O Brasil deu passos importantes no combate à pobreza em 2025, mas a riqueza gerada pelo crescimento econômico continua concentrada nas mãos de poucos. Segundo o Relatório de 2026 do Observatório Brasileiro das Desigualdades, divulgado nesta quarta-feira (12), o rendimento médio do 1% mais rico da população, que em 2024 era 30,2 vezes superior ao dos 50% mais pobres, saltou para uma diferença de 31,5 vezes no último ano.
Para entender o tamanho desse abismo, basta olhar para os números: de um lado, temos cerca de 2,1 milhões de brasileiros no grupo mais abastado; do outro lado, 106,4 milhões de pessoas formam a metade mais pobre do país.
Esse indicador de concentração de renda é calculado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que é a pesquisa mais completa sobre a vida dos brasileiros.
Embora o cenário atual ainda seja um pouco melhor do que o de 2022, a melhora que houve em 2024 foi interrompida, mostrando que os mecanismos que criam desigualdade continuam ativos.
Homens ganham cada vez mais
A desigualdade também pesa no bolso das mulheres. Apesar de o mercado de trabalho estar mais aquecido, os ganhos não foram iguais. Em 2025, o rendimento médio dos homens cresceu 5,8%, enquanto o das mulheres subiu 4,8%.
Como o salário masculino correu mais rápido, a distância entre os gêneros aumentou: hoje, as mulheres recebem, em média, apenas 72,2% do que os homens ganham.
A situação é ainda mais difícil para as mulheres negras. Elas recebem pouco mais de 40% do rendimento de um homem não negro e são as que mais sofrem com a falta de emprego. Enquanto a taxa de desemprego para homens brancos ou amarelos é de 3,8%, a das mulheres negras chega a 8,5%.
A cor do cárcere
O relatório também confirma que o racismo no Brasil não é apenas uma questão de renda, mas de sobrevivência e liberdade.
Os dados de segurança pública mostram que, embora a população negra represente 56% dos brasileiros, ela ocupa 70% do sistema prisional.
Esse cenário de “sobrerrepresentação” é alimentado por um sistema de justiça que ainda é majoritariamente branco: nos tribunais, apenas 14,3% dos magistrados são negros.
