Pela Cidade Baixa

Rua Lima Silva, com 1,8 km, é a mais importante, tradicional e movimentada do bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre

Imperador Dom Pedro II teve passagem marcante pela área

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As vantagens de morar na Lima e Silva são muitas: dá para fazer tudo a pé
As vantagens de morar na Lima e Silva são muitas: dá para fazer tudo a pé | Crédito: Rafael Rosa

O governo do Imperador Dom Pedro II no Brasil durou 49 anos no século 19. Ele andou pela Cidade Baixa duas vezes oficialmente. É também considerado por historiadores como o bairro do imperador. Na época era um bairro cheio de matas e pouco habitável. Próximo do Centro Histórico, foi um dos primeiros de Porto Alegre a ganhar contornos habitacionais por sítios, fazendolas, granjas e pequenas propriedades rurais, produtoras de frutas e verduras.

Era para aquela região que fugiam os trabalhadores submetidos à condição de escravidão, antes da abolição de 1888. A Rua General Lima e Silva é uma das vias mais importantes, tradicionais e movimentadas do bairro, ao lado da rua da República. As duas tiveram o privilégio de receber a visita do Imperador.

Fotos: Rafael Rosa

Lima e Silva concentra o principal polo de comércio, serviços, cafeterias, vida noturna do bairro, tem trânsito enlouquecedor e realiza festas especiais, como o carnaval de rua. Também há grande número de prédios residenciais. A juventude alternativa vai ali em massa em qualquer época do ano em razão das opções culturais, artísticas e também para curtir a noite.

Muita gente se queixa do barulho, como Doralice Alcântara, 73 anos, que estava indo à farmácia quando foi abordada. “Moro aqui porque gosto e também porque não tenho para onde ir”.

Fotos: Rafael Rosa

A antiga olaria

A rua tem 1,8 km e vai da Coronel Genuíno à avenida Ipiranga. A Coronel Genuíno pertence oficialmente ao Centro Histórico, mas faz divisa imediata com a Cidade Baixa, segundo registros oficiais. O nome antigo da Lima e Silva era rua da Olaria, devido a uma antiga fábrica de tijolos e telhas pertencente ao comerciante de origem lusitana João José de Oliveira Guimarães, o Joãozinho da Olaria, que funcionava na área no início do século 19.

João José tinha uma chácara em frente da antiga Rua da Várzea (atual João Pessoa). A argila da região era apropriada para ser usada na olaria, porém, em 11 de julho de 1863, a Câmara Municipal mandou aterrar um atoleiro em frente a ela. No período de 1825 a 1844, a Câmara tentou que a ladeira da Rua de Bragança (atual Marechal Floriano) fosse o início da Rua da Olaria, mas os moradores da Rua de Bragança não permitiram, e a junção nunca aconteceu.

Fotos: Rafael Rosa

Na rua, estava localizado o Shopping Nova Olaria, que entra agora para a segunda etapa da sua vida. A primeira tinha uma ótima livraria (Bamboletras) e cinemas de grande procura e foi demolido. Agora, surge um outro, que foi entregue no dia 1º de junho, segundo a incorporadora Goldztein e a empresa Dallasanta, responsável por alugar os espaços.

O nome do local agora é Nova Olaria Malle conta com espaço para 15 operações comerciais — sendo 14 lojas internas e uma loja de rua — reforçando a proposta de integração com o bairro e os seus moradores. O complexo combina moradia, conveniência e estilo de vida contemporâneo.

Mesmo com toda a modernidade apregoada, não terá a livraria Bamboletras, que decidiu permanecer no espaço que agora ocupa, na avenida Venâncio Aires, 113, uma antiga igreja luterana, em função do tamanho da área e do valor do aluguel. “Estamos bem instalados aqui na Venâncio”, disse o proprietário, o jornalista Milton Ribeiro.

A General Lima e Silva tem 156 anos oficiais. Em 1870, a Câmara Municipal renomeou a rua para homenagear Luís Manuel de Lima e Silva, comandante superior da Guarda Nacional, morador da via e tio do Duque de Caxias, o militar que acabou com a Guerra dos Farrapos (1835-1845) e que foi também presidente provincial. Lima e Silva também chegou a ser Provedor da Santa Casa e morador da rua da Olaria.

O nome antigo foi tão marcante que, mesmo nas primeiras décadas do século 20, jornais e moradores ainda se referiam ao local como rua da Olaria. O novo nome demorou a emplacar. Hoje, pouca gente se lembra do assunto, embora alguns, mais idosos, se recordam da primeira denominação da rua.

