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‘Grande desafio é enfrentar a taxa de juros’, afirma pesquisadora sobre crescimento de 0,5% do PIB

Marilane Teixeira afirma que com inflação controlada não faz sentido taxas de juros serem mantidas elevadas

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Fotografia de notas e moedas de real ao lado de uma calculadora
No Brasil, o consumo das famílias, influenciado pelo aumento real do salário mínimo, é “um dos maiores motores da economia”, segundo o IBGE | Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Produto Interno Bruto (PIB), que é o conjunto dos bens e serviços produzidos no país e, portanto, indicador de crescimento da economia brasileira, avançou 0,5% no segundo trimestre de 2026 na comparação com o primeiro. De acordo com os dados divulgados nesta terça-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB chegou a R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre.

Em relação ao mesmo período de 2025, o PIB apresentou alta de 2%. No acumulado de quatro trimestres, a expansão foi de 1,9%.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Marilane Teixeira, professora e pesquisadora do Cesit-Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explicou que as altas taxas de juros fazem com que o crescimento, embora evidenciado em números, indique tendência de desaceleração. “O principal impacto é no consumo das famílias, porque, mesmo considerando ganhos reais no último período e a política de valorização do salário mínimo, você tem um impacto do endividamento das famílias decorrente das taxas de juros que, de alguma forma, acaba anulando esses efeitos positivos”, explica.

Teixeira reforça que mais de 50% das famílias brasileiras estão em situação de endividamento e que, por conta dos juros, muitas vezes não são novas dívidas, mas o comprometimento para conseguir dar conta das taxas. “O grande desafio é enfrentar a taxa de juros”, define.

Segundo a professora, existe um paradoxo entre as altas taxas de juros e a estimativa de desaceleração da inflação. “Do ponto de vista econômico, num contexto em que você está com a inflação sob controle, não faz sentido manter a taxa de juros alta. Isso só beneficia o rentismo. É uma taxa real que gira em torno de 8% a 9%, e isso vai comprometer o consumo das famílias”, resume.

Marilane Teixeira também explica que o agronegócio, muito voltado à exportação, não sente esse impacto, e quem mais acaba afetado são os setores dinâmicos da economia, como a atividade industrial, comércio, bens e serviços.

“Os setores que são voltados para o mercado externo, para as exportações, não sentem, não convivem com esse impacto, diferentemente de atividades que necessitam de crédito e de crédito barato para fazer girar o fluxo de caixa”, explica.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h (durante o período de propaganda eleitoral) e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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