Tecnologia

China assume 70% das vendas mundiais de robôs quadrúpedes e lidera mercado de humanoides

Produção de robôs industriais cresceu 28% no 1º semestre e deve superar 100 mil unidades neste ano

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Robô humanoide da Booster Robotics com uma camisa da seleção argentina de futebol com o número 10 do Messi, durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial em Xangai, em 18 de julho de 2026.
Robô humanoide da Booster Robotics com uma camisa da seleção argentina de futebol com o número 10 do Messi, durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial em Xangai, em 18 de julho de 2026. | Crédito: Hector Retamal / AFP

Dados do primeiro semestre deste ano mostram que a China passou a responder por cerca de 70% das vendas globais de robôs quadrúpedes, tipo de equipamento com quatro patas projetado para operar em terrenos irregulares.

O gigante asiático também concentra mais da metade dos 400 modelos de robô humanoide disponíveis no mundo, segundo Wang Weiming, engenheiro-chefe do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, em coletiva de imprensa do Escritório de Informações do Conselho de Estado, nesta segunda-feira (20), em Pequim.

A entrevista, parte do ciclo regular de divulgação de dados econômicos do governo, também contou com a participação de Tao Qing, diretora do Escritório de Monitoramento e Coordenação Operacional, e Xie Cun, diretor do Escritório de Gestão de Comunicações e Informação, ambos porta-vozes do ministério.

No primeiro semestre de 2026, a produção de robôs industriais cresceu 28% em relação ao mesmo período de 2025, e a de robôs de serviço, 11,9%, segundo Wang Weiming. Mais de 230 empresas na China têm produtos na categoria de robôs inteligentes com forma física própria, que inclui humanoides e quadrúpedes. O ministério prevê que a produção total da categoria supere 100 mil unidades ao longo deste ano.

Aplicações industriais e médicas

Robôs de inspeção passaram a operar em minas subterrâneas e túneis de alta tensão, substituindo trabalhadores em ambientes perigosos ou insalubres. Na medicina, sistemas cirúrgicos robóticos de ortopedia e laparoscopia realizaram mais de 3.000 procedimentos minimamente invasivos à distância, por conexão 5G. Nas linhas de soldagem de automóveis, robôs industriais já operam em escala em todo o ciclo de produção.

Sistemas de visão por inteligência artificial estão detectando defeitos microscópicos em peças com eficiência cinco vezes superior ao trabalho manual, segundo o ministério. Nas 500 fábricas classificadas como “de excelência” no programa oficial de automação industrial, a produtividade média subiu 25% em relação ao período anterior à conversão. O país tem mais de 56 mil fábricas no nível básico de automação, mais de 9 mil no nível avançado e 15 instalações no nível piloto.

Modelos de inteligência artificial de escala industrial aceleraram também a triagem de anticorpos e moléculas para novos medicamentos, de acordo com Wang Weiming.

A taxa de adoção de inteligência artificial em empresas de manufatura acima do tamanho designado ultrapassou 30% no semestre, conforme informou o ministério. Modelos de IA de código aberto desenvolvidos no país acumularam mais de 10 bilhões de downloads em todo o mundo. Na China, as empresas grandes são definidas pelo critério de “acima do tamanho designado”, que atualmente significa que uma empresa possui uma receita anual de 20 milhões de yuans (R$ 15,5 milhões) ou mais.

O crescimento do setor segue o princípio da “nova qualidade das forças produtivas“, formulada por Xi Jinping e incorporada ao 15º Plano Quinquenal (2026-2030), que orienta a transição do modelo industrial intensivo em mão de obra para setores de alto conteúdo tecnológico. A indústria de alta tecnologia cresceu 13,3% em valor agregado no semestre, mais do que o dobro da média industrial, segundo Wang Weiming.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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