Insegurança

Irã critica interferência dos EUA no Golfo Pérsico e classifica intervenções em declaração como ‘irresponsáveis e provocativas’

EUA e países do Golfo Pérsico defenderam a desmilitarização da Faixa de Gaza e a criação de um novo governo

No audio source provided.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei | Crédito: Atta Kenare/AFP

O Ministério das Relações Exteriores do Irã criticou a declaração conjunta divulgada pelos Estados Unidos e pelo Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) na quinta-feira (25) e afirmou que a segurança da região não será alcançada por meio da presença de forças estrangeiras. O CCG é um bloco de integração econômica formado por seis países do Golfo Pérsico: Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Omã. 

Na declaração, os EUA e os países do Golfo Pérsico defenderam a desmilitarização da Faixa de Gaza e a criação de uma nova estrutura de governo na região. Do outro lado, o governo iraniano classificou as posições do documento como “intervencionistas, irresponsáveis e provocativas” e alertou contra a continuidade do que chamou de comportamentos hostis na região.

Segundo o ministério, a afirmação de um “compromisso duradouro dos EUA com a segurança dos Estados-membros do CCG” é “nada mais do que retórica e distorção da realidade”. O comunicado afirma que “está mais claro do que nunca para todos que a presença militar dos EUA nos países da região é apenas um fardo para as nações locais e uma fonte de insegurança e divisão”.

O governo iraniano também afirmou que o uso de bases militares instaladas em países da região para atacar o Irã entre 28 de fevereiro e 8 de abril deste ano demonstra que Washington não prioriza a segurança regional. O texto diz que “os EUA não atribuem qualquer valor à segurança das nações regionais e às suas relações mútuas” e pede que os países que tiveram seus territórios utilizados durante a guerra “reconsiderem seus pontos de vista”.

O comunicado reforça ainda que os integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo têm a “obrigação explícita” de impedir que seus territórios e instalações sejam utilizados por terceiros para “planejar, organizar, apoiar e executar ações ilegais, incluindo agressão militar contra a República Islâmica do Irã”.

Sobre a suposta ameaça do programa nuclear iraniano, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que se trata de “grande mentira fabricada pelo regime sionista genocida e pelos EUA”. O governo defendeu que os países do Golfo apoiem a criação de uma zona livre de armas nucleares na Ásia Ocidental.

“O Ministério das Relações Exteriores da República Islâmica do Irã aconselha os governos membros do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico a se unirem à República Islâmica do Irã na concretização da iniciativa de uma Zona Livre de Armas Nucleares na Ásia Ocidental, em vez de se alinharem aos EUA ao retratar o programa nuclear pacífico iraniano como uma ameaça, e a pressionarem a administração dos EUA a cessar sua obstrução à implementação dessa iniciativa.”

O texto afirma ainda que “a paz e a segurança sustentáveis na região só podem ser alcançadas por meio da construção de confiança e da cooperação mútua entre os países da região, longe das intervenções destrutivas dos Estados Unidos”. Segundo o governo iraniano, a expressão “ameaças provenientes do Irã” foi criada por Israel e pelos EUA para promover uma política de “iranofobia”.

O comunicado também condena as críticas aos programas de mísseis e drones do país. “Em um momento em que os EUA, alinhados à sua política de ‘dividir para governar’, enredaram os Estados-membros do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico em uma perigosa e interminável corrida armamentista e transformaram a região da Ásia Ocidental em um enorme arsenal de armas, falar sobre os programas de mísseis e drones do Irã é um ato irresponsável e totalmente condenável. Evidentemente, a República Islâmica do Irã não demonstrará a menor condescendência na defesa da soberania da nação e de suas respectivas capacidades.”

Ao abordar a questão palestina e libanesa, o governo criticou a declaração conjunta por classificar grupos de resistência como “representantes” ou “proxies” do Irã. “O Ministério das Relações Exteriores da República Islâmica do Irã recorda que a única entidade que atua como representante na região é o regime sionista. A luta dos povos palestino e libanês contra a ocupação e o apartheid é legítima e totalmente legal à luz do direito internacional, e todos os governos têm a obrigação de apoiá-los na conquista de seu direito à autodeterminação e à libertação da ocupação colonial e do apartheid.”

O ministério também responsabilizou os Estados Unidos, Israel e os países que apoiaram a ofensiva contra o Irã pelo aumento da insegurança no Estreito de Ormuz. Segundo o comunicado, o estreito está localizado nas águas territoriais do Irã e de Omã, e os mecanismos definidos no memorando que encerrou a guerra servem de base para a administração da navegação na região.

Ao concluir a nota, o governo iraniano voltou a defender um modelo de segurança conduzido pelos países da região. “A segurança coletiva só pode ser alcançada por meio da cooperação entre os Estados da região e sem intervenção estrangeira.”

Editado por: Rafaella Coury

|

Newsletter