em franco declínio

‘Esfacelamento da candidatura de Flávio Bolsonaro’ abre possibilidade de vitória de Lula no 1º turno, diz cientista político

Jorge Folena avalia que candidatura de Flávio só sobrevive por pressão do pai e que petista crescerá durante a campanha

No audio source provided.
Flávio Bolsonaro e Lula se enfrentam nas eleições 2026
Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva | Crédito: Evaristo Sá/AFP; Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) lidera a disputa eleitoral à presidência no primeiro turno com 40% das intenções de voto, segundo pesquisa da Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (21). O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 33%. Em um eventual segundo turno, Lula fica com 45% e Flávio, 42%.

Já o detalhamento da pesquisa Genial/Quaest indica que Lula supera numericamente Flávio na região Sudeste, reduto dos maiores colégios eleitorais e historicamente um desafio para o petista. Além disso, o levantamento mostra queda de 37% para 22% nas intenções de voto para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro entre os evangélicos.

O advogado e cientista político Jorge Folena afirma, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, que os dados mostram uma consolidação da pré-candidatura de Lula em diversos estratos sociais e captura a desidratação de Flávio, diante dos áudios divulgados pelo Intercept Brasil, que expuseram a relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro.

“Dali para cá, outros fatores surgiram, tão graves quanto, e vêm mostrando um esfacelamento total da candidatura de Flávio Bolsonaro. Isso está sendo demonstrado agora com o presidente Lula capturando para ele a liderança, em especial no Sudeste”, avalia. “Existe uma tendência de que Lula amplie essa vantagem. E, a depender de como a militância vai entrar na campanha, Lula pode até vencer no primeiro turno.”

Folena define Flávio como um candidato “fraco” e que comete muitos erros. “A candidatura não é sustentável politicamente. E tem mais: as pessoas dão bastante destaque ao grupo religioso dos evangélicos, mas cabe lembrar que eles não são maioria religiosa no país. O maior grupo ainda são os católicos e, entre eles, o Lula vence”, destaca.

Além disso, Jorge Folena aponta para o grupo político que cerca Flávio Bolsonaro, que tem nomes como Cláudio Castro (PL), que está inelegível, e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (PL), que foi cassado. “Aquele ar de moralismo, de anticorrupção, de que a família Bolsonaro era limpa, cada vez mais vai caindo. As pessoas vão compreendendo e vão se afastando de Flávio Bolsonaro, inclusive correligionários de primeira hora, como líderes religiosos. Estamos vendo um esvaziamento da candidatura de Flávio Bolsonaro. Sem contar os erros, como o ‘tariflávio’, que já pegou. Ou seja, um entreguista, um candidato à presidência do Brasil que representa os interesses dos Estados Unidos”, destaca.

Folena também analisa a crise deflagrada após o vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que expôs o racha, não apenas na família, mas dentro do próprio partido. “Há várias lideranças do PL que não querem que Flávio seja o candidato. Mas ele será o candidato por uma questão de sobrevivência política do pai dele. O vídeo de Michelle foi pensado. Partiu do núcleo do PL, insatisfeito com a candidatura de Flávio Bolsonaro”, analisa.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

|

Newsletter