Uma sequência de temporais atinge o Rio Grande do Sul nos últimos dias e já provocou danos em 49 municípios, segundo o boletim da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil do RS divulgado na tarde desta segunda-feira (20). Até o momento, 19 pessoas estão desalojadas em seis cidades. Não há registro de mortes ou feridos em decorrência dos temporais.
Os episódios de vento e chuva combinam rajadas que ultrapassaram os 90 km/h, queda de árvores e postes, destelhamento de residências, escolas, unidades de saúde e prédios públicos, além de interrupções no fornecimento de energia elétrica em diferentes regiões do estado. A Defesa Civil mantém equipes em campo para levantamento de danos e distribuição de lonas às famílias atingidas.
Segundo a MetSul Meteorologia, o fenômeno é resultado de uma frente quente que trouxe chuva ao sul do estado no fim de semana anterior e que, ao se tornar semi-estacionária entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul, manteve a instabilidade sobre o território gaúcho. A previsão da MetSul é de que a frente passe a se deslocar como frente fria a partir de terça-feira (21), com a aproximação de uma massa de ar frio pelo sul.
Ventos superam 90 km/h e chuva passa de 150 mm em dois dias
No levantamento divulgado pela manhã, os dados observados pelo Centro de Monitoramento (CMDEC) da Defesa Civil mostraram que Santa Maria e São José dos Ausentes registraram as rajadas mais fortes em 24 horas, ambas com 90 km/h. Em Jaguarão o vento chegou a 77,8 km/h, em Dilermando de Aguiar a 73,8 km/h e em São Borja a 73,4 km/h. Somando as 48 horas encerradas naquele levantamento, Santa Vitória do Palmar liderou o ranking estadual, com rajadas de 97,9 km/h, seguida por Santa Maria e São José dos Ausentes, empatadas em 90 km/h.
Em volume de chuva, Quaraí acumulou 159,8 milímetros em dois dias, o maior índice do estado no período, seguido por Santa Vitória do Palmar, com 133,5 milímetros, e Rosário do Sul, com 125,8 milímetros. A MetSul projeta que os volumes continuem altos até o meio da semana, com possibilidade de ultrapassar 200 milímetros em alguns pontos do Centro, Noroeste, Alto Jacuí, Planalto Médio e Serra do estado.
A instituição meteorológica também alerta para o risco de cheias em rios das bacias do Jacuí, Vacacaí, Ibicuí, Ijuí, Santa Maria e Taquari, além do Rio Ibirapuitã, na Fronteira Oeste, em razão do volume de chuva acumulado e do que ainda está previsto para os próximos dias.
Fronteira Oeste e Campanha entre as regiões mais castigadas
Municípios da Fronteira Oeste e da Campanha figuram entre os mais afetados pelos temporais. Em Alegrete, a Defesa Civil confirmou danos nos telhados de dez residências, distribuídas pelos bairros José de Abreu, Inês, Getúlio Vargas e Santos Dumont, e cinco pessoas de duas famílias ficaram desalojadas. O município também registrou o bloqueio total da rodovia ERS 507, no quilômetro 8, onde o desvio para veículos ficou submerso pelas águas do arroio Capivari; a Brigada Militar permanece no local fazendo a sinalização, em conjunto com a Defesa Civil municipal.
Em Barra do Quaraí, um cabo de alta tensão caiu sobre a via de entrada da cidade, o que deixou o município inteiro sem luz, água e internet; a concessionária de energia já removeu o cabo e liberou a via, e os serviços foram restabelecidos. Uruguaiana também informou danos crescentes ao longo dos dias: o número de residências com danos nos telhados passou de três para 23. A queda de dois postes de energia na cidade chegou a interromper o fornecimento para aproximadamente mil pessoas, com as equipes da distribuidora RGE atuando no restabelecimento do serviço.
Em Quaraí, uma estrutura em construção desabou e atingiu uma residência, sem deixar vítimas. Bagé teve queda de árvores e postes, com blecautes em bairros e bloqueios em vias; depois de ações conjuntas entre prefeitura, empresa de energia e Corpo de Bombeiros, a energia elétrica foi restabelecida e as vias, desobstruídas. Também foram contabilizados danos em telhados de oito residências no município.
Região Central concentra o maior número de ocorrências
Santa Maria foi o município com mais ocorrências registradas nos últimos dias. Segundo boletins sucessivos da Defesa Civil, a cidade acumulou danos em telhados de dezenas de residências em bairros como Divina Providência, Noal, Passo da Areia, Patronato, KM3, Urlândia, Nova Santa Marta, Parque Pinheiro Machado, Perpétuo Socorro, Salgado Filho e Rosário. Houve ainda queda de tapume no Centro e em uma obra no bairro Divina Providência, danos nos telhados de quatro escolas — em duas delas, as direções já providenciavam reparos — e um registro de alagamento no Hospital São Francisco.
A concessionária CPFL RGE confirmou que o bairro Patronato foi a região mais afetada pela falta de energia em Santa Maria no domingo (19), embora sem grande volume de consumidores desabastecidos, segundo a empresa. Os bairros Nossa Senhora de Lourdes e Fátima também tiveram interrupções; no caso de Fátima, o serviço foi normalizado após a queda de árvores que motivou o problema, enquanto em Nossa Senhora de Lourdes a previsão de restabelecimento era para a noite de domingo. A falta de energia chegou a afetar semáforos em cruzamentos importantes da cidade, o que levou a prefeitura a recomendar atenção redobrada de motoristas e pedestres.
