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Engenheiro especializado em Planejamento Energético e Ambiental.

Lesivo e criminoso declínio do império dos Estados Unidos

O que Donald Trump deseja? Tornar o Brasil, com todas as suas riquezas, um quintal dos EUA e colocar aqui um “capataz“ que possa chamar de seu.

Donald Trump assumiu e continua insistindo com o lema “America Great Again” (Estados Unidos grande novamente), após derrotar uma gestão ruim de Joe Biden.

Não por acaso é uma frase semelhante a “Deutschland über alles” (Alemanha acima de tudo), propalada por Adolph Hitler, para enfrentar com seu nazismo, grande parte das nações do universo realizando e perdendo a segunda guerra mundial, gerando imensos prejuízos ao planeta e, em especial à própria Alemanha.

Não por acaso vimos no Brasil os slogans “Brasil acima de tudo; Deus acima de todos”. Os seus defensores, ao que tudo indica, abandonaram suas próprias crenças e agora apoiam os atos intervencionistas de Trump.

Não por acaso a gestão Trump ocorre com base na ideologia nazi-fascista, novamente presente com força nos EUA e em grande parte do planeta, inclusive no Brasil. Neste contexto faz o seu modo de governar, usando bravatas para anunciar supostas medidas. Pouco importa-lhe se as medidas são legais e razoáveis. Exerce o seu mandato com abuso de poder, pouco se importando com o Congresso Americano, confiando na tolerância dos congessistas Republicanos, integrantes do seu partido político.

Os “Estados Unidos grande novamente” significa retormar o império estadunidense que subordinava as nações, especialmente as do terceiro mundo, enriquecendo às custas destes com a exploração de suas riquezas.

É preciso reconhecer que os EUA ainda são um um gigante econômico, possuem o maior Produto Interno Bruto (PIB) do mundo, que pode chegar a US$ 29 trilhões em 2025, através de uma economia bem diversificada e sede dos principais conglomerados financeiros. É o maior exportador do mundo. Possui uma moeda forte – o dólar – que ainda é referência em grande parte dos negócios internacionais.

Mas seus problemas também são gigantes: possui uma dívida semelhante ao seu PIB, enquanto analistas projetam que a China, maior detentor de reservas de moedas estrangeiras, pode ultrapassar o PIB dos EUA ainda antes de 2030.

Antes mesmo de assumir, Trump foi anunciando suas bravatas, (re)incorporando a condição de xerife do mundo: “Em 24 horas ou em uma semana acabo com a guerra Rússia x Ucrania“. Desde então esta guerra tem se intensificado cada vez mais. É verdade que conseguiu bons acordos comerciais para os EUA tanto com a Rússia como com a Ucrânia.

Também tentou interferir na guerra de Israel x Hamas. Sua proposta era tomar conta de Gaza. Até mesmo o seu fiel apoiador Israel protestou.

Tentou tomar o Panamá, com a desculpa de que os EUA ajudaram a construir o Canal e ajudaram o Panamá na sua independencia contra a Colômbia. ”Esqueceu“ o acordo de 1920, quando o Panamá acertou as contas e passou a operar o Canal livremente.

Tentou ocupar a Groenlândia, maior ilha do planeta, possuidora de muitos minérios importantes. É um território autônomo da Dinamarca e possui localização estratégica entre a América do Norte e a Europa. Com sua pretensão, Trump conseguiu unir a Europa contra suas pretensões.

Tentou anexar o Canadá (seu parceiro histórico) e o México. Sem comentários…

“Esquece” que enquanto os EUA erguiam seu império (hoje decadente), construiram uma sociedade consumista como ninguém, cuja habitante, em média, consome três vezes mais energia que um habitante europeu; que consome 20% de todo o petróleo produzido no Planeta. Que possui uma economia, especialmente a indústria, altamente interdependente das demais nações.

Também “esqueceu”, ou sequer viu, o filme Um dia sem os mexicanos (2004), que retrata como seria o completo caos na Califórnia num determinado dia se, de lá fossem retirados os imigrantes latinoamericanos, motoristas, trabalhadores de restaurantes, domésticos e tantos outros trabalhadores essenciais. Agora Trump persegue os imigrantes como se fossem criminosos. Será que os norteamericanos estão gostando?

Trump usa a tarifação de importações para amedrontar nações ou perseguir nações supostamente inimigas dos EUA.

