VENEZUELA

Chavistas marcham em Caracas para lembrar um ano da vitória eleitoral de Maduro

Presidente venezuelano voltou a falar na possibilidade de adiantar eleiçoes legislativas, previstas para 2020

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

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Apesar dos impactos do bloqueio econômico e de pressão internacional, venezuelanos apoiam a Revolução Bolivariana / Fania Rodrigues

Após uma semana sem atos opositores, foi o chavismo que saiu às ruas em marcha realizada nesta segunda-feira (20), no centro de Caracas. Os apoiadores do presidente Nicolás Maduro comemoraram um ano da vitória eleitoral do dia 20 de maio de 2018, com 67% dos votos.

A eleição foi questionada pelos Estados Unidos e os países do Grupo de Lima, assim como por três dos 20 partidos opositores. No entanto, o processo eleitoral foi validado pelas delegações de observadores internacionais e Maduro foi reconhecido por potências como Rússia, China e Índia.

As marchas partiram de diferentes pontos de Caracas e se reuniram em frente ao palácio presidencial de Miraflores, onde o presidente discursou ao final do dia.  Maduro enfatizou a necessidade de levar os conflitos políticos para as urnas, como forma de buscar solução democrática para as diferenças.

“Faço uma proposta às oposições nesse 20 de maio. Vamos medir nossas forças eleitoralmente, vamos fazer eleições. Vamos legitimar a única instituição que não se legitimou nos últimos cinco anos. Vamