O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende adotar uma estratégia seletiva caso avance com medidas de reciprocidade contra o tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A orientação em discussão dentro do Executivo é evitar qualquer reação que provoque prejuízos à própria economia brasileira, preservando empresas, consumidores e cadeias produtivas nacionais.
Nos bastidores, integrantes do governo fazem questão de diferenciar o acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica de sua efetiva aplicação. O primeiro passo consiste na abertura dos mecanismos previstos na legislação, com estudos técnicos para mapear setores que poderiam ser alvo de medidas brasileiras. Apenas após essa análise será decidido se haverá retaliação e quais instrumentos poderão ser utilizados.
A avaliação é que a resposta deve ser calibrada para gerar custos aos Estados Unidos sem atingir a produção nacional. Além da possibilidade de sobretaxas, a legislação permite a adoção de medidas regulatórias envolvendo propriedade intelectual, patentes e royalties. Técnicos do governo analisam quais opções oferecem maior capacidade de pressão sobre Washington, com menor impacto para o mercado interno.
A estratégia também leva em conta a posição do empresariado brasileiro. Desde o anúncio das tarifas pelo governo de Donald Trump, representantes dos empresários têm defendido que o Brasil mantenha abertos os canais de negociação e evite uma escalada comercial.
Nesse contexto, integrantes do Executivo brasileiro avaliam que acionar a Lei da Reciprocidade fortalece a posição brasileira na mesa de negociações, sem significar a adoção imediata de contramedidas. A leitura é de que abrir o processo demonstra capacidade de reação, preservando espaço para uma solução diplomática, como o presidente Lula tem defendido.
