Em sabatina na TV Globo, o candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, se mostrou representante da extrema direita conservadora, defendendo “regime de exceção em favelas”, a fabricação de uma bomba atômica e o fim de relações diplomáticas a partir do que ele chamou de “nova ordem mundial”.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Rosemary Segurado avalia que as declarações de Santos, por mais absurdas que sejam, refletem exatamente o que pensa o grupo para o qual ele se dirige. “É uma concepção absolutamente errônea, mas é uma concepção muito própria de grupos conservadores, de que na favela só tem bandido, marginal e vagabundo”, afirma. “É uma agressão a essas populações, contribui tão somente para estigmatizar e marginalizar essas pessoas.”
Segurado aponta que o candidato faz confusão entre política de segurança e habitacional, uma vez que a própria formação territorial das favelas advém de uma questão de falta de opções de melhores condições de moradia. “São pessoas que exigem respeito e políticas públicas para que esses territórios, que apresentam muitas vezes precariedade no esgoto sanitário, no abastecimento de água e em outros serviços de saúde. É isso que um candidato a presidente tem que fazer: dizer como ele vai melhorar, como ele vai cuidar da vida das pessoas, e não como ele vai ameaçar essas pessoas. É absolutamente lamentável essa declaração”, reforça.
Durante a entrevista, Renan Santos também enalteceu o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, um dos principais representantes da ultradireita na América Latina, como exemplo a ser seguido. Bukele, lembra a cientista política, tem promovido uma série de violações de direitos humanos em seu país, como acabar com a presunção de inocência, que é um princípio básico do Direito. “Todos têm direito à defesa. E o que ele vem fazendo são prisões em massa.”
Para Rosemary Segurado, o candidato do Missão se coloca como “linha acessória” do candidato Flávio Bolsonaro. “Fazem parte do mesmo grupo político que defende o Estado de exceção, que defende políticas que são absolutamente violadoras dos direitos humanos das populações. E isso é muito preocupante, que ele venha a público fazer esse tipo de defesa, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. Então, me parece que, mais do que qualquer outra coisa, ele faz coro a essa política não apenas de Flávio, mas de outros candidatos que usam, buscam usar da violência política, da truculência política para o controle das populações”, pontua.
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