Imóveis relativamente baratos

A Lima e Silva corta o bairro, de ponta a ponta. Historicamente e popularmente, a rua é vista como uma extensão ou “fronteira” da Cidade Baixa, mantendo traços da atmosfera boêmia e cultural de outros bairros da cidade.

Fotos: Rafael Rosa

Em razão de várias questões – trânsito e barulho constantes, dia e noite – há na extensão da rua em torno de 500 apartamentos à venda, segundo a ZAP Imóveis. Vários destes locais são de um quarto, vendidos ou alugados, principalmente para estudantes universitários da Ufrgs. O custo de um apartamento de um quarto é de aproximadamente R$ 300 mil e o aluguel entre R$ 1 e 1,5 mil.

Os preços são considerados razoáveis, dependendo da qualidade e da idade do imóvel. O preço médio de venda para apartamentos residenciais na Cidade Baixa gira em torno de R$ 6.110/m2, podendo variar entre R$ 5.900/m2 e R$ 7.500/m2, dependendo da idade do imóvel e da presença de infraestrutura (como vaga de garagem e portaria).

Para quem busca abrir um negócio na Lima e Silva, os aluguéis comerciais na região mantêm forte apelo devido ao altíssimo fluxo de pedestres. O preço médio de locação comercial está em R$ 34,79 por m2.

As vantagens de morar na Lima e Silva são muitas: dá para fazer tudo a pé (mercado, supermercado, farmácias, academias, lojas de serviços), a região é de alta liquidez para aluguel, a proximidade cultural de várias atrações e fica ao lado do Parque da Redenção e do Centro Histórico.

Fotos: Rafael Rosa

Os desafios são a poluição sonora, trânsito agitado e estacionamentos raros e disputados, e exige segurança redobrada ao caminhar pela madrugada. A área é perfeita para estudantes universitários, jovens profissionais e solteiros que priorizam a vida cultural ativa, conveniência urbana e não se importam com a agitação.

Ao caminhar da Coronel Genuíno em direção à avenida Ipiranga, a pessoa passará por ruas e avenidas com histórico de agitação e diversidade, como as seguintes interseções que delimitam as quadras, como a avenida Perimetral e ruas icônicas como a República Alberto Torres, Lopo Gonçalves, Joaquim Nabuco e Sarmento Leite, todas com muita movimentação.

Fotos: Rafael Rosa

Bares, restaurantes e lazer

A rua abriga opções para todos os momentos do dia, desde almoços caseiros tradicionais até o fervo da vida noturna. Alguns dos destaques que merecem citação são o Almoço e Comida Caseira, A La Minuta da Terezinha, o Kilo Grama, Los Pollos Spoiler, Toca da Coruja (ambiente confortável e descontraído, ideal para beber chopes artesanais de alta qualidade e conta também com um karaokê muito elogiado para ir com amigos), Boteco Cotiporã (clássico da área, com mesas na calçada, perfeito para paquerar e conversar), Pinguim Bar e tantos outros. Ali, quem procura satisfazer um desejo gastronômico vai se dar bem, sem dúvida.

Imperador e suas andanças

Dom Pedro II esteve oficialmente duas vezes na Cidade Baixa. Uma delas foi para inaugurar a rua do Imperador, atual rua da República, em 1845. A via foi demarcada e inaugurada para marcar a sua visita a Porto Alegre e celebrar o fim da Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos. A rua recebeu o nome atual de República em 11 de dezembro de 1889, logo após a Proclamação da República no Brasil.

Dom Pedro II governou o Brasil por 49 anos, de 23 de julho de 1840 até 15 de novembro de 1889.  Começou com o Golpe da Maioridade, quando ele assumiu o poder aos 14 anos. Apesar de ter se tornado imperador com 5 anos de idade em 1831 (após a abdicação de seu pai), o país foi governado por regentes até a antecipação de sua maioridade em 1840.

Outro local em que esteve o casal imperial foi a moradia do empresário João Batista da Silva, fabricante de barcos, e de sua esposa, Maria Emília de Menezes, que tinham um palacete na recém inaugurada rua do Imperador. Posteriormente, por este gesto e pela atuação do empresário em guerras, receberam os títulos nobiliários de Barão e Baronesa do Gravataí, na altura de onde é hoje a Fundação O Pão dos Pobres.

Editado por: Vivian Virissimo

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