que o número de países filiados à Organização das Nações Unidas (ONU). Atualmente, as duas possuem algo em comum: são instituições falidas, não representam de fato a totalidade de seus membros e precisam ser urgentemente reestruturadas.

A Copa do Mundo de 2018 foi na Rússia. Até então, aparentemente, tudo corria bem em relação ao antigo país socialista. Mas, a partir da guerra com a Ucrânia, a Rússia foi banida de todas as competições internacionais organizadas pela Fifa: ficou fora da Copa do Mundo de 2022 no Quatar, e também da atual que ocorre nos Estados Unidos (EUA), México e Canadá. 

A alegação é de que países em guerra ficam de fora de suas competições. A realidade: a mais pura hipocrisia, pois os EUA entraram em guerra com o Irã e nada foi feito, seguiu como um dos países sede e proporcionou as situações mais constrangedoras que ocorreram durante todas as Copas.

Durante o mundial de 2026, vimos episódios de vistos negados para juízes africanos, indicados pela Fifa para apitar jogos da Copa, nitidamente por racismo. A Fifa se calou de forma vergonhosa. 

O caso da delegação do Irã, que estava classificada, e teve que se hospedar no México e só viajar para os Estados Unidos nos dias de jogos. Após a sua eliminação, pessoas com cargos no aparato de governo americano comemoraram abertamente. Restou ao Irã processar a Fifa por tudo ao que foi submetido. 

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Também temos que mencionar a polícia de imigração (ICE) e suas práticas fascistas nos EUA, e, pasmem, o telefonema de Donald Trump para o presidente da Fifa para retirar um cartão vermelho de um jogador norte-americano para que ele pudesse entrar em campo contra a Bélgica, anulando sua suspensão. 

Tudo isso e a Copa nem acabou…

A Fifa não representa de verdade o futebol. Representa negócios. Assim como a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que bancou a ida de Neymar para a Copa do Mundo machucado, por pressão de patrocinadores. São a vergonha de quem realmente ama o futebol. Nos resta assistir os demais países que seguiram por mérito e lamentar que, infelizmente, o capitalismo tenha tornado o futebol, cada vez mais, mais um negócio como outro qualquer.

Editado por: Clivia Mesquita

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