O futuro governo colombiano, liderado pelo ultradireitista Abelardo de la Espriella, anunciou nesta sexta-feira (10) que fechará suas embaixadas em Cuba e na Nicarágua. A informação foi confirmada pelo chanceler designado, Omar Bula Escobar, em declarações divulgadas pelas emissoras RCN Noticias e Noticias Caracol.
Segundo Bula Escobar, a decisão faz parte de uma política mais ampla de “reengenharia” do Ministério das Relações Exteriores e de “reordenamento” da política externa colombiana diante do novo governo, que assumirá a Casa de Nariño em 7 de agosto.
Trata-se de uma mudança significativa na política externa de Bogotá, especialmente em relação a Cuba, um ator historicamente relevante para a política colombiana. Durante os governos do direitista Juan Manuel Santos e do progressista Gustavo Petro, a ilha tornou-se o principal cenário e garantidor das negociações de paz entre o Estado colombiano e grupos guerrilheiros como as FARC e o ELN. O fechamento da embaixada, portanto, encerra o papel de mediadora que Cuba desempenhou nesses processos.
“Não vamos legitimar regimes mantendo uma embaixada”, afirmou Bula ao se referir aos governos de Cuba e da Nicarágua. A postura do futuro governo colombiano alinha-se diretamente ao discurso de governos de extrema direita da região, como os de Javier Milei, na Argentina, José Antonio Kast, no Chile, Nayib Bukele, em El Salvador, e José Raúl Mulino, no Panamá.
O anúncio do fechamento da embaixada em Havana ocorre em um contexto de escalada das hostilidades adotadas pelos Estados Unidos desde o fim de janeiro — a mais intensa em décadas —, marcado por um bloqueio energético que ameaça qualquer país que venda ou forneça petróleo à ilha, além da ampliação das chamadas “sanções secundárias”.
Em contraste com a ruptura diplomática com Havana e Manágua, o novo governo colombiano antecipou que manterá uma relação “construtiva” com a Venezuela, país com o qual a Colômbia compartilha uma extensa e conflituosa fronteira.
“As relações com a Venezuela são, antes de tudo, uma oportunidade, uma oportunidade única para dois países muito ricos em recursos naturais e em talento humano”, afirmou o futuro chanceler colombiano ao comentar as relações com o governo da presidenta interina Delcy Rodríguez.
Bula destacou que essa relação terá como principais eixos as áreas econômica e de segurança. Classificou como “construtivos” os possíveis vínculos com Caracas, com o objetivo de “gerar riqueza para os dois países” e de “acabar com os problemas fronteiriços”. Também destacou o combate ao crime organizado como parte central da agenda bilateral e explicou que se trataria de um esforço que também envolveria o Equador. Além disso, vinculou a estratégia regional a uma estreita aliança com os Estados Unidos.
“Vamos ser aliados nesse sentido, e nossa aliança com os Estados Unidos garante, de certa forma, que nos integremos a esse processo”, afirmou. Além disso, indicou que essa abordagem também busca acompanhar uma “transição” no país vizinho.
“As pessoas precisam ter clareza de que a presença do socialismo do século 21 na Venezuela e da onda vermelha que existiu no passado têm raízes profundas. As mudanças não podem ser feitas de um dia para o outro”, declarou.
Em sintonia com o discurso de Washington, Omar Bula Escobar afirmou que “o importante é decidir promover a mudança. Estamos muito determinados a realizar essa mudança, e as pessoas precisam ter um pouco mais de paciência”, em relação ao país vizinho. E explicou que a visão da nova administração contempla um esquema de “três etapas” para a Venezuela: “estabilização, recuperação e transição”.