Outros municípios da região central também reportaram prejuízos. São Martinho da Serra teve danos nos telhados de seis residências e de um CTG, com obstrução de uma via rural pela queda de vegetação. São Pedro do Sul registrou danos no telhado de uma escola e queda de árvore. Restinga Seca teve uma residência destelhada na localidade de Recanto Maestro, com duas pessoas afetadas que optaram por permanecer no imóvel; a Defesa Civil municipal prestou apoio com lonas e telhas. Já em Faxinal do Soturno, a Defesa Civil informou, na madrugada desta segunda (20), danos no telhado de uma residência e queda de árvore.
Em Paraíso do Sul, moradores enfrentaram problemas no abastecimento de água e energia elétrica, além de danos em telhados de cinco residências. Cachoeira do Sul teve o destelhamento de uma residência no interior do município, com apoio da Defesa Civil na distribuição de lonas, e registrou queda de galhos de árvores na BR-290, removidos pela concessionária responsável pela rodovia.
Vale do Rio Pardo e Vale do Taquari têm casas destelhadas e falta de energia
No Vale do Rio Pardo, Santa Cruz do Sul teve três casas destelhadas nas localidades de Alto Paredão e Monte Alverne; a Defesa Civil do município distribuiu lonas e uma árvore que caiu sobre a rede elétrica já foi removida pela RGE. Em Candelária, oito casas ficaram parcialmente destelhadas e dois postes caíram, com pontos do município ainda sem luz. Vera Cruz teve a situação mais extensa da região: fortes ventos de madrugada atingiram 20 casas com destelhamentos, queda de árvores e falta de energia, com bombeiros distribuindo lonas e equipes da RGE trabalhando no restabelecimento do serviço em pontos que seguiam sem luz.
No Vale do Taquari, Marques de Souza teve o destelhamento parcial da Escola Municipal de Ensino Fundamental Carlos Gomes; a prefeitura forneceu lonas como medida emergencial diante da previsão de novas chuvas, com acompanhamento das secretarias municipais de Educação e de Obras. Em Venâncio Aires, uma unidade de saúde ficou parcialmente destelhada em uma comunidade do interior, e o município atua na entrega de lonas. Vale do Sol teve três casas parcialmente destelhadas, com duas pessoas desalojadas que foram para a casa de parentes; a energia elétrica, interrompida no município, foi restabelecida pela RGE.
Região Metropolitana e Serra também contabilizam prejuízos
Na região Metropolitana, Campo Bom teve o destelhamento de uma residência em razão do vendaval, e o município já apoiou a família com telhas. Em Novo Hamburgo, rajadas próximas de 50 km/h derrubaram duas árvores de médio porte, o que provocou bloqueio parcial de vias, rapidamente sinalizadas pela Guarda Municipal. Taquara registrou duas casas com destelhamento — já atendidas com lonas, com reposição de telhas a cargo dos proprietários — e parte de um ginásio de escola municipal parcialmente destelhado, já resolvido com a recolocação do zinco.
Na Serra, Caxias do Sul teve rajadas de 67,7 km/h em 48 horas. Em Gramado, a queda de árvores e galhos na rodovia RS-115 e sobre a rede elétrica provocou falta de energia em uma residência; a concessionária realizou manutenção e a via foi desobstruída. No Litoral Norte, Terra de Areia teve uma árvore caída sobre a rede elétrica que deixou sem energia as localidades de Sanga Funda, Ressaco e Espigão, atingindo cerca de 60 famílias, enquanto Caraá registrou queda de árvores em via pública e danos em telhados de cinco residências.
Desalojados recebem assistência das defesas civis municipais
O boletim mais recente da Defesa Civil estadual contabiliza 19 pessoas desalojadas em seis municípios: cinco em Alegrete, quatro em Santa Maria, três em São Borja, três em Dona Francisca, duas em Cerro Branco e duas em Vale do Sol. Em todos os casos, segundo os registros municipais, as famílias foram acolhidas por parentes ou permanecem sob acompanhamento das defesas civis locais, que atuam na distribuição de lonas e, em alguns municípios, já organizam a entrega de telhas para reconstrução dos telhados danificados.
Em Dona Francisca, três moradores de uma residência foram para a casa de familiares em Santa Maria, no bairro Lorenzi, enquanto um morador de outro imóvel atingido optou por permanecer no local, com apoio de lona da Defesa Civil municipal para proteção dos móveis. Em São Borja, além dos danos que deixaram três pessoas desalojadas, houve queda de árvore sobre via pública e sobre a área de lazer de uma residência.
Frente semi-estacionária mantém risco de chuva até o meio da semana
Segundo a MetSul Meteorologia, a frente que provoca a instabilidade no Rio Grande do Sul segue semi-estacionária sobre o estado nesta segunda-feira (20) e deve se deslocar gradualmente para o norte a partir de terça-feira (21), à medida que uma massa de ar frio avança pelo sul. A instituição projeta chuva moderada a forte, com pontos de precipitação isoladamente torrencial, até quarta-feira (22), e reforça o risco de alagamentos em áreas urbanas, subida rápida de arroios e córregos, além de inundações localizadas.
Porto Alegre e a região Metropolitana devem receber entre 70 e 100 milímetros de chuva até o meio da semana, podendo superar essa marca em alguns pontos, segundo a MetSul. Os maiores volumes de chuva, no entanto, tendem a se concentrar do Centro para a metade norte do estado, especialmente nas regiões Central, Noroeste, Alto Jacuí, Planalto Médio e Serra.
A Defesa Civil orienta a população de áreas de risco a manter atenção às atualizações e a evitar deslocamentos desnecessários durante os períodos de chuva mais intensa. Em caso de emergência, os telefones de contato são 190, da Brigada Militar, e 193, do Corpo de Bombeiros.
