Sob pressão

Após protestos, Zelensky troca chefe do exército da Ucrânia em reformulação do governo

Em meio à crise, presidente ucraniano acena aos manifestantes e devolve Mikhaylo Fedorov a um 'cargo de destaque'

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Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, é pressionado após mudanças no governo
Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, é pressionado após mudanças no governo | Crédito: Ozan Kose/AFP

O presidente Volodymyr Zelensky exonerou o comandante das Forças Armadas da Ucrânia, Oleksandr Syrskyi, na terça-feira (21), em meio a protestos em todo o país contra mudanças-chave em seu governo.

O estopim para as diversas manifestações que aconteceram na Ucrânia foi a exoneração do ministro da Defesa, Mikhaylo Fedorov, na semana passada. Tido como uma das autoridades de maior popularidade no governo, Fedorov tinha um conflito interno com o chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi.

Com a eclosão dos protestos que levaram milhares de pessoas às ruas de Kiev e outras cidades, Zelensky demitiu Syrskyi, trocando-o por uma figura próxima ao ex-ministro da Defesa, e ofereceu a Mikhaylo Fedorov um “cargo de destaque” na supervisão da estrutura de comando do exército.

As mudanças acontecem em meio a uma reformulação geral no governo de Zelensky, que começou com a destituição da primeira-ministra Yulia Svyrydenko. Mas foi a renúncia do ministro da Defesa — visto por uma parcela da população ucraniana como um quadro eficiente à frente do Ministério da Defesa e associado ao combate à corrupção no país — que gerou protestos em diversas cidades do país e expôs fragilidades do governo ucraniano.

Na última terça-feira (21), o general Mykhailo Drapaty foi nomeado o novo Comandante-em-Chefe das Forças Armadas da Ucrânia no lugar de Oleksandr Syrskyi. Ele será o terceiro no cargo desde o início do conflito com a Rússia. Drapaty é considerado próximo do círculo de influência do ex-ministro da Defesa Mikhaylo Fedorov, o que foi encarado como uma concessão de Zelensky em relação aos protestos no país.

Ao comentar as mudanças no comando do exército ucraniano, o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, afirmou que isso “provavelmente não levará a mudanças na frente de batalha”.

De acordo com ele, a reformulação na liderança militar da Ucrânia está apenas “abalando o regime de Kiev por dentro”. “Enquanto isso, nossas forças armadas continuam as operações ofensivas em toda a frente como parte de uma operação militar especial”, concluiu o porta-voz do Kremlin.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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