Oriente Médio

Irã acusa EUA de violarem acordo e responde com ataques a alvos militares estadunidenses na região

Teerã afirma que bombardeios contra instalações costeiras romperam memorando de entendimento e cobra atuação da ONU

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O Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou os Estados Unidos de violarem o memorando de entendimento que estabeleceu o fim da guerra iniciada após a ofensiva dos EUA e de Israel contra o país. Segundo Teerã, em resposta, as Forças Armadas iranianas retaliaram alvos militares ligados aos EUA na região. Foi a primeira troca de ataques entre os dois países desde a assinatura do acordo.

Em comunicado divulgado neste sábado (27), o governo iraniano condenou os bombardeios realizados pelos Estados Unidos na noite de sexta-feira (26) contra áreas da costa sul do Irã. Segundo o ministério, os ataques atingiram instalações de vigilância costeira e representam uma violação da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) e do acordo firmado em 18 de junho.

“Esses ataques selvagens, que tiveram como alvo as instalações de vigilância costeira do Irã, constituem uma violação clara do parágrafo 4 do Artigo 2 da Carta da ONU, bem como uma violação explícita do primeiro parágrafo do memorando de entendimento para o fim da guerra imposta, datado de 18 de junho de 2026”, diz um trecho do comunicado. 

O ministério também afirmou que Israel participou da ofensiva. “Ao mesmo tempo, o regime sionista de ocupação e apartheid, em coordenação com os Estados Unidos, também realizou um ataque ao Líbano, o que constitui uma violação clara do primeiro parágrafo do memorando de entendimento que pôs fim à guerra.”

Ainda segundo o comunicado, a resposta iraniana ocorreu com base no direito à legítima defesa previsto na Carta da ONU. “Ao enfatizar o direito inerente do Irã à legítima defesa, nos termos do Artigo 51 da Carta da ONU, o Ministério das Relações Exteriores declara que a República Islâmica do Irã defenderá sua soberania, segurança e interesses nacionais com todas as suas forças. Os ataques defensivos das poderosas Forças Armadas da República Islâmica do Irã contra alvos relacionados às forças agressoras dos EUA foram realizados com base nisso”, diz outro trecho do documento. 

O governo iraniano responsabilizou Washington pelas consequências da escalada e pediu que os países da costa sul do Golfo Pérsico impeçam o uso de seus territórios para ações militares contra o Irã. Além disso, cobrou que o secretário-geral da ONU, o Conselho de Segurança e outros organismos internacionais adotem medidas diante do que classificou como uma violação da Carta da ONU e do direito internacional por parte dos Estados Unidos.

A Guarda Revolucionária informou que atingiu alvos ligados às forças estadunidenses nas proximidades do Estreito de Ormuz, mas não especificou quais foram os locais atacados. Também neste sábado, o Ministério das Relações Exteriores do Bahrein, porém, informou que o país foi alvo de “vários drones iranianos” e classificou a ação como “clara violação de normas e convenções ocidentais que proíbem ataques a alvos civis e aterrorizar pessoas inocentes”. 

Os Estados Unidos afirmaram que os bombardeios contra o Irã foram uma resposta a um suposto ataque iraniano contra um navio de carga no Estreito de Ormuz ocorrido na quinta-feira (25). O Irã não assumiu responsabilidade pela ação.

Segundo o Comando Central dos EUA, aeronaves atingiram depósitos de drones, mísseis e bases de radar costeiras. O comando classificou a operação como uma “resposta firme” ao ataque contra o navio M/V Ever Lovely e afirmou que houve “agressão não provocada contra a navegação comercial por parte das forças iranianas”, o que “violou claramente o cessar-fogo”. O Centcom acrescentou que “o comportamento perigoso do Irã comprometeu a liberdade de navegação em um momento em que o comércio flui cada vez mais por esse corredor de navegação internacional de importância vital”.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã agiu de forma “insensata” ao lançar “pelo menos quatro drones de ataque unidirecional contra navios que transitavam pelo Estreito de Ormuz”.

Editado por: Geisa Marques

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