PELA CIDADE BAIXA

Caminhos da luz e da meditação estão na Ponte Para a Liberdade e no Santuário Mestre Saint Germain na José do Patrocínio

Centro Esotérico é um lugar de tranquilidade, edita livros e atende pessoas, independente de raça, credo e ideologia

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O lugar é mantido por filiados, contribuições e pela venda de livros esotéricos
O lugar é mantido por filiados, contribuições e pela venda de livros esotéricos | Crédito: Rafael Rosa

A Ponte Para a Liberdade e o Santuário Mestre Saint Germain não discriminam ninguém, aceitam qualquer pessoa, independente de raça, credo e ideologia e é mais um local especial da Cidade Baixa de Porto Alegre. Fica na José do Patrocínio, 642. É um centro esotérico*, filosófico e humano onde são transmitidos conhecimentos e práticas espirituais.

É um espaço que deixa a gente sabendo um monte de situações sobre as verdades do universo e a espiritualidade guardadas por meio de símbolos, rituais ou ensinamentos secretos. A Biblioteca e a Editora Ponte Para a Liberdade estão situadas em um grande casarão, propriedade própria, doado, tombado e não pode ser demolido.

O lugar é mantido por filiados, contribuições e pela venda de livros esotéricos. E também pelo aluguel do segundo andar para a ONG Fora da ASA – projeto coletivo de ações educacionais plurais em busca de diferentes modos de existência e de outra humanidade possível. Os livros não têm autores específicos, são psicografados por pessoas das mais diversas origens, escritos à mão e transcritos para o computador e, depois de cinco rigorosas revisões, são impressos em letras da cor azul.

Crédito: Rafael Rosa

Uma assistente – que não pode se identificar – é a responsável pela Biblioteca – que vende ou manda pelos Correios e é também a editora de livros esotéricos. “Sempre vende. São 28 títulos oferecidos”, conta ela,  que está lá há 22 anos, primeiro como ‘quebra galho’ e depois efetivada como única funcionária. Entrou a pedido da coordenadora do local Alba Virgínia Opitz Gomes, 83 anos.

Silêncio inspira meditações e reflexões

A casa transmite paz e tranquilidade absoluta. Silenciosa, mesmo cercada por uma ONG com aulas musicais, por um café onde são tocadas músicas pesadas (rock, punk e samba) e uma casa de estudantes. “Fizemos acordos para que possamos fazer nossas cerimônias em total sintonia com o que estamos estudando e com a música clássica que ouvimos e que inspira meditações, reflexões e aprendizados. Eles aceitaram não fazer barulho nas horas que estamos ali e concordaram com nossas demandas”, ressalta.

Quadros com pessoas iluminadas, com muita luz e que fizeram a história do esoterismo estão por todas as paredes brancas. Para as cerimônias no santuário, fundado em 21 de março de 1992, localizado aos fundos, longe de qualquer barulho, há uma pirâmide de vidro no teto, e que tem a função de promover irradiações* cósmicas aos frequentadores.

Crédito: Rafael Rosa

Há ali muitos quadros, imagens e potes onde as pessoas podem colocar nomes e endereços de pessoas para serem protegidas pelos anjos curadores e para os que ‘já tiveram a sua passagem pela vida’ com o nome de oficina da alma. Os nomes das pessoas precisam ser escritos em papéis de seda brancos.

Também tem uma estátua de Nossa Senhora de Fátima, de madeira, vinda de Portugal, pedras de ametistas, e muitas cadeiras brancas onde as pessoas se acomodam para pensar, refletir e ouvir o que os guardiões e oficiantes das cerimônias dizem. No espaço entre a casa e o santuário, há muito verde, folhagens e pedras que irradiam luzes.

Crédito: Rafael Rosa

 Roupas claras recebem mais energia e luz

Quem vai ao casarão e ao santuário – o único do Brasil da Ponte Para a Liberdade – deve usar roupas claras para receber mais energia e luz. Para eles, as cores preta, cinza, marrom e vermelha não recebem tanta energia e iluminação. O símbolo ou emblema da Ponte Para a Liberdade é o Cálice Sagrado.

