Em meio a guerra

Demissão de ministro da Defesa gera protestos na Ucrânia e abre crise no governo Zelensky

Símbolo do combate à corrupção, Fedorov deixa o cargo após seis meses por atritos com a liderança das Forças Armadas

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Manifestantes em Kiev seguram cartazes e entoam slogans durante um ato contra a decisão do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, de demitir o ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov.
Manifestantes em Kiev seguram cartazes e entoam slogans durante um ato contra a decisão do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, de demitir o ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov. | Crédito: Tetiana DZHAFAROVA / AFP

A renúncia do ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, anunciada nesta quinta-feira (16), gerou protestos em diversas cidades ucranianas e acendeu um alerta de crise política no país.

Visto por uma parcela da população ucraniana como um quadro eficiente à frente do Ministério da Defesa e associado ao combate à corrupção no país, Fedorov foi destituído em meio a uma reformulação do governo ucraniano.

Nesse contexto, um protesto de grande porte ocorreu em Kiev na manhã desta quinta-feira Centenas de manifestantes se reuniram no centro da cidade com cartazes e palavras de ordem em apoio ao Ministro da Defesa e críticas a Zelensky. Manifestações semelhantes ocorreram em outras 13 cidades, incluindo Lviv, Odessa e Kharkiv.

Na última terça-feira (14), a Verkhovna Rada (o parlamento ucraniano) aceitou a renúncia da primeira-ministra, Yulia Svyrydenko, e outros ministros perderam automaticamente seus cargos. No entanto, alguns terão seus cargos mantidos. A destituição do governo vem sendo encarada como um pretexto para resolver conflitos dentro das estruturas de segurança do país.

O principal motivo apresentado sobre a saída de Fedorov do ministério, que ficou apenas seis meses no cargo, tem sido um conflito com o Comandante-em-Chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Oleksandr Syrskyi. Fedorov havia exigido a demissão do comandante, mas o pedido foi recusado pelo presidente Volodymyr Zelensky.

Ao comentar a situação, Zelensky anunciou anteriormente: “Eu gostaria muito de ver a união [entre Fedorov e Syrskyi]. As partes não a encontraram. E, nesta situação, há uma escolha: ou um lado ou o outro. Porque sem mim, eles não se sentarão à mesa”, disse.

Com a atual reestruturação, o Ministério da Defesa da Ucrânia terá a quarta troca de comando desde o início da guerra com a Rússia, em fevereiro de 2022. O ex-ministro Mykhailo Fedorov era visto como um quadro associado ao combate à corrupção e gozava de prestígio na opinião pública.

Fedorov também era encarado como um dos responsáveis pelo aumento das capacidades dos ataques de drones da Ucrânia no conflito com a Rússia, sendo responsável por trazer uma modernização ao setor.

Uma das vozes que se manifestou de forma crítica às movimentações do presidente Volodymyr Zelensky foi a ex-porta-voz do líder ucraniano, que ficou no cargo entre 2019 e 2021. Ela afirmou que já não importa quem ocupa o cargo de ministro da Defesa, porque “cada novo ministro chega como um suposto salvador e marcha como outra decepção”.

“Mudanças não são possíveis sob o governo de Zelensky. Ele precisa de guerra. Ele precisa de corrupção. Ele precisa de autocracia. Parem de se iludir pensando que ele é outra pessoa. Olhem para a realidade: ele está no poder há mais de 7 anos”, escreveu ela na rede social X.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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