Ano após ano, o Rio Grande do Sul gera recursos insuficientes, concentra renda e piora serviços públicos essenciais.
Precisa reagir superando a atual forma de gestão, propiciando desenvolvimento justo e ambientalmente sustentável, enfrentando mais decisivamente as consequências das variações climáticas, colocando o enfrentamento destas no centro de desenvolvimento, prevenindo a ocorrência de prejuízos, bem como eliminando gases de efeito estufa – GEEs – e outras poluições.
O RS ainda consome mais de 60% de derivados de petróleo (gasolina, óleos diesel e combustível principalmente) e gás natural, entre todas as suas energias, fundamentalmente no transporte e na indústria. Ou seja, temos um grande tema a cumprir na transição energética, uma oportunidade de desenvolvimento.
Nos meios urbanos, especialmente nos maiores, aproximadamente 60% dos GEEs – os responsáveis pelo sobreaquecimento do planeta e dos distúrbios climáticos; portanto precisamos eliminá-los ao máximo – provém dos usos de gasolina e diesel. A solução é e será uma das marcas de nossa época: os veículos elétricos.
Energia, recursos minerais e telecomunicações são setores produtivos vitais para o desenvolvimento – recriar a SEMC é urgente.
Este é apenas um dos temas fundamentais sobre os quais o RS necessita de articulação, gestão e acompanhamento. Mais do que nunca precisamos recriar a Secretaria de Estado da Energia, Minas e Comunicações (SEMC). Vejam quantos temas a tratar por esta Secretaria, articulada com as demais:
- Veículos Elétricos – Promover a introdução de veículos e motores elétricos, superando a vergonhosa insuficiência de locais de recarga das baterias, o que deve ser suprido pelos “códigos de obras” das prefeituras, ter o apoio das concessionárias de energia elétrica e das vendedoras destes veículos, além de uma assistência técnica mais completa e ágil;
- Conquistar montadora de veículos elétricos – Articular a implantação, em solo gaúcho, de uma montadora de veículos elétricos, para atendimento da região sul do Brasil e Mercosul;
- Conquistar indústria de motores elétricos – Articular simultaneamente a produção dos respectivos motores elétricos aqui no Estado;
- Conquistar indústria de baterias – Articular a fabricação local de baterias a silício ou sódio;
- Conquistar indústria eletrônica – Articular a produção local de equipamentos de eletrônica embargada e de outras finalidades;
- Promover a mineração e o beneficiamento de metais estratégicos e terras raras – Incentivar e ajudar a viabilizar a produção de metais estratégicos e terras raras no RS, em especial o Projeto “Terras Raras do Pampa”, de Caçapava do Sul, que visa a produção de cobre, fosfato e terras raras. Ao mesmo tempo, é essencial estabelecer parcerias para o beneficiamento e aplicação destes metais, atividade hoje monopolizada pela China;
- Melhorar a produção de ametistas e pedras preciosas – Promover a melhoria da produção e beneficiamento de geodos de ametista e outras pedras preciosas;
- Novos usos para o carvão mineral – Promover o quanto antes a substituição do carvão mineral termelétrico para outros usos como a produção de matérias primas de fertilizantes e cimentos;
- Aumentar a produção de energia elétrica – A melhor de todas as energias e essencial na Transição Energética é a energia elétrica. Devemos aumentar a sua geração com placas fotovoltaicas, ventos e geração termelétrica usando a casca de arroz (que ainda possibilita a produção da importante sílica);
- O RS precisa de empresas cumpridoras da condição de concessionárias de energia – As duas maiores concessionárias de distribuição de energia elétrica motivam há anos prejuízos irreparáveis ao desenvolvimento e qualidade de vida dos gaúchos(as). A que atende as regiões norte, nordeste, centro e oeste precisa melhorar muito. A que atende as regiões sul e sudeste não apresenta – e nem apresentará – as menores condições de ser uma concessionária de energia elétrica. O Estado do RS tem obrigação de exigir da Agência Reguladora e Fiscalizadora, as medidas reparadoras imediatamente;
- Aumentar a produção de hidrogênio – Intensificar a produção de Hidrogênio Verde, essencial em muitos usos, e capaz de substituir as baterias nos veículos elétricos e outros usos;
- Óleo e Gás Natural na Bacia de Pelotas – O petróleo será substituído na medida que se efetivarem alternativas renováveis. Até lá a Petrobras e empresas consorciadas devem realizar a sua produção e comercialização, propiciando recursos aos brasileiros, inclusive para a Transição Energética. Ao RS cabe acompanhar e ajudar a viabilizar a produção de óleo e/ou gás natural na Bacia de Pelotas;
- Aumentar a produção de biometano – Intensificar a produção de biometano, nas indústrias, na agricultura e aterros sanitários; para uso local ou a ser transformado em GN;
- Biocombustíveis como energético de transição – Os biocombustíveis devem ter seu espaço fundamental como energéticos de transição; embora tenham emissão reduzida de GEEs, continuam usando a atrasada e superada tecnologia da combustão. Poderão ter papel essencial no aumento necessário de alimentos;
- Mais Gás Natural para o RS – O gás natural (GN) é o melhor de todos os combustíveis. É fundamentalmente composto por metano, que, ao ser lançado na atmosfera é o pior dos GEEs. No entanto, seus vazamentos são evitáveis e sua queima pode ser total, evitando poluentes. É considerado o melhor energético de transição.
O RS até hoje somente dispõe da mesma quantidade de GN do tempo em que o Brasil praticamente só tinha o gás boliviano (hoje em torno de 20 milhões de m³/dia), enquanto atualmente no pré-sal a produção é superior a 190 milhões de m³/dia.
Nunca foi ampliada a rede de gasodutos para os estados do sul;
Isto tem uma grave consequência na indústria, que não consegue substituir totalmente os combustíveis de petróleo, carvão mineral e lenha; assim, além de poluentes, as indústrias ainda são menos eficientes.
É preciso obter outro gasoduto de SP para os estados do sul, ou, em última análise, conseguir suprir a demanda reprimida de GN com o GNL (Gás Natural Liquefeito), mais caro, que chega em navios metaneiros e requer estações de reconversão.
A indústria ainda precisa produzir mais e melhor, o que é possível transformando-se em estabelecimentos com resíduo zero, ou seja, tudo o que entra é transformado, inclusive todos os resíduos.
Também precisamos aumentar o nível de industrialização de nossas commodities, em especial a soja.
E obviamente toda a gama da indústria tecnológica, eletrônica, de comunicações e informática, articuladamente com a CEITEC (produção de microchips e outros), deve intensificar sua participação na política industrial do Estado;
- As empresas de telecomunicações precisam atender melhor – o Estado precisa exigir um funcionamento mais adequado (combate aos fakes e deturpações), amplo e melhor, das empresas de telecomunicações, na medida que integram todo o sistema produtivo e de relações interpessoais;
16 medidas necessárias ao desenvolvimento do RS
Temos aí nada menos de 16 itens, em energia e indústria, que, além de viáveis, são necessários para produzir mais e melhor, de forma sustentável e cumprindo nosso compromisso com o planeta.
Nesta linha, de recuperar o Rio Grande e o planeta, continuamos no próximo artigo, tratando da produção de mais alimentos e outras necessidades. Até.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

