Ao Zé Martins (in memoriam). À Irmã Inês Pretto (in memoriam). À Pastora Vera Luci Machado Prates da Silva (in memoriam). À Tereza Cogo Lódi (in memoriam).
“Na Palma da Mão – ´Meu Pai!´
Quando o cansaço pesar em meu corpo e em minha alma,/ quero descansar em tua mão./
Quando a tristeza fizer verter lágrimas de meus olhos,/ quero deixar que tua mão enxugue meu rosto./
Quando o peso do desânimo, do dissabor e a dor tornar difícil meu andar,/ quero deixar que tua mão me carregue./
Quando faltar luz no meu caminho,/ quero deixar que tua mão me conduza” (´Na PaIma da tua mão´, Ir. Inês Pretto. In: ´Cantos e Orações´, Irmãs da Divina Providência, 2012).
Questão de dias e tudo em meio à Copa do Mundo. Dia 27 de junho, a partida de Zé Martins (Unamérica e a partida inesperada de Zé Martins). Dois dias depois, 29 de junho, parte a Ir. Inês Pretto, das CEBS, Comunidades Eclesiais de Base, do trabalho comunitário no bairro Glória em Porto Alegre nos anos 1970. Em seguida, 4 de julho, despediu-se a Pastora Metodista Vera Luci Machado Prates da Silva, que andou pelo Rio Grande do Sul em outros tempos, e participou, com seu companheiro Pastor Luiz Eduardo, do 13º Encontro Nacional do Movimento Fé e Política em São Bernardo do Campo, SP, no final de abril, em meio a boas conversas e mil histórias. E agora, 7 de julho, despediu-se Tereza Cogo Lódi, companheira de Cláudio Vereza, deputado estadual constituinte do Espírito Santo, fundadores do Movimento Fé e Política em 1989, ambos com muita alegria, cheios de fé e vontade de viver.

São tempos tri difíceis, e com muitas despedidas em poucos dias. O que valeram, apesar de toda dor, sofrimento e saudade, e continuarão valendo, são suas vidas, seu exemplo, seus compromissos, todas e todos sonhadoras e sonhadores, profetas que foram, são e continuarão sendo da Sociedade do Bem Viver.
É preciso juntar as mãos e resistir. Cuidemo-nos. Cuidemos da natureza. Cuidemos das outras e dos outros, como elas e eles fizeram, especialmente dos mais pobres entre os pobres, nas periferias, na política com ética e mística, no permanente esperançar. Cuidemos das crianças, cuidemos dos jovens, das mulheres, da população negra, dos indígenas, dos quilombolas, da população LGBTQIA+, de quem mais precisa de solidariedade.
É preciso ter fé, ter coragem e resistir. É necessário e urgente continuar a jornada delas e deles na construção um outro mundo possível. Mais que nunca, quando a paz está em risco, quando a soberania popular e a democracia estão ameaçadas, quando a violência está no cotidiano, quando há uma crise climática perversa, ninguém pode soltar a mão de ninguém nas ruas, nos movimentos populares, nas pastorais sociais, na arte e na cultura.
Fiquemos, na dor e na saudade, com a parte final do poema e oração da Ir. Inês Pretto, versos recitados com muita fé por todos os presentes em seu momento de despedida, todas e todos bendizendo sua vida:
“Na palma da mão – Meu Pai“
Quando a solidão me fizer companhia,/ quero sentir tua mão meu segurando.
E, quando me sentir com disposição para caminhar,/ com desejo de partilhar e acolher,/ com vontade de abraçar e ser abraçada,/ quero me aconchegar na tua mão,/ para me sentir segura e livre.
PAI,/ porque estou gravada na palma de tua mão,/ estarei sempre contigo,/ não importa nem como/ e nem onde eu estiver!”
Zé Martins presente! Ir. Irmã Inês Pretto presente! Pastora Vera Luci presente! Tereza Cogo Lódi presente!
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

