Arte censurada

Dia Estadual do Funk em SP: perseguido pela extrema direita, movimento é parte da cultura urbana, diz curadora

Renata Prado comenta potência da data para o gênero e critica fim antecipado de exposição no Museu da Língua Portuguesa

Exposição "Funk: Um grito de ousadia e liberdade"
Exposição “Funk: Um grito de ousadia e liberdade” | Crédito: Wellington Almeida

A promulgação da lei que instituiu o Dia Estadual do Funk em São Paulo completa 10 anos nesta terça-feira (7). A data homenageia o cantor paulista MC Daleste, morto em 7 de julho de 2013 em decorrência de um disparo de arma de fogo que o atingiu no abdômen durante uma apresentação em Campinas, no interior do estado.

Membro da Frente Nacional de Mulheres do Funk, Renata Prado lembra, em entrevista ao Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato, que a data recorda um artista vítima da violência urbana, algo que atinge o movimento funk gravemente. “A gente tem um projeto de lei para garantir a memória deste artista. E, a partir disso, refletir o que é a participação política da juventude do funk dentro desses espaços decisivos. É a gente pensar o movimento funk como parte da cultura urbana de São Paulo.”

A ativista alerta para um processo de perseguição do funk. “A gente sabe que, quando um jovem sai de casa para ir a um baile funk, pode ser que ele não volte com vida por conta da Operação Pancadão, desse sensacionalismo que a extrema direita faz com o movimento funk, que resulta em morte. Toda vez que um baile funk é assediado por um político de extrema direita, a polícia vai junto e, onde a polícia está, a gente tem resultado de morte.”

Em carta aberta nas redes sociais, Prado, que foi curadora da exposição “Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade”, tratou como censura o fechamento antecipado da exposição exibida ao público no Museu da Língua Portuguesa. Apesar da previsão de seguir até 30 de agosto, a mostra foi encerrada em 31 de maio.

No mesmo mês do encerramento da exposição, o deputado estadual Tenente Coimbra (PL) tinha acionado o Ministério Público contra a mostra, alegando que existiam obras com apologia ao crime e ao tráfico de drogas. 

“Quando a gente tem uma exposição como aquela, ocupando um espaço como o Museu da Língua Portuguesa, a extrema direita se sente ofendida, porque eles acham que não é nosso direito ocupar aquele espaço. É importante a gente dar nome, é censura. O Museu da Língua Portuguesa fez com que o movimento funk saísse pela porta de trás, depois de levar 180 mil pessoas para aquela instituição”, afirma a curadora.

A curadora ressalta que, para além de uma resposta sobre o fim antecipado da exposição, é preciso entender o que foi feito com o orçamento público. “Porque foi verba pública que foi investida nessa exposição. Ela saiu do pavilhão antes do tempo e nós temos o direito de saber, na condição de cidadãos, para onde foi o dinheiro dessa exposição, por que o caderno educativo não foi publicado.”

Sobre um possível retorno da exposição para o Museu da Língua Portuguesa, Prado diz que não está nos objetivos das pessoas responsáveis. “Nós, da cultura alternativa, criamos os nossos espaços. Então, essa exposição, por exemplo, está sendo convidada para ir a vários outros lugares. Os artistas estão recebendo convites para fazer trabalhos em outros lugares; o Museu da Língua Portuguesa talvez não seja tão mais importante.”

Procurada pelo Brasil de Fato, a gestão do Museu da Língua Portuguesa respondeu em nota que “A exposição ‘FUNK: Um grito de ousadia e liberdade’ foi encerrada em 31 de maio a fim de possibilitar a realização de duas novas mostras ainda este ano no Museu da Língua Portuguesa. ‘FUNK’ ficou em cartaz por seis meses, tempo médio de exibição das mostras temporárias da instituição”.

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Editado por: Gia Matheus Almeida

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