final do mundial

Como Trump tentou e conseguiu sequestrar a Copa do Mundo em vários momentos, com anuência da Fifa

De desmandes em regras à tentativa de protagonismo na premiação, o presidente dos EUA usou o mundial como palco político

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A Espanha conquistou o bicampeonato nos Estados Unidos
A Espanha conquistou o bicampeonato nos Estados Unidos | Crédito: Franck Fife / APF

A Copa do Mundo de 2026 terminou neste domingo (19) com a vitória da Espanha por 1 a 0 sobre a Argentina, que conquista o bicampeonato. Fora dos gramados, essa edição com sede tripla ficou marcada por fortes atritos geopolíticos e pelos desmandes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Até no momento do encerramento, Trump buscou o centro. Tentou transformar a premiação em um momento de protagonismo político. Dois jogadores argentinos, Romero e Lisandro Martínez, se recusaram a cumprimentá-lo. Já a seleção espanhola não deixou que ele tomasse lugar de destaque na celebração no momento em que a taça de campeão foi erguida.

O cientista político Túlio Velho Barreto, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), considera que, apesar da postura desses jogadores e de críticas feitas por outras pessoas, Trump, em certa medida, conseguiu sequestrar para si o evento, com anuência da própria Fifa.

“Nas copas do mundo anteriores, a Fifa impunha uma série de cláusulas e restrições aos países realizadores. No Brasil, atingia inclusive a Constituição. Nos EUA foi diferente. A Copa do Mundo foi feita exatamente como os EUA queriam. Inclusive com pouca participação no aspecto de organização do Canadá e do México. O evento de encerramento teve show no intervalo; o início da partida teve atraso em função do cerimonial. Tudo isso reflete a cultura estadunidense e a forma como os EUA tratam os esportes”, explica.

Barreto também critica o fato de a competição acontecer em um país que está em guerra com outro, referindo-se aos ataques promovidos desde fevereiro pelos EUA contra o Irã. “Não poderia acontecer um megaevento esportivo com a dimensão da Copa do Mundo, que só tem como rival as Olimpíadas, em um país que está agredindo outro país. Sem cumprir o ritual legal dentro do seu próprio país [em referência ao fato de as agressões começarem sem consulta ao Parlamento] e ferindo o que preconizam todas as organizações internacionais. Era impossível realizar esse evento nos EUA”, pontua em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Para o historiador e professor Diogo Xavier, todo evento dessa magnitude vira um espaço em que chefes de Estado tentam se colocar como grandes lideranças globais. “Ainda vão ter as Olimpíadas de 2028 nessa tentativa de vender uma grandeza estadunidense. Mas acredito que isso não surtiu o efeito que ele queria. Internamente não surtiu, porque a gente percebeu que o povo norte-americano, aquele que é inclusive mais ligado ao trumpismo, não aprovou a Copa do Mundo. Para eles, o futebol é um esporte de latinos e, por conta disso, eles têm uma repulsa muito grande ao esporte”, explica em participação no É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato.

Além disso, ele destaca que, no aspecto de organização, a Copa do Mundo não foi o sucesso que muitos previam. “Houve muitos problemas desde a entrada em estádios, que não conseguiram ficar lotados, problemas da entrada dos jornalistas na transmissão, uma série de permissões que a Fifa deu para os Estados Unidos, que mostraram que o país estava acima da Fifa. O caso do Balogun foi o mais famoso, em que houve uma reversão, uma interferência direta no jogo. E os casos de racismo, que ficaram muito demarcados como sendo algo em que a Fifa não toma nenhuma postura”, avalia Diogo Xavier.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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