disputa eleitoral

Pesquisa de 2º turno serve para avaliar possibilidade de movimentos do eleitorado, afirma cientista política

Priscila Lapa destaca que primeiro e segundo turno devem ser encarados como eleições distintas

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Lula e Flávio Bolsonaro devem ser os principais candidatos das Eleições 2026
Lula e Flávio Bolsonaro devem ser os principais candidatos das Eleições 2026 | Crédito: Ricardo Stuckert/PR; Pedro França/Agência Senado

A pesquisa de intenção de votos da Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2), coloca Augusto Cury em terceiro lugar no primeiro turno. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputam o primeiro e segundo lugar com poucas oscilações na comparação com pesquisas dos últimos dias.

A cientista política Priscila Lapa avalia que, a essa altura da campanha, o que os levantamentos buscam é compreender as possíveis transferências de votos em cenários simulados. “É muito mais uma simulação de percepção dos macromovimentos do eleitor do que propriamente uma tentativa de prever o que vai acontecer no segundo turno”, afirma em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Lapa afirma que isso é importante porque você consegue mensurar o quanto o eleitor está cristalizado em sua posição e o quanto está disposto a fazer movimentos. “Não é exceção as vezes em que um candidato que chega em primeiro lugar no primeiro turno, na rodada do segundo turno, acaba sendo derrotado pelo adversário”, aponta. “A conjuntura, num curto espaço de tempo, pode sofrer alteração.”

Nesse sentido, a cientista política defende que “o jogo recomeça no segundo turno”. Para ela, a ideia dos levantamentos neste momento é medir quem será o terceiro colocado, que agora fica com o outsider Augusto Cury, a distância considerável de dois políticos mais conhecidos, como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). “Todos os candidatos sofreram os efeitos da sabatina do Jornal Nacional“, continua.

Priscila Lapa destaca a pequena redução no número de indecisos apontado pela última pesquisa. “O elemento novidade é o fato de alguém que não está dentro do sistema político. Isso dá para ele essa arrancada de votos, chegando à terceira colocação, justamente captando votos daqueles que se colocavam como indecisos, e também tirando votos tanto de Lula quanto de Flávio Bolsonaro”, avalia.

“Caiado e Zema são candidatos nichados que não conseguiram nacionalizar as campanhas. E já Cury é um candidato que ninguém nem imaginava que ia levar adiante a candidatura e, de repente, ele está no Jornal Nacional“, destaca.

Embora a analista considere a performance programática de Cury bastante frágil, ela explica que o candidato acaba exercendo um efeito no eleitor de que “pelo menos é alguém que está falando algo novo”. “É um perfil do eleitorado mais jovem que não se aprofunda muito nessas questões programáticas. Tem quem olhe e diga: ‘Ah, pensou algo diferente, trouxe algo diferente do que os outros estão dizendo’, mas tem um descolamento completo da realidade”, reforça.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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