corrida presidencial

Caiado, Zema e Renan: há espaço para algum deles na disputa presidencial?

Comentaristas consideram Ronaldo Caiado o mais competitivo, mas com uma condição: que Flávio saia da disputa

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Da esquerda para a direita: Romeu Zema, Renan Santos e Ronaldo Caiado
Da esquerda para a direita: Romeu Zema, Renan Santos e Ronaldo Caiado | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil; Lula Marques/Agência Brasil; Reprodução

A eleição presidencial no Brasil de 2026 deve repetir o cenário de polarização das duas últimas e ser disputada entre lulistas e bolsonaristas. Ainda assim, há candidatos que, embora não figurem como favoritos nas pesquisas, podem influenciar esse ou aquele candidato.

No episódio do videocast Três por Quatro desta terça-feira (2), que compõe a série sobre os presidenciáveis de 2026, três nomes serão analisados: Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). Embora ocupem campos distintos da direita brasileira e tenham trajetórias políticas, alianças e estratégias eleitorais diferentes, os três são apontados como possíveis atores relevantes na disputa pelo Palácio do Planalto.

Logo no início, os comentaristas Nadia Campeão, ex-vice-prefeita de São Paulo e atual presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), e o cientista político Paulo Roberto de Souza concordaram que o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, seria o mais competitivo.

Campeão, no entanto, faz uma ressalva: é um candidato competitivo apenas caso o senador Flávio Bolsonaro (PL), por alguma razão, deixe a disputa. “Caiado é mais estruturado. Talvez já esteja até se preparando há mais tempo para essa disputa a partir do governo de Goiás. Você vê que ele investiu nesse papel nacional há mais tempo, tratando muito especificamente da questão da segurança pública, fez propaganda nacional, transformou a segurança pública numa bandeira do governo dele em Goiás. E a gente sabe que a questão da segurança pública é um apelo forte para o debate nacional. Então ele investiu nisso, é um governador do Centro-Oeste bem avaliado em Goiás. Isso tem um impacto também no Brasil, essa questão do agro, essa coisa toda. Ele vem de um partido forte hoje, com muitos governadores, que tem uma bancada de senadores, uma bancada de deputados”, argumenta.

“Eu acho que essas coisas todas contam numa disputa do Brasil, que é uma disputa muito dura. E essa classe dominante brasileira está louca para achar um candidato com esse perfil de direita, que possa contrastar um pouco com a família Bolsonaro. Eu acho que ele se situa aí”, avalia.

Paulo Roberto de Souza recupera o histórico da origem de Caiado na política, como um dos fundadores da UDR, e de como ele sempre se colocou muito definidamente como aliado do agronegócio. “Ele é um dos protagonistas e dos pioneiros nessa politização do agronegócio, dessa inserção do agronegócio na política brasileira, o que lhe dá muita força. O agronegócio tem um poder na política brasileira muito maior do que a sua participação proporcional no PIB, por exemplo, tamanha essa capacidade. Segundo ponto: ele faz parte hoje do maior partido do Centrão, que é o PSD, mas tem um histórico muito ligado a todos os desdobramentos da Arena, que hoje se expressam nessa nova Arena que é a federação entre União Brasil e PP. Então ele tem uma inserção ali ainda significativa. Obviamente que também existe um outro contexto, caso Flávio deixe de ser candidato, para negociar inclusive com seus governadores”, analisa o cientista político sobre a divisão entre governadores conservadores que apoiarão Flávio e outros que estão com Caiado.

Souza acredita que Caiado, com o auxílio da articulação de Kassab, muitas vezes pode soar mais palatável e menos radical. “É aquela diferença importante que se tenta dar às candidaturas que estão muito mais próximas da extrema direita do que da centro-direita: tentar torná-las palatáveis para uma direita democrática, para o que restou da direita viúva do PSDB, de um liberalismo mais conservador. Então, sem dúvida nenhuma, entre os três, Caiado é aquele que poderia ser mais bem trabalhado de forma a se tornar um perfil mais gestor e menos político radical, para aí, de fato, entrar nessa disputa pelo eleitor indeciso”, aponta.

O apresentador Igor Carvalho aposta no candidato Renan dos Santos (Missão), cria do Movimento Brasil Livre (MBL), e explica seus motivos. “Os outros dois [Zema e Caiado] estão num discurso que, embora segure uma parcela muito fiel do eleitorado, é bater no Lula. O Renan se propõe a bater no Flávio. Então, ele mora num lugar que o Zema tem tentado se deslocar, que é no Algoz do Flávio Bolsonaro pela direita. Ele é quem está fazendo contraponto à pré-candidatura do Flávio Bolsonaro, mas pelo campo em que eles dividem. Além disso, acho que ele tem adotado algumas estratégias interessantes. Por exemplo, essa estrutura de campanha que ele tem montado de ir para municípios menores, não fazer campanha nas capitais e grandes cidades, se fazer conhecido em municípios menores, onde ele é a grande atração do município, onde ele chega e vai dar entrevista em rádio, vira a celebridade da cidade, tira foto com todo mundo. Acho que isso vai dar para ele um caldo ali na frente”, defende.

Confira o programa completo no link abaixo:

Para ver e ouvir

O videocast Três Por Quatro vai ao ar toda terça-feira às 15h ao vivo no YouTube e nas principais plataformas de podcasts, como o Spotify.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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