não há paz

Trump deseja controlar economia global, mas guerra no Irã não será o caminho, diz analista internacional

Ana Carolina Marson destaca que retomada das agressões trarão mais pressão no preço global do petróleo

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Crédito: Mark Route/White House

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou o cessar-fogo com o Irã em xeque em declarações nesta quarta-feira (8), após realizar ataques contra bases costeiras e instalações não militares nas áreas litorâneas da província de Hormozgan e em Mahshahr. O governo do Irã denunciou que os Estados Unidos violaram o memorando de entendimento firmado entre os dois países. O Corpo da Guarda da Revolução Islâmica anunciou uma operação contra alvos militares estadunidenses na Ásia Ocidental. 

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a analista internacional Ana Carolina Marson, professora na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), avalia que a retomada das agressões era previsível diante da fragilidade das negociações. “A resolução do conflito é de difícil obtenção porque são dois países de posicionamento muito diferentes, e temos os EUA, que não aceitam negociar em relação de igualdade. Essa situação de violência não cessa e é preciso dizer que Israel não parou de agredir o Líbano”, afirma.

A interrupção dos ataques do governo de Israel ao Líbano, sob a justificativa de acabar com o Hezbollah, era um dos principais pontos do acordo de paz e vem sendo constantemente desrespeitada. Contudo, Marson destaca que esse novo rompimento do cessar-fogo contribui para a retomada da escalada do conflito. “A impressão, com a abertura do Estreito de Ormuz, é que tudo se encaminhava para pelo menos cessar a violência, porque essa reabertura tinha gerado um entusiasmo no mercado internacional, principalmente pelo impacto no preço do petróleo“, explica a analista internacional.

Trump usa o processo de dolarização do petróleo para também manipular a economia global. Contudo, Ana Carolina Marson avalia que, diferente de alguns anos atrás, a China disputa mercados com os Estados Unidos.

“Além dessa redução do poder dos EUA no cenário internacional, nós temos a questão do próprio petróleo. Porque, apesar de os EUA dizerem que o aumento do preço não os está impactando porque a Venezuela fornece petróleo, o aumento do preço do petróleo aumenta o preço de produção de produtos no mundo todo. Os EUA fazem parte da cadeia global de produção e, portanto, serão, sim, impactados pelo valor dos insumos, produtos finalizados e pela própria produção interna dos EUA. Acredito que exista o desejo de Trump de manipular a economia internacional, mas, com o conflito, fica mais difícil”, argumenta. “Apesar do desejo de controlar a economia global, a guerra no Irã não é uma ferramenta”, resume.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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