Operação Make Up

Fuzil e seis armas de bolsonarista Mário Frias são apreendidos em operação sobre ‘Dark Horse’; PF apura crime de posse ilegal

Buscas autorizadas pelo STF apuram suposto desvio de emendas parlamentares para a produção de filme sobre Jair Bolsonaro

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Armas apreendidas pela Polícia Federal em operação sobre filme 'Dark Horse'
Armas apreendidas pela Polícia Federal em operação sobre filme ‘Dark Horse’ | Crédito: Divulgação/Polícia Federal

A Polícia Federal (PF) apreendeu um fuzil e outras seis armas de fogo ligadas ao deputado federal Mario Frias (PL-SP) durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (10).

A PF instaurou uma apuração específica para verificar se o parlamentar cometeu o crime de posse ilegal de arma de fogo, já que os armamentos foram encontrados em um endereço diferente do declarado por ele às autoridades.

A apreensão ocorreu no âmbito da Operação Make Up, deflagrada pela PF com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares.

As verbas teriam sido direcionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na qual Frias atuou como produtor-executivo e roteirista.

49 mandados de busca e apreensão

Além do ex-secretário especial da Cultura, a operação mira a empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade utilizada para intermediar o repasse dos recursos públicos para a produção audiovisual.

Ao todo, a ação cumpre 49 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará. A apuração abrange suspeitas de repasses irregulares de verbas públicas direcionadas ao financiamento da obra audiovisual.

Durante o cumprimento das ordens judiciais em endereços ligados a Frias, os agentes da PF apreenderam as sete armas de fogo, além de computadores e telefones celulares.

Segundo a Polícia Federal, “as investigações apontam para a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados. As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendido até julho de 2026”.

A investigação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF, apura a destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares emitidas por Frias para o ICB.

Levantamentos financeiros do órgão identificaram movimentações atípicas da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas investigadas. Os envolvidos são apurados pelos crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações.

O Brasil de Fato procurou a assessoria do deputado Mário Frias, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Já a produtora responsável pelo filme afirmou, em junho deste ano, que as contas da produção estão regulares.

Editado por: Rafaella Coury

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