A defesa da deputada e primeira-dama da Venezuela, Cilia Flores, apresentou na quarta-feira (9) um pedido à Justiça estadunidense para que ela responda ao processo em regime de prisão domiciliar por razões de saúde. Recluída no Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn, Flores foi sequestrada pelo governo dos Estados Unidos junto ao presidente Nicolás Maduro durante uma operação militar realizada no dia 3 de janeiro.
A defesa argumenta que, aos 69 anos, a primeira-dama enfrenta complicações cardíacas graves e necessita de acompanhamento médico especializado. De acordo com os advogados, Flores perdeu mais de 11 quilos desde a detenção e apresentou episódios de dores no peito, arritmia e falta de ar. Em 29 de julho, ela teve um mal-estar com duração de 30 minutos, caracterizado por intensa pressão no tórax. Atualmente, ela faz uso diário de quatro medicamentos e carrega nitroglicerina para prevenir infartos.
Para viabilizar a transferência para uma residência privada em Nova York, a defesa propôs um regime rigoroso de custódia, que inclui vigilância armada 24 horas por dia, conduzida pela empresa Guidepost, especializada no monitoramento de réus liberados sob fiança, e que já possui vínculos com o sistema de justiça estadunidense.
“Os serviços de segurança da Guidepost incluem a prestação de monitoramento de fiança e segurança para réus criminais liberados para prisão domiciliar mediante ordem judicial. A Guidepost atuou sob ordens de tribunais federais em diversos casos de segurança e monitoramento de fiança. A Guidepost foi fundada e é liderada por diversos ex-procuradores federais, inclusive do Distrito Sul de Nova York, e emprega dezenas de ex-agentes de agências que incluem o Serviço Secreto, a DEA, o FBI, o Departamento de Segurança Interna (DHS) e o Departamento de Polícia da Cidade de Nova York (NYPD)”, destacam os advogados de Flores no pedido endereçado ao Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York.
A solicitação de prisão domiciliar implica ainda o uso de tornozeleira eletrônica, retenção de passaporte, restrição de visitas e monitoramento de comunicações. Todos os custos operacionais do esquema de segurança e os honorários advocatícios serão pagos pelos próprios acusados.
Cilia Flores e Nicolás Maduro se declaram inocentes das acusações formuladas pela promotoria dos Estados Unidos e afirmam ser “prisioneiros de guerra”. A defesa também solicita o arquivamento do caso com base na imunidade soberana de chefe de Estado e da primeira-dama. O juiz federal Alvin Hellerstein agendou uma audiência para 17 de novembro para analisar os recursos, enquanto o julgamento está marcado para 1º de junho de 2027.
