Jefferson Tenório, autor de livros como “De Onde Eles Vêm” (Editora Cia das Letras) e “O Avesso da Pele” (Editora Cia das Letras), participa nesta quinta-feira (10) da programação da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
No espaço Salão de Ideias, o escritor e doutor em teoria literária pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS) debate com a romancista Calila das Mercês o tema “Literatura negra: letramento, consciência e liberdade”, com mediação da antropóloga Heloísa Pires Lima.
Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato, Tenório destaca a importância desses momentos de contato com o público. “Cada vez mais eu tenho ido aos festivais, universidades, clubes de leitura, e tenho percebido o quanto eu tenho aprendido com as pessoas em relação não só aos meus livros, mas sobre os temas que a gente acaba trazendo.”
O escritor pontua que a suposta falta de hábito de leitura na população brasileira é uma situação complexa, pois os eventos literários fazem sucesso de público, mas não há uma educação voltada à valorização do livro.
“Talvez a gente precise olhar não o quanto, mas como a gente está lendo, como talvez tenha a ver com as redes sociais. Você vê influenciadores colocando pilhas e pilhas de livros, quase como se fosse uma corrida de quem lê mais. Eu acho que, se a média de leitura do brasileiro é um livro e meio por ano, mas se ele leu bem esse livro, a gente já tem um avanço. O livro funciona porque você precisa participar junto com o autor. O livro se realiza no leitor. Essa experiência da leitura é que a gente está deixando de lado”, analisa Tenório.
Para os detalhes da mesa “Literatura negra: letramento, consciência e liberdade”, acesse o site da Bienal
Censura e ódio
“O Avesso da Pele” (Cia das Letras), livro de Tenório, vencedor do Prêmio Jabuti de Melhor Romance Literário em 2021, aborda o racismo estrutural e sofreu censura em 2024 no sistema público de ensino dos estados do Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná.
Na avaliação do escritor, o fato ocorreu em um ano eleitoral devido a uma busca de partidos da extrema-direita por atenção. “Parece que, com o odiar, é mais fácil você conseguir reunir as pessoas, muito mais difícil que pelo amar. Os candidatos de extrema direita tentam de alguma forma [chamar atenção]”, completa o autor.
A carta de Brizola
Tenório nasceu no Rio de Janeiro e se mudou para Porto Alegre ainda nos anos 1990. Na entrevista, contou que conseguiu estudar em tempo integral com a ajuda de uma carta escrita por Leonel Brizola, político gaúcho e fundador do Partido Democrático Trabalhista (PDT).
“Minha mãe, empregada doméstica, a gente passando necessidade, então era uma questão de sobrevivência que ela conseguisse uma escola em que eu pudesse ficar o dia todo. Ele se sensibilizou com isso e fez uma carta de próprio punho, e foi muito importante. Se não fosse isso, a minha mãe não ia conseguir os trabalhos que ela fazia com tanta dificuldade”, conta Tenório.
Conversa Bem Viver

A sintonia da Rádio Brasil de Fato é 98,9 FM na Grande São Paulo.
Assim como os demais programas da Rádio Brasil de Fato, você pode ter acesso a esse conteúdo com antecedência para reproduzir gratuitamente na sua rádio. Acesse este formulário e faça sua inscrição.
São dezenas de rádios que fazem parte desta corrente!