Crédito: Rafael Rosa

O significado é a consciência. As uvas representam a Essência Divina que haurimos (extraímos) e que reanima, nutre e transpassa nosso ser. O trigo, sob a forma de alimento físico, significa a divina energia carregada de bênçãos com que as pessoas são agraciadas e que sustentam as forças no caminho do aperfeiçoamento e, finalmente, a pomba expressa a paz, essa irradiante força divina que transcende toda a compreensão humana, a qual nos envolve em seu manto protetor e nos isola das inquietações da vida, explica. A saudação será sempre a frase: “Eu sou a Luz.”

A instituição esotérica foi criada pelo Grande Mestre El Morya, com a finalidade de ajudar Saint Germain em sua missão de purificar a terra e seus habitantes. El Morya foi um dos principais Mestres Ascensionados da Grande Fraternidade Branca e o chohan (líder) do Primeiro Raio Azul, que representa a Vontade Divina, a fé, a força, o poder e a coragem. Mestres Ascensionados são espíritos que já viveram na Terra, superaram o ciclo de renascimento, e alcançaram uma dimensão superior de consciência.

A Grande Fraternidade Branca é uma hierarquia espiritual de seres de luz que, segundo correntes esotéricas, teosofistas e espiritualistas, orienta a evolução da humanidade. O termo “branca” não tem relação com raça ou cor de pele, mas sim com a aura de luz branca pura que circunda esses seres.

Estudantes de filosofia frequentam o local

“Transmitimos paz e luz”, reforça a assistente. “Nosso público abrange velhos, jovens, crianças, estudantes de filosofia (principalmente) de todas as raças. A luz, reforço, é para todos”.

Enquanto o mundo se debruça em mentiras, guerras, invejas, ameaças, destruições, a Ponte Para a Liberdade pretende ser uma ligação das altas hierarquias celestiais e a Terra. “Nossa missão é divulgar a palavra dos seres de luz, preparando a humanidade para o nascimento da Idade de Ouro, que sucederá a Era de Aquário, há pouco iniciada”, conforme diz a coordenadora Alba Virgínia Opitz Gomes, que atualmente se recupera de uma fratura na perna e não tem ido ao santuário.

O surgimento da instituição no RS

A escritora de livros esotéricos Silvina Rohde Diederichs foi a primeira coordenadora e mestra da Ponte Para a Liberdade no RS. Ela teve a sua passagem em Manaus (AM), no dia 2 de setembro de 1997. De maneira inteiramente casual, nos anos 1970, caíram em suas mãos livretos editados nos EUA contendo ensinamentos dos Mestres da Grande Fraternidade Branca. Encantada com o que leu, pediu autorização aos americanos para traduzi-los e publicá-los aqui. Conseguiu.

Mais tarde, pediu nova liberação para realizar cerimônias recomendadas nos livros e a registrar o movimento, conforme as leis brasileiras. Desta forma, surgiu a Ponte Para a Liberdade e começaram a se formar os primeiros Mestres Ascensionados. Ela foi a primeira coordenadora do grupo. O casarão da José do Patrocínio está agora com a sua quinta, digamos, presidente, Alba Virgínia.

Crédito: Rafael Rosa

O movimento Ponte Para a Liberdade é, enfim, imparcial e seu propósito é uno como o de todas as outras organizações e escolas espirituais sinceras, dedicadas a iluminar a humanidade, esclarece Alba Virgínia. “O objetivo é estabelecer uma fraternidade mundial ativa e efetiva, na qual a paz, a prosperidade, saúde e busca da perfeição possam ser criadas, mantidas e conscientemente expandidas”, diz. “Nascemos aqui no RS em 1972 e estamos em expansão por todo o Brasil e América Latina”.

Afinal, quem foi Saint Germain

Figura histórica do século 18, Saint Germain (São Germano, em português) foi um importante mestre espiritual de correntes esotéricas, como a Ponte Para a Liberdade. Segundo algumas biografias teria nascido na Transilvânia (atual Romênia) em 28 de maio de 1696 e feito a sua passagem em Eckerförde na Alemanha, em 27 de fevereiro de 1784.