A cada uma de suas ações, seja com ameaças ou tarifação, gera inflações no mundo e desorganiza as economias. Quem mais sofre é o próprio povo norteamericano onde gera falta de produtos e consequente inflação e desorganiza a indústria e os demais setores da economia.

A cada uma de suas ações, a China também sofre, porém aumenta o seu comércio e sua influência internacional.

As ações de Trump são criminosas contra a economia mundial e principalmente contra o povo norteamericano.

Outro crime contra a humanidade é a sua política de maior consumo de petróleo e a redução dos incentivos à produção ambientalmente sustentada. Ao gerar mais gases de efeito estufa, não prejudica somente os EUA, mas o Planeta todo.

O mundo mudou. A Guerra fria entre os EUA e os “comunistas”, base ideólogica para os EUA liderarem o Ocidente, está fora da ordem do dia. Eventualmente até pode ressurgir, mas será sobre outras condições.

Hoje há outros centros de poder. A poderosa Europa tem seu bloco, a União Europeia e sua própria moeda, o Euro. O multilateralismo, que defende a independência das nações e posiciona-se contra as guerras, tão defendido por Lula, começa a tomar corpo. Os Brics começam a ter força. A China exerce cada vez mais poder econômico, sem nunca ter promovido uma guerra.

As nações atacadas por Trump podem transferir entre si o comércio mantido que hoje mantém com os EUA, ou seja, com alguma dificuldade poderão viver sem os EUA. Já os EUA entrarão em colapso se não tiverem a parceria comercial das nações atacadas.

Portanto os EUA com seu Trump não possui mais condições de se arvorar como xerife do mundo. Hoje, forte é a nação que consegue ter boas relações com o maior número de países. Quem entendeu isto bem foi o então presidente Barack Obama, que, com sua forma de governar, conseguiu grande influência sobre as nações, inclusive fazendo a economia norteamericana crescer em pleno período de crise.

E as medidas de Trump com a tarifação e contra a soberania brasileira? Trata-se de mais um golpe contra o Brasil.

Em 1954 os EUA ajudaram a direita brasileira a desestabilizar o nacionalista Getúlio Vargas, levando-o ao suicídio.

Em 1964, os EUA não pouparam apoio logístico e financeiro para ajudar a direita e o exército derrubar, ainda no contexto da Guerra Fria, o “comunista” João Goulart.

Em 2016, completamente contrariados com política externa brasileira, especialmente com a criação dos BricsS e o regime de partilha do pré-sal, foram fator determinante para a derrubada da Presidente Dilma.

Em 2018 não poderiam correr o risco de Lula eleger-se novamente. De que teria valido a pena derrubar Dilma, se Lula voltasse em 2018? Daí, todo apoio a Lavajato “que tratou de fazer o serviço“.

Sempre atuaram articulados com a direita e extrema direita com seus golpes. Agora fazem isto mais explicitamente, forçando a continuidade à tentativa de golpe do final de 2022 e ao 8 de janeiro de 2023, na medida que tentam obter anistia aos golpistas de então, para elegê-los em 2026. Aliás, estes, sem nenhum disfarce conspiram com Trump contra o Brasil.

O que Trump deseja? Tornar o Brasil, com todas as suas riquezas, um quintal dos EUA e colocar aqui um “capataz“ que possa chamar de seu.

Trump usa como desculpa “as condições desiguais do comércio com o Brasil”. Ora, como desiguais, se os EUA, há anos, são superavitários neste comércio bilateral. Além disto, impõe penalidades ao Judiciário Brasileiro e às empresas e bancos atuantes no Brasil. Clara interferência na soberania do País. As empresas e bancos que atuam no Brasil, seja qual for o seu país de origem, devem obedecer a legislação brasileira; as que atuam nos EUA devem obedecer a legislação norteamericana.

O Brasil deve defender a sua soberania, sem criar nenhuma afronta ou limitação ao povo norteamericano, aperfeiçoando a relação de mais de 200 anos. Mas é preciso reconhecer que, nesta gestão Trump, os EUA tornaram-se inconfiáveis para negócios com o Brasil, praticamente proibindo a venda de muitos produtos ao povo e produtores norteamericanos. Daí, ser legítimo aos exportadores brasileiros buscar outros países compradores.

*Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

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