Saúde Pública

China fará com que empresas de aplicativo cubram parte do seguro de saúde dos trabalhadores

Novo plano quinquenal prevê parto hospitalar sem custo e amplia cobertura de cuidados para idosos dependentes

No audio source provided.
Entregadores em suas motos elétricas em Pequim, em 15 de junho de 2023.
Entregadores em suas motos elétricas em Pequim | Crédito: Pedro Pardo/AFP

Plataformas digitais deverão cobrir parte do seguro de saúde de entregadores, motoristas por aplicativo e prestadores de serviço por demanda, categoria com mais de 200 milhões de trabalhadores na China. A diretriz foi divulgada no Plano Quinquenal de Cobertura de Saúde Universal para 2026–2030, pela Administração Nacional do Seguro de Saúde da China, nesta quarta-feira (19).

Atualmente, o trabalhador dessas categorias que quiser o seguro dos assalariados formais, com reembolso de cerca de 80% das despesas hospitalares, precisa arcar com 100% da contribuição por conta própria, sem participação alguma da plataforma contratante. A maioria desses trabalhadores hoje usa o seguro de saúde de residentes, com reembolso de cerca de 70%.

Segundo relatório do Conselho de Estado apresentado à Assembleia Nacional Popular (ANP) em dezembro de 2025, apenas 66,16 milhões dos mais de 200 milhões de trabalhadores nessa categoria tinham seguro de saúde vinculado ao emprego até o final de 2024.

O 14º Plano Quinquenal (2021–2025) havia dado um passo inicial ao remover a exigência de que os trabalhadores de aplicativos só pudessem se inscrever no seguro na cidade onde têm registro domiciliar, o chamado hukou, um sistema que vincula direitos sociais ao local de origem e historicamente impediu migrantes de acessar serviços nas cidades onde trabalham. A barreira financeira, porém, permanecia: sem obrigação de contribuição para as plataformas, o trabalhador continuava bancando a parte que caberia ao empregador.

Até o final do ano passado, o Sistema de Seguro Médico Básico da China cobria 1,33 bilhão de pessoas, 95% da população, com receita de 3,59 trilhões de yuans (cerca de R$ 2,9 tri) e despesas de 3 trilhões de yuans (mais de R$ 2,4 tri), incluindo o seguro-maternidade, segundo a Xinhua. Ao contrário do SUS brasileiro, financiado por impostos e gratuito no atendimento, o sistema chinês é contributivo: trabalhadores e empregadores pagam mensalmente ao fundo, que depois reembolsa parte das despesas hospitalares.

Com o novo plano, o parto no hospital será coberto integralmente pelo seguro-maternidade, sem custos para a mulher. A anestesia durante o parto e os procedimentos de reprodução assistida também passam a ser cobertos.

Remédios a preço de Estado

O sistema de compras em grande escala, no qual o governo negocia direto com os laboratórios para conseguir descontos em troca de volume garantido, vai crescer e virar uma regra permanente. A medida já reduziu bastante o preço de itens caros, como próteses, lentes intraoculares e stents para o coração, informa a Xinhua. A meta é fazer com que 90% dos remédios e 80% dos materiais de alto custo dos hospitais públicos sejam adquiridos por plataformas regionais.

Também será criado um aplicativo para que a população em geral possa comparar preços de remédios perto de casa, checar o estoque em tempo real e receber alertas contra cobranças abusivas.

O plano também prevê um mecanismo de acompanhamento contínuo para quem tem gastos muito altos com saúde, emitindo alertas para evitar que despesas médicas levem as famílias à pobreza.

Cuidados de longa duração

Com mais de 323 milhões de pessoas acima dos 60 anos (23% da população) e a projeção de ultrapassar 400 milhões até 2035, a China vai expandir o Seguro de Cuidados de Longa Duração, conhecido como o “sexto seguro” social do país. Hoje, 308 milhões de pessoas contribuem para o fundo; o benefício, destinado a quem tem dependência severa para tarefas básicas, atende 1,93 milhão de pessoas.

O programa, atualmente em fase de testes em 92 cidades, será levado para todo o país até 2030. O projeto prevê ainda regras unificadas em nível nacional para avaliar o grau de dependência dos idosos e o uso de robôs auxiliares para ajudar quem tem dificuldade de locomoção.

Editado por: Rafaella Coury

|

Newsletter