Era misterioso, segundo contam. Místico, alquimista, ourives, lapidador de diamantes, cortesão, aventureiro, cientista, músico e compositor. Após a data de sua morte (de precisão incerta), várias organizações místicas o adotaram como figura modelo. Segundo relatos antigos, tinha uma mente privilegiada, possuidor de luzes e cultura infinita. Dizem que circulou pelas cortes europeias a partir de 1743.

Crédito: Rafael Rosa

No esoterismo, é considerado um mestre ascensionado da Grande Fraternidade Branca. É venerado como o guardião e mestre da Chama Violeta, uma energia mística associada à transmutação de karmas, perdão e purificação espiritual. Doutrinas espiritualistas atribuem a ele várias vidas passadas ilustres na história humana antes de sua ascensão.

A sua linhagem ou reencarnação anterior e posterior à sua vida terrena, conforme os esotéricos da Ponte Para a Liberdade, são as seguintes:

·         Como o Profeta Samuel, citado na Bíblia.

·         Na personalidade de São José.

·         Em 1300, na França como o alquimista e eremita Roger Bacon.

·         Em 26 de maio 1696 nasceu na Transilvânia, sendo filho do soberano daquele país.

·         Em 1735 surgiu na Turquia como o Príncipe Rakoezi.

·         Em 1745 esteve na Escócia, como o referido príncipe.

·         Em 1758 foi a Paris onde permaneceu até 1767, hospedado no Palácio do Conde Carlos de Hesse.

·         Em 1785 foi eleito, pela primeira vez, representante da Maçonaria.

·         Em 1822, outra data de sua suposta morte e enterro; foi aberto seu túmulo, mais tarde, verificou-se que tanto o túmulo como o caixão estavam vazios e muito limpos, como se ninguém tivesse estado ali.

·         Em 1867 encontrou-se com o Conde Cagliosto e o General San Martin, fundou então a Ordem Martinista.

·         Como Cristiano Rosencruz, fundou a Ordem Rosacruz.

·         Foi ainda Sir Francis Bacon, na Inglaterra, que sob o pseudônimo de William Shakespeare, escreveu belas obras literárias.

·         Ele orientou Cristóvão Colombo para a descoberta da América.

·         Atualmente é o Senhor do Sétimo Raio e o Grande Dirigente da Era de Aquário.

·         Juntamente com o Mestre El Morya, fundador da Ponte Para a Liberdade, está empenhado em divulgar os ensinamentos sagrados para a libertação da humanidade nesta hora crucial que atravessa.

Pedido de ajuda para reformas

O casarão da José do Patrocínio, 642, está precisando de reformas, principalmente do telhado. “As contribuições são fundamentais para realizarmos nossas obras essenciais”, diz Alba Virgínia no site (www.ponteparaaliberdade.com.br). “O nosso pedido é em caráter de urgência e apelamos aos seguidores, simpatizantes e frequentadores do nosso grupo e da comunidade em geral”, afirma.

Na enchente de 2024, o local não sofreu muito. A água chegou a entrar no prédio, mas apenas “um filete, nada de mais”. As caixas cheias de livros não foram atingidas. “O nosso maior problema são os furtos, como o do candelabro de bronze e até o letreiro da nossa organização esotérica”, conta ela. “Devido às fortes chuvas e ventanias que a cidade vem enfrentando, nosso telhado não conseguiu aguentar, tivemos muitas goteiras e infiltrações”. As doações podem ser enviadas para os seguintes bancos:

Caixa Federal

Agência 0441 Conta Corrente 579245246-2 em nome do Grupo Esotérico Ponte para a Liberdade;

Pix para o CNPJ 89.179.253.0001-88 – Grupo Esotérico Ponte Para a Liberdade;

Banco do Brasil

Agência 1248-3 Conta 3100-3 – Grupo Esotérico Ponte Para a Liberdade;

* Não confundir com exotérico com x, que designa conhecimentos públicos e acessíveis a qualquer pessoa. Vem do grego esoterikós (o que é de fora). Esotérico com s refere-se a conhecimentos restritos a um grupo fechado de iniciados. Vem do grego esoterikós (o que é de dentro).

** A radiação é a energia emitida ou propagada no espaço, enquanto a irradiação é o ato de expor um corpo ou superfície a essa radiação.

Editado por: Vivian Virissimo

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