ajuda humanitária

Mais de 100 economistas de todo o mundo exigem o fim das medidas coercitivas contra a Venezuela

Signatários instam o Departamento do Tesouro a suspender as restrições ao Banco Central e à PDVSA

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Um socorrista verifica um telefone celular em meio aos escombros de edifícios desabados em Caraballeda, estado de La Guaira, Venezuela, em 7 de julho de 2026, após os terremotos de 24 de junho. Os poderosos terremotos gêmeos que atingiram a Venezuela em 24 de junho deixaram pelo menos 3.685 mortos e quase 17.000 feridos, informou o governo venezuelano em sua mais recente atualização oficial em 7 de julho.
Socorrista em meio aos escombros de edifícios desabados em Caraballeda, estado de La Guaira, Venezuela, após os terremotos de 24 de junho | Crédito: Juan Barreto/AFP

Um total de 113 economistas e acadêmicos internacionais de renome assinaram um manifesto exigindo que o governo dos Estados Unidos suspenda imediatamente as medidas coercitivas unilaterais contra a Venezuela, com o objetivo de mitigar a emergência humanitária causada por dois terremotos consecutivos.

Os terremotos, que atingiram Caracas, a capital do país, em 24 de junho, e pelo menos sete estados venezuelanos, particularmente La Guaira, deixaram pelo menos 3.685 mortos e 16.740 feridos, de acordo com o último balanço oficial.

Signatários internacionais de alto nível, como Isabella Weber, Jeffrey Sachs e James K. Galbraith, instaram o Departamento do Tesouro dos EUA a suspender as medidas coercitivas impostas ao Banco Central da Venezuela (BCV), à Petróleos de Venezuela SA (PDVSA), às instituições financeiras públicas e aos setores de mineração, petróleo, bancário, transporte, telecomunicações e turismo.

Os acadêmicos enfatizaram que “a emergência é humana antes de ser política” e que os esforços de resgate, o abastecimento de água, energia, alimentos e medicamentos não podem ser adiados devido a procedimentos diplomáticos.

O manifesto conta com o apoio do Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR), cujo codiretor, Mark Weisbrot, descreveu a retenção de bilhões de dólares pertencentes ao Estado venezuelano pelos Estados Unidos e pela Europa como um “ato bárbaro”. Weisbrot explicou que as sanções causaram a perda de 74% do Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela entre 2012 e 2020, isolando o país dos mercados financeiros internacionais desde 2017.

O pedido exige que o Reino Unido descongele as reservas de ouro do BCV no Banco da Inglaterra, avaliadas em US$ 5 bilhões, e apela a Portugal para a devolução de US$ 1,2 bilhão depositados no Novo Banco, pertencentes ao Banco de Desenvolvimento da Venezuela (Bandes), em cumprimento a uma decisão judicial de 2023.

Eles estão solicitando ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que possibilite o acesso a US$ 5 bilhões em Direitos Especiais de Saque (DES) e aprove um desembolso emergencial de US$ 4 bilhões por meio do Instrumento de Financiamento Rápido (IFR).

O pesquisador do CEPR, Andrés Arauz, denunciou que o Departamento de Estado dos EUA, liderado por Marco Rubio, está obstruindo o acesso a esses recursos ao negar a certificação 25B, que reconhece o BCV como um banco estatal.

O texto também exige uma moratória abrangente da dívida externa da Venezuela (detida por empresas demandantes, detentores de títulos da década de 1990 e credores oficiais como a China e a Rússia) para suspender a cobrança de juros e multas durante a reconstrução.

Os pesquisadores declararam insuficientes as medidas iniciais de Washington, que consistiam em US$ 300 milhões em ajuda, envio de equipamentos de remoção e uma licença temporária restrita para voos humanitários.

Arauz, o ex-ministro equatoriano que coordenou a resposta ao terremoto de Manabí em 2016, alertou que o impacto do desastre na Venezuela equivale a 10% do seu PIB, sendo necessária, portanto, a importação maciça de máquinas e tecnologia, sem os entraves das sanções, para evitar uma paralisia econômica ainda maior.

Editado por: Telesur
Conteúdo originalmente publicado em: Telesur

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