Andrea Del Fuego, autora de “A Pediatra” (Editora Companhia das Letras), em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, falou sobre o mercado literário e a literatura contemporânea. Na visão da escritora, em diversos lugares do mundo, estamos vendo a ascensão de mulheres escritoras.
“Estamos vivendo um boom de mulheres autoras, e isso não é um acontecimento local. É um acontecimento na América Latina, na Ásia, na África, nos Estados Unidos e na Europa. Além disso, no Brasil, a maioria dos leitores são mulheres. E, junto com isso, uma demanda histórica de repertório. Então, acho que vêm entrando na literatura repertórios historicamente represados, como de autores e autoras negras, homens e mulheres trans, mulheres de diversas classes sociais, e isso é história, porque literatura não nasce do nada.”
Del Fuego comenta ainda que a identificação do leitor com um igual no campo da literatura pode ser a porta de entrada para o hábito de fruição na literatura. “O primeiro estágio desse prazer de leitura de fruição, aquele que vai fazer você ir atrás de um outro livro, é ter se espelhado em algum lugar. Esse é um efeito arrebatador de se encontrar, de ter um espelho de um pensamento e até mesmo reforça o que você já pensa. Daí a leitura vai também tateando, procurando também o estrangeiro. Ela vai procurando aquilo que já não é mais você. A leitura é algo com semente, florescimento e frutos”, analisa Del Fuego.
A autora relata que, mesmo com a população brasileira lendo e comprando mais livros de autores contemporâneos, há insegurança quanto à possibilidade de viver unicamente do mercado literário.
“A área literária tem vivido um momento em que os livros brasileiros contemporâneos recebem já uma atenção do próprio leitor brasileiro. Nunca se venderam tantos livros escritos por autores brasileiros contemporâneos. ‘A Pediatra’ é um livro que vende desde o momento do seu lançamento. Ele tem um voo de cruzeiro, mas tudo isso se desmancha no ar a qualquer momento”.
Andrea Del Fuego participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo em uma mesa de debate promovida pela Audible. Junto com Érico Borgo, Del Fuego fala de como escrever para ouvir. Ela é roteirista das cenas ficcionais da audiosérie de “Como ser mãe”. A Bienal do Livro acontece até o próximo domingo, dia 13. É possível ver a programação completa no site do evento.
Conversa Bem Viver

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