Mobilização

PM despeja famílias de ocupação de terreno ligado ao caso Master em MG

Movimento Terra, Trabalho e Liberdade afirma que despejo ocorreu de forma ilegal e sem mandato

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A ocupação começou na manhã de domingo (30), em uma área de 96,76 hectares na Fazenda Bom Jardim.
A ocupação começou na manhã de domingo (30), em uma área de 96,76 hectares na Fazenda Bom Jardim. | Crédito: Reprodução/MTL

A Polícia Militar despejou, nesta terça-feira (1), diversas famílias de um terreno ocupado pelo Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), em Uberlândia (MG). Segundo o movimento, a área é ligada a gestoras investigadas no caso do Banco Master e teria sido cotada para a construção de um data center de inteligência artificial.

O MTL afirma que o despejo acontece de forma ilegal e sem mandado e denuncia a postura do governador e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD), que afirmou que impediria a chegada de estruturas necessárias à continuidade da ocupação.

Segundo os ocupantes, parte significativa das famílias já está cadastrada pelo Incra e aguarda um assentamento definitivo.

Ligações com Master

A ocupação começou na manhã de domingo (30), em uma área de 96,76 hectares na Fazenda Bom Jardim. Cerca de 500 famílias, sendo 301 já cadastradas pelo Incra-MG, participaram do protesto. 

O terreno é o mesmo destinado à construção do que seria o primeiro data center de inteligência artificial do sudeste do país, anunciado pela prefeitura com investimento de R$ 6 bilhões e promessa de mais de 2 mil empregos, sem que houvesse licenciamento ambiental para a obra, em área com nascentes do Rio das Pedras.

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O imóvel está registrado em nome do Fundo de Investimento Imobiliário Bacuri, hoje no centro do escândalo do Banco Master. Segundo o próprio balanço do fundo, o terreno foi comprado em 2019 por R$ 14 milhões e reavaliado para R$ 76 milhões em 2025, embora o Documento de Informação e Apuração do ITR usado para fins fiscais aponte valor de R$ 1.781.916,00, próximo ao que se pratica no mercado local. 

A gestora do fundo, WNT Capital, é investigada pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero por movimentação atípica de ativos, ocultação de riscos e supervalorização patrimonial.

Em nota pública, o MTL afirma que a ocupação nasce do Acampamento MTL Bob Vive, formado por famílias ligadas a Robinson dos Santos Guedes, o Bob, assassinado em março de 2025, e reivindica o cadastramento das famílias pelo Incra, a vistoria de imóveis improdutivos para assentamento e a expropriação de áreas ligadas ao esquema de fraude.

Violações

Marilda Fonseca e Isabela Ribeiro, advogadas envolvidas no caso, afirmam que presenciaram, nesta terça-feira, “uma grave violação de direitos humanos”, com a chegada da polícia.  

“Não tem qualquer ordem judicial para desocupação. Então, a polícia segue aqui cumprindo um papel de porteiro, de vigia de uma terra particular, em que sequer o dono pediu a desocupação. E, ao contrário, quem ajuizou a medida concreta fomos nós, um interdito proibitório, demonstrando que é uma questão coletiva. Essas famílias são cadastradas pelo Incra, elas querem a reforma agrária, elas têm direito a ter o acesso à terra, é constitucional, e elas estavam num outro acampamento e vieram para cá”, sinalizou Marilda Fonseca, no início da manhã. 

A deputada estadual Bella Gonçalves (PT), por outro lado, afirmou, por meio das redes sociais, que entrou na Justiça contra o governador Mateus Simões, que, segundo ela, se valeu do cargo para fazer ato de campanha. 

“Ao dizer que ia mandar polícia e Corpo de Bombeiros para atacar uma ocupação em Uberlândia, ele promoveu seu número de candidato e seus dados eleitorais. Isso é crime eleitoral”, denunciou. 

“Ele fez campanha eleitoreira se dizendo grandão contra os sem terras, mas na verdade estava defendendo terreno do maior esquema de corrupção bancária do país. O mesmo Banco Master que já apareceu em esquema de mineração, de ativos financeiros, e agora também de terra aqui em Minas”, criticou. 

Outro lado

O Brasil de Fato MG entrou em contato com o governo de MG para buscar esclarecimentos sobre os pontos destacados na reportagem e aguarda respostas. O conteúdo será atualizado quando houver posicionamento.

Editado por: Elis Almeida

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