Central Única dos Trabalhadores - DF

Nascida em julho de 1984, a Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal é fruto de um processo nacional de mobilização pela redemocratização do país, contra o ataque à classe trabalhadora e aos direitos humanos. Construída pela base, combativa e autônoma, a CUT-DF tem como pilares a solidariedade de classe, a autonomia e a liberdade sindical; e como objetivo, a defesa dos interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora, de melhores condições de vida e trabalho e o fortalecimento da democracia.

Memória, verdade e justiça: a luta contra o fascismo de ontem e de hoje

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Membros da associação de direitos humanos Madres de Plaza de Mayo seguram os retratos de seus filhos e filhas desaparecidos enquanto chegam à Praça de Maio no 50º aniversário do início da última ditadura militar (1976–1983) em Buenos Aires, em 24 de março de 2026.
Membros da associação de direitos humanos Madres de Plaza de Mayo seguram os retratos de seus filhos e filhas desaparecidos nos 50 anos da ditadura militar | Crédito: Luis Robayo/AFP

Celebramos a resistência dos nossos irmãos e lutamos para que essa história não se repita

Recentemente, a Argentina rememorou os 50 anos do golpe de estado que impôs uma brutal ditadura militar no país. O dia 24 de março, para nuestros hermanos, é o Dia Nacional da Memória pela Verdade e Justiça, instituído por lei desde 2002. Uma série de atividades foram realizadas para manter vivas as lembranças dos bárbaros crimes cometidos pelo Estado, para celebrar a memória daqueles que foram brutalmente assassinados em nome de um suposto combate ao terrorismo que tratava qualquer dissidência como um caso de segurança nacional. 

Pude participar das atividades programadas pelas Centrais Sindicais, inclusive da grande marcha realizada no próprio dia 24 onde milhares de pessoas ocuparam as ruas da capital, Buenos Aires, em protesto. Os manifestantes exigem continuidade das investigações sobre os crimes cometidos e dos programas de identificação das mais de 300 crianças que foram sequestradas e tiveram suas identidades roubadas pela ditadura. Luta encabeçada pela Madres e Abuelas de Plaza de Mayo

O governo de Javier Milei sistematicamente relativiza os crimes cometidos, contesta o número de 30 mil desaparecidos, e corta recursos das instituições responsáveis pela manutenção da memória sobre o período. Especula-se, inclusive, que o atual presidente da Argentina planejava um decreto de anistia de todos os condenados pelos crimes cometidos durante a “longa noite”. Uma anistia em nome de uma “reconciliação nacional”. 

As ditaduras implantadas no Brasil e na Argentina guardam muitas semelhanças. Primeira, a coincidência de ser o mês de março onde ambos os golpes aconteceram, separados por 12 anos.

Foram regimes brutais que compartilharam informações sobre as pessoas perseguidas e cooperaram para a repressão, articuladas com outras ditaduras no Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia. Todos esses países tiveram regimes autoritários que contaram com apoio dos Estados Unidos. 

Manter viva a memória

Na Argentina, a sociedade civil organizada segue lutando pela manutenção das condenações dos crimes do passado, pela exatidão dos atos que mataram milhares e vilipendiaram os direitos mais básicos da população. Eles resistem a um governo entreguista, anti-trabalhador e que empobrece a sociedade.

Essa é uma realidade que vivemos aqui no Brasil durante o governo de Bolsonaro, que inclusive tentou um golpe de Estado após sua derrota eleitoral. Só muito recentemente o Brasil levou à justiça e condenou militares pela tentativa de golpe, diferente da Argentina, que condenou a maioria dos responsáveis pelos crimes da ditadura com a prisão.  

No atual contexto político mundial, onde há uma perigosa ascensão da extrema direita, onde a verdade é relativizada, onde o negacionismo se torna a palavra de ordem daqueles que querem subjugar os trabalhadores, manter viva a memória do que ocorreu é manter viva a chama para a luta por direitos e justiça e contra o fascismo de ontem e de hoje. 

Em 2026, 62 anos depois de a democracia brasileira ter sido covardemente golpeada, celebramos a resistência dos nossos países irmãos e lutamos para que essa história não se repita. 

*Rodrigo Rodrigues é professor de História da rede pública de ensino do DF e presidente da CUT-DF.

** Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa  a linha do editorial  do jornal Brasil de Fato – DF.


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Editado por: Clivia Mesquita

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