Leonardo Melgarejo

Engenheiro Agronômo, MsC em Economia Rural, Dr. em Engenharia de Produção. Extensionista rural aposentado, fotógrafo.

Menino rei renasce para um 2026 de sonhos e lutas

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Natal, época de renovação de esperanças e promessas
Natal, época de renovação de esperanças e promessas | Crédito: Reprodução

Todo menino quer ser homem, todo homem quer ser rei, todo rei quer ser Deus. Só Deus quer ser um menino

Natal. Escrever o quê? E para quem? Quem se proporia a ler jornal digital nestes momentos em que se misturam as alegrias e a ressaca do Natal, com a renovação de esperanças e promessas de validade retórica/provisória, na linha do autoengano?

Não sei. Nem imagino. Mas acredito que boa parte (ou pelo menos alguns) de nós, após o almoço com sobras do jantar de 24/12, arriscou olhar para o futuro, repetindo aquela tradição de todos os fins de ano: revisão silenciosa dos principais fatos e informações que parecem insinuar tendencias que, por sua inércia, em se amontoando derramarão sobre nós o ano novo.

E tudo indica que 2026 será um ano difícil.

Aliás, alguns numerologistas afirmam que 2025 já o era e, ainda assim, deve ser comemorado. Teria sido um ano bom, um ano de encerramentos, de colheita dos plantios realizados noutros tempos. Coisas que segundo os números, estariam “definidas” pelo 9, da soma 2+0+2+5.

E nesta toada, o ano que chega traria indicativos de uma nova fase. Com as complicações dos inícios. Com a imposição de abandono a coisas do passado e cobrando medidas inovadoras, para atendimento às exigências de recomeço cristalizadas no ano 1.  Coisa “confirmada” pela soma de 2+0+2+6= 10= 1+0 =1.

Interessante como tema de conversa de bar. Mas, convenhamos, olhando por aí, mesmo sem a numerologia, nada de novo.

Afinal a vida se desenvolve a partir de aprendizados que se acumulam na medida que nos aproximamos da maturidade, enquanto a gente cresce abandonando infantilidades e assumindo compromissos. Ela seria uma espécie de rota ascendente em espiral, com repetições sucessivas (em novos contextos) de ameaças e oportunidades que reclamam a construção de cuidados e parcerias em defesa de nossas convicções e valores.

Pensando nisso, e impactado por entrevista do Leonardo Boff, que conversando com Chico Pinheiro, trouxe uma perspectiva de esperança que precisa ser espalhada, generalizada, sobre o Natal, repito aqui uma das muitas frases síntese, ali contidas: “todo menino quer ser homem, todo homem quer ser rei, todo rei quer ser Deus. Só Deus quer ser um menino”.  

Nesta visão a divindade estaria contida em tudo que emerge. Uma essência do frágil delicado, pedindo proteção e cuidados, para florescer. Pedindo respeito. E estaria presente no recomeçar permanente da natureza, onde todo ano, todo mês, todo dia, todo momento, seriam estágios, oportunidades de melhoria.

Entendi ali que, para Boff, os nascimentos, as crianças, os recomeços, são manifestações de um mesmo fenômeno, que corresponderia à evidência de que Deus confia na humanidade e estaria, desta maneira, semeando esperanças.

E foi assim que cheguei ao momento de escrever esta coluna que, por rotina, se baseia na interpretação de algumas das principais notícias da semana.

Nesta semana vimos que brasileiros daquele perfil que não respeita a vida, gente daquele tipo que dispõe a rezar para pneus, a colocar celulares na testa, para chamar apoio estelar a golpes de estado, trabalhando juntos pela demonização das sandálias havaianas.  E fizeram isso para que a sociedade deixasse de comentar escândalos como as conexões do Banco Master com o crime organizado e possíveis financiadores da última tentativa golpista. Ou para amorcegar o acúmulo de pilhas de dinheiro vivo na casa de liderança do partido golpista mais radical. Ou para evitar que a sociedade viesse a perceber a relevância de que motoristas de parlamentares golpistas estariam movimentando milhões de reais. Chefes de gabinete enriquecendo com “rachadinhas” e assessorias gerenciando aplicações de milhões de reais que escorrem por emendas parlamentares sem identificação dos projetos de aplicação, sem rastros dos destinos e do caminho do dinheiro. Ou para apagar dos noticiários os crimes do ex-juiz Sérgio Moro. Ou para tudo isso e muito mais.

Diante disso, é possível crer que o novo em gestação para 2026 se associe a estas e próximas notícias reveladoras em tendencias de desmascaramento dos criminosos instalados no legislativo e outros espaços da vida pública?

Parece que sim.

Nesta perspectiva, o medo da verdade estaria na fundamentação de suas atitudes. Seria a razão que os levaria a nos ameaçar, com aquelas afirmativas que neste país a paz social só será alcançada quando os golpistas do último golpe vierem para as ruas, perdoados, de forma a que possam trabalhar tranquilamente, em favor do próximo golpe.

Levando em conta a dimensão deste absurdo, numa perspectiva otimista resta supor que eles estão blefando. E sabem disso. Com um 4 na mão, arregalam os olhos e gritam truco. E vão ficar nisso. Não irão além dos primeiros passos de sua pedagogia do opressor.

Mas não podemos descartar a hipótese de que eles contem como certo que, agindo desta maneira, ganharão tempo e se fortalecerão ao ponto de poderem virar a mesa após as eleições de 2026.

E aí, de fato, mora um grande perigo.

Para impedir o revigoramento do velho, que pode ser comprado por eles inclusive com apoio daquele trio do STF e da mídia golpista, precisamos reivindicar o novo, com milhões indo às ruas, logo após as festas. Em 8 de janeiro.

E aqui voltamos às metáforas do Leonardo Boff.

Falando da humanização de um Deus que está presente em tudo, e que escolheu ser menino (o menino Jesus), Boff nos colocou de frente para um ecossistema vivo. Em evolução. E que depende de nós.

Um ecossistema que reclama reverencia, respeito, fé na vida e coragem, para multiplicação de ações em defesa de todas as crianças e de tudo que as representa.

Em defesa, neste sentido, de um projeto de nação que se evidencia positivo em muitos espaços mas que de tão jovem, no todo ainda parece nem ter nascido.

Um respeito ativo, que se exercitado com fé fará de nós aquilo que conseguirmos vir a ser, em respeito ao que as crianças demandam, e nossa consciência exige.

A música de hoje, de Roberto Ribeiro: Todo menino é um rei:  

Na mensagem final, um poema natalino. Por Maria Bethânia:

* Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Marcelo Ferreira

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