impasse continua

Postura dos EUA no Estreito de Ormuz esvaziou ‘dinâmica do cessar-fogo’, diz analista internacional

Amanda Harumy aponta que EUA vão na contramão do pensamento global que é chegar a um acordo pela diplomacia

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Foguete disparado de barco iraniano em exercício militar no Estreito de Ormuz: o Irã se preparou
Foguete disparado de barco iraniano em exercício militar no Estreito de Ormuz

Um navio de guerra dos Estados Unidos atingiu um cargueiro iraniano no Estreito de Ormuz no final de semana e intensificou a tensão entre os dois países em meio a um cessar-fogo, desde o início, considerado frágil.

Nesta segunda-feira (20), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que iniciaria uma nova rodada de negociações no Paquistão e, caso o Irã não aceitasse, ameaçou atacá-lo com bombas. O país persa, por sua vez, por meio de agência de notícias oficial, Irna, negou qualquer tipo de tratativa pelo que chamou de “exigências excessivas de Washington e expectativas irrealistas”. Também apontou o bloqueio naval estadunidense no Estreito de Ormuz como uma violação ao cessar-fogo.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a analista internacional Amanada Harumy explica que as últimas movimentações esvaziaram qualquer dinâmica de um possível cessar-fogo na região. “Uma paz no Estreito de Ormuz, ainda que temporária, foi negociada com diplomacia e parecia que esse acordo iria trazer uma tranquilidade para o Estreito de Ormuz e isso interessa muito para o preço do petróleo. O que a gente vê é uma política militar hostil dos EUA que o Irã tem denunciado como pirataria. Então mesmo que a diplomacia norte-americana e iraniana acordaram um cessar-fogo, existe uma pirataria na região que tem impacto no colapso do cessar-fogo”, aponta.

Para a analista, a disputa em torno do canal deixou claro que as alegadas motivações estadunidenses e mesmo de Israel para iniciar a guerra não se sustentam. “Fica explícito que a disputa geopolítica é em torno do petróleo e da financeirização desse petróleo, e não uma preocupação dos EUA como um guardião da segurança internacional contra o enriquecimento de urânio”, avalia. “O interesse dos EUA é dominar a economia internacional através do petróelo.”

Harumy defende que a política internacional, no que diz respeito ao conflito no Oriente Médio, tem parecido um “jogo de apostas” dada a volatilidade de declarações, em especial as vindas do presidente estadunidense. “É de interesse de muitos países a negociação diplomática. Mas, infelizmente, os EUA, principalmente a figura do Trump, têm utilizado a negocição como uma narrativa ou até mesmo como um instrumento para ganhar tempo e sair na frente dentro de uma estrutura de conflito. O que parece é que temos negociações que estão sendo sobrepostas por decisões políticas muito aceleradas e que estão concentradas em um núcleo político trumpista”, explica.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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