Selvino Heck

Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990); Participante da Ciranda pelo CEAAL Brasil, CAMP e Articula PNEPS-SUS.

Quando a política invade o futebol

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Jogadores da Argentina seguram uma faixa com a frase "As Malvinas (Ilhas Falkland) pertencem à Argentina" após vencerem a partida da semifinal da Copa do Mundo de 2026 entre Inglaterra e Argentina, no Atlanta Stadium, em Atlanta, em 15 de julho de 2026. (Foto de Paul ELLIS / AFP)
Jogadores da Argentina seguram uma faixa com a frase “As Malvinas (Ilhas Falkland) pertencem à Argentina” após vencerem a partida da semifinal da Copa do Mundo de 2026 entre Inglaterra e Argentina, no Atlanta Stadium, em Atlanta, em 15 de julho de 2026 | Crédito: Paul Ellis/AFP

É hora do futebol brasileiro e mundial também ser mudado, se é que isso ainda é possível. Menos salários milionários, mais amor pela bola

Mais uma Copa do Mundo de futebol, com mil histórias, como sempre. Foi a primeira Copa com a participação de 48 países, em três sedes: EUA, México e Canadá. E os três países-sede caíram fora da Copa precocemente.

O futebol movimenta multidões desde sempre. Não foi diferente em 2026.

O pentacampeão Brasil não conseguiu ir longe. Olhando-se os muitos jogadores convocados e as diferentes escalações do time titular, nunca igual, a pergunta é inevitável. Quem são todos estes jogadores, qual sua história, onde jogam ou jogaram no Brasil?

Mesmo para quem acompanha futebol e gosta de futebol desde sempre, não conseguiu saber quem são nem teve condições de decorar o time principal, como em outros tempos. Os jogadores são praticamente desconhecidos. Muitos só jogaram no Brasil quando eram guris. Muito cedo foram ganhar muito dinheiro no exterior, muitas vezes em clubes dos quais nunca se ouviu falar. E foram convocados por um técnico estrangeiro.

Muito estranho e ruim para o futebol um pentacampeão mundial quase não ter jogadores jogando no próprio país, e sendo treinados e comandados por um técnico estrangeiro que mal fala português.

É o retrato de um tempo. Sobrou quase só a paixão pelo futebol, sua magia de arrastar multidões. E torcer por algum time de outro país, com algum supercraque, como a Argentina de Messi, agora na final, ou a França de Mbappé.

A marca final desta Copa também está sendo a política, ineditamente, misturar-se ao futebol, quando o autocrata e quase dono do mundo, o presidente dos EUA, resolveu pedir para a Fifa a anulação da suspensão de um jogador norte-americano expulso em campo e que, portanto, não poderia jogar a próxima partida. E foi atendido, por incrível que pareça, pela Fifa.

A resposta foi dada em campo, com a derrota histórica dos EUA para o México. Felizmente, o futebol derrotou a política.

É hora do futebol brasileiro e mundial também ser mudado, se é que isso ainda é possível. Menos salários milionários, mais amor pela bola. A imagem final diz tudo. O avião fretado pela CBF para trazer a delegação de volta ao Brasil veio só com um jogador. Diz tudo. Ou os jogadores, com muito dinheiro no bolso, não precisam de uma viagem grátis, ou porque praticamente todos não moram no Brasil com suas famílias.

É preciso mudar muita coisa no Brasil, também no futebol, caso não se queira perder o amor histórico pela bola. Primeiro, as eleições de outubro, que vão decidir muito do futuro de uma Nação que precisa, de uma vez por todas, consolidar a democracia com soberania popular, com direitos e dignidade para homens e mulheres, com comida farta para todas as brasileiras e todos os brasileiros. Uma Nação com um governo reconhecido no mundo para lutar pela paz, por cuidado com a natureza e a Casa Comum.

E esperar, e torcer, para que nos próximos quatro anos o Brasil também se recupere no futebol.

É torcer e esperar demais? Ou o mundo e também o futebol não têm mais jeito?

*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

Editado por: Katia Marko

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