Viva o 26 de julho!

‘Cuba tem o direito de viver em paz’, afirma embaixador em ato de memória pelo Dia da Rebeldia Cubana

Atividade na Biblioteca Nacional resgata o legado da Revolução Cubana e denunciou os impactos do bloqueio econômico

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Mobilização reuniu representantes diplomáticos, movimentos populares e entidades de solidariedade em Brasília.
Mobilização reuniu representantes diplomáticos, movimentos populares e entidades de solidariedade em Brasília. | Crédito: Kennedy Cruz/Brasil de Fato DF

Brasília reuniu, nesta sexta-feira (24), representantes diplomáticos, movimentos populares e organizações de solidariedade para celebrar o Dia da Rebeldia Nacional Cubana. Realizado no auditório da Biblioteca Nacional, o ato marcou os 73 anos do assalto aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes, em 26 de julho de 1953, considerado o marco inicial da Revolução Cubana.

O principal pronunciamento da noite foi do embaixador de Cuba no Brasil, Víctor Cairo, que relacionou o significado histórico da data ao atual cenário internacional e às sanções impostas pelos Estados Unidos contra cuba. Segundo o diplomata, a luta iniciada por Fidel Castro permanece atual diante das tentativas de sufocar economicamente o país.

“Milhões de cubanos sofrem o impacto do bloqueio há mais de 60 anos. Sofrem as ordens executivas de Donald Trump, enfrentam o cerco energético, os apagões, a falta de medicamentos e todas as condições de guerra impostas pela política genocida dos Estados Unidos contra Cuba”, afirmou.

Ao relembrar o contexto que levou ao levante de 1953, Cairo afirmou que o golpe de Estado de Fulgêncio Batista, apoiado pelos Estados Unidos, fechou as vias democráticas e tornou inevitável a luta armada. Segundo ele, a Revolução Cubana representou uma ruptura com um sistema marcado pela exclusão social e pela dependência externa.

Embaixador de Cuba no Brasil, Víctor Cairo
Embaixador de Cuba no Brasil, Víctor Cairo | Crédito: Perci Marrara

Bloqueio e soberania

O embaixador também afirmou que, passadas mais de seis décadas da Revolução, a disputa continua sendo pela defesa da soberania nacional. “Temos o direito de viver em paz e alcançar nosso desenvolvimento com respeito à nossa soberania. Cuba não é uma ameaça para os Estados Unidos. O bloqueio é uma ameaça para o povo cubano e para a América Latina e o Caribe. Uma guerra contra Cuba seria uma ameaça à estabilidade de nosso continente”, declarou.

Durante o discurso, Víctor Cairo direcionou críticas ao governo do presidente Donald Trump e ao avanço de setores conservadores nos Estados Unidos. Para ele, o cenário internacional é marcado por tentativas de criminalizar projetos políticos voltados à justiça social.

“Vivemos em um mundo ameaçado por uma elite neoconservadora que, nos Estados Unidos, pretende impor seu ideário neofascista. Para Trump e Marco Rubio [Secretário de Estado dos Estados Unidos], acreditar em um mundo mais humano, com mais justiça social, igualdade soberana e independência é ser um terrorista de esquerda”, disse o embaixador.

O diplomata ainda defendeu que a unidade entre os povos latino-americanos é condição para enfrentar as pressões externas. Ao citar José Martí e Simón Bolívar, afirmou que a integração regional continua sendo um projeto político necessário diante dos desafios impostos à América Latina.

Parlamentar, representantes da Embaixada de Cuba e integrantes de movimentos sociais participaram da celebração realizada em Brasília. 
Parlamentar, representantes da Embaixada de Cuba e integrantes de movimentos sociais participaram da celebração realizada em Brasília. | Crédito: Kennedy Cruz/Brasil de Fato DF

Memória da revolução

A conselheira da Embaixada de Cuba no Brasil, Idalmis Brooks Beltrán, afirmou que a celebração deste ano ganha um significado especial por ocorrer durante as homenagens ao centenário de nascimento de Fidel Castro.

“Foi o dia em que Fidel Castro recomeçou a luta pela verdadeira independência e soberania de Cuba. Lembrar isso hoje, em um contexto onde as ameaças dos Estados Unidos são cada vez mais fortes, serve para que todo mundo tenha confiança de que vamos defender a pátria”, afirmou.

O cubano Alexis Isaac, integrante da direção da Associação Nacional de Cubanos Residentes no Brasil (Ancreb), levou um relato pessoal ao evento. Ele contou que estudou na Cidade Escolar 26 de Julho, instalada justamente no antigo Quartel Moncada após a vitória da Revolução.

“Fidel disse em seu discurso histórico que converteria os quartéis em escolas. Um ano depois do triunfo da Revolução, esse foi o primeiro quartel transformado em escola em Cuba. Eu tive a sorte de estudar ali e, para nós, falar da ’26’ é falar de um lugar que guarda a memória física da luta daqueles jovens”, relatou.

Isaac lembrou ainda que o ataque ao Quartel Moncada fracassou do ponto de vista militar, mas deu origem ao processo político que culminaria na Revolução de 1959. Ao encerrar sua fala, citou a frase pronunciada por Fidel Castro durante seu julgamento: “Condenem-me, não importa. A história me absolverá.”

Conselheira da Embaixada de Cuba no Brasil, Idalmis Brooks Beltrán
Conselheira da Embaixada de Cuba no Brasil, Idalmis Brooks Beltrán | Crédito: Perci Marrara

Solidariedade

A dirigente nacional do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Julciane Inês Anzilago, afirmou que Cuba segue sendo uma referência para os movimentos populares latino-americanos, especialmente pela defesa da soberania e pela prática da solidariedade internacional.

“Cuba sempre foi uma referência de luta dos povos e de solidariedade. Nós, do Movimento de Mulheres Camponesas, aprendemos muito com essa resistência. Neste momento de bloqueio criminoso dos Estados Unidos, os países têm que se solidarizar com o povo cubano para que a América Latina viva e para que os povos do mundo continuem sobrevivendo”, afirmou a dirigente.

Representando o Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba, Pedro César Batista afirmou que a defesa de cuba exige mobilização permanente e maior compromisso dos países latino-americanos diante das dificuldades enfrentadas pela população cubana em razão do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. Ele também anunciou que Brasília sediará, em maio de 2027, a 28ª Convenção Nacional de Solidariedade com Cuba, organizada pelo movimento.

“Não há outro caminho senão fortalecer a unidade e ampliar a solidariedade. Precisamos reforçar a campanha de envio de alimentos, medicamentos e painéis solares, porque o povo cubano segue resistindo mesmo diante da falta de energia, água, alimentos e remédios”, afirmou.

Além dos discursos políticos, a programação contou com apresentações dos artistas Myrlla Muniz e Ocelo Mendonça, além do grupo Sabor de Cuba. A celebração faz parte de uma agenda de atividades organizada pelos movimentos de solidariedade, que segue neste domingo (26) com uma caminhada no Eixão Norte, região administrativa do Distrito Federal.

Grupo Sabor de Cuba
Grupo Sabor de Cuba | Crédito: Camila Araujo

Ao longo da cerimônia, representantes de diferentes organizações também defenderam o fortalecimento da cooperação entre Brasil e Cuba, destacando o envio recente de alimentos e medicamentos a Cuba e a necessidade de aumentar o apoio internacional diante da crise energética enfrentada pelo país.


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Editado por: Flavia Quirino

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