Trabalhadores de diferentes categorias participaram, na manhã desta quinta-feira (16), de uma manifestação em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre, pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada semanal para 40 horas, sem diminuição dos salários. O local foi escolhido em razão da oposição da entidade patronal à proposta em debate no Congresso Nacional.
Convocado por entidades que integram o Fórum das Centrais, o ato reuniu dirigentes sindicais, federações e sindicatos de diferentes setores. Com faixas, bandeiras, palavras de ordem e distribuição de materiais, os participantes defenderam que a redução da jornada pode ampliar o tempo destinado ao descanso, ao convívio familiar, aos estudos, ao lazer e aos cuidados com a saúde, e denunciaram a pressão exercida pelo empresariado para impedir o avanço da medida.
Em nota publicada após a aprovação da proposta na Câmara dos Deputados, a Fiergs afirmou que a redução da jornada aumentaria os custos de produtos e serviços, com impacto sobre os consumidores. Com base em estudo próprio, a federação patronal projetou uma possível queda de 5,4% no Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho e a redução de aproximadamente 47 mil empregos. A entidade também defendeu que a discussão seja baseada em evidências, diálogo técnico e responsabilidade econômica.
‘Mais tempo para viver’
O presidente da Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (CUT-RS), Amarildo Cenci, comparou a resistência patronal aos argumentos apresentados contra direitos trabalhistas conquistados em outros períodos da história brasileira.
“Grande parte da patronal segue com uma postura atrasada, escravocrata, desumana e indigna quando não querem a redução da jornada para 40 horas e o fim da escala 6×1. Estão fazendo lobby em Brasília, espalhando mentiras e fake news para dizer que o país vai quebrar, exatamente como fizeram quando combateram o fim da escravidão, o 13º salário, as férias, o descanso semanal e as licenças maternidade e paternidade”, afirmou Cenci.
Segundo o dirigente, a mudança teria efeitos positivos sobre a qualidade de vida, a saúde dos trabalhadores e a economia. “Queremos mais tempo para viver. As mulheres pedem socorro diante da dupla jornada, os jovens querem qualidade de vida e todos precisam de ambientes de trabalho mais saudáveis. Seguimos na luta até conquistar as 40 horas e o fim dessa escala horrorosa do 6×1”, declarou.
O presidente da significa Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Rio Grande do Sul (CTB-RS), Rodrigo Callais, afirmou que a manifestação integra uma campanha nacional pela reorganização do tempo de trabalho e pela valorização dos trabalhadores.
“Estamos nas ruas para mostrar que o fim da escala 6×1 é uma necessidade urgente. Os trabalhadores precisam de mais tempo para viver, conviver com suas famílias, estudar, descansar e cuidar da saúde. O desenvolvimento econômico deve caminhar junto com a valorização do trabalho, e essa é uma pauta que interessa a toda a sociedade”, disse Callais.
As entidades também sustentam que a redução da jornada pode contribuir para a geração de empregos e para o aumento da produtividade. Para as centrais, a escala 6×1 dificulta o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal e mantém um modelo de organização do trabalho incompatível com as necessidades atuais da população.
‘Pressão no Congresso’

Além das mobilizações nas ruas, as centrais sindicais buscam apoio de parlamentares para a aprovação da proposta. Na terça-feira (14), representantes das entidades estiveram no gabinete do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) para defender a jornada de 40 horas e o fim da escala 6×1.
Como Mourão cumpria agenda externa, a comitiva foi recebida pela chefe de gabinete do parlamentar. Segundo a CUT-RS, os representantes apresentaram argumentos relacionados à saúde, à qualidade de vida e à produtividade dos trabalhadores.
Ao final da reunião, ficou encaminhada a realização de um novo encontro com a participação do senador. Durante a manifestação em Porto Alegre, as centrais também cobraram do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o avanço da matéria.
