Logo após os Estados Unidos aplicarem mais uma rodada de sanções contra o Irã, ameaçando países que fazem comércio com o país persa, a China, principal compradora do petróleo iraniano, reagiu. Nesta terça-feira (25), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, participou de coletiva de imprensa e rechaçou a ideia de que o comércio entre Pequim e Teerã seja alvo de interferências.
“A cooperação entre China e Irã sempre aconteceu dentro do marco do direito internacional e não deve ser alvo de interferências ou perturbações. A China já afirmou em diversas ocasiões que se opõe de modo veemente às avaliações unilaterais ilegais. A China tomará todas as medidas de segurança para salvaguardar com firmeza seus direitos e interesses”, explicou Lin.
A autoridade não comentou quais medidas podem vir a ser tomadas, mas o comentário marca a posição de Pequim perante a tentativa de cerco imposta pela Casa Branca. A razão é estratégica: atualmente, a China é o destino de cerca de 80% das exportações de petróleo do Irã.
Fechamento de Ormuz
Desde fevereiro, quando EUA e Israel iniciaram a Operação Fúria Épica contra o território iraniano, gerando o imediato fechamento do Estreito de Ormuz, um dos objetivos implícitos do governo Donald Trump era prejudicar o fluxo de comércio em relação à China.
Esse fluxo foi especialmente significativo em 2025. De acordo com dados da consultoria Kpler, o país oriental comprou, em média, 1,38 milhão de barris de petróleo iraniano no ano passado. Deve-se pesar, também, a necessidade estratégica que a China tem em ampliar as suas reservas de petróleo bruto, seja em razão da demanda da sua população, seja como forma de mitigar os riscos de conflitos como o que corre, atualmente, no Oriente Médio.
Nos dois primeiros meses de 2026, por exemplo, já ciente da possível escalada no Oriente Médio, a China comprou 16% a mais de petróleo que no mesmo período de 2025, de acordo com a administração de alfândegas do país. Esse conjunto de fatores tem feito com que o país amenize os problemas decorrentes do conflito no Oriente Médio. O volume real da reserva estratégica de petróleo é considerado segredo de Estado na China, mas estimativas de organizações de pesquisa sobre o tema, como o Instituto de Estudos de Energia da Universidade de Oxford, apontavam que o país asiático teria uma reserva de 1,1 bilhão a 1,3 bilhão de barris até o início da guerra.
Novas ameaças
Nos Estados Unidos, os próximos passos seguem incertos, seja no campo militar, seja na esfera puramente comercial. As ameaças desta semana dizem respeito a aliados do Irã, mas nenhum país é citado nominalmente. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, responsável pela divulgação do pacote de sanções contra 60 indivíduos, entidades e embarcações por suposto envolvimento comercial com o Irã, não se referiu a nenhuma instituição financeira chinesa específica.
Em coletiva na segunda-feira (25), Bessent foi questionado sobre o tom genérico pelo qual se referiu aos possíveis alvos das sanções, mas rebateu com uma pergunta: “Por que eu iria querer implodir o sistema financeiro global?”.
Trump, por sua vez, segue em empreitada retórica a fim de tentar convencer a opinião pública e a própria sociedade estadunidense de que estaria conseguindo vencer o Irã, tanto no embate de forças militares quanto no campo econômico.
Antes, o presidente dos EUA chegou a ameaçar diretamente países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que pareciam reticentes à ideia de contribuírem para uma ação militar contra o Irã, mas não conseguiu fazer com que os aliados embarcassem nas ações. Agora, segundo Bessent, Trump “está ligando para líderes mundiais com pedidos específicos para que cessem suas interações com o Irã”.
No campo diplomático, está previsto um encontro entre Trump e Xi Jinping em Washington no final de setembro, o que poderá ser a segunda reunião entre os líderes das duas principais potências econômicas do globo. A primeira aconteceu em maio, quando o republicano viajou até Pequim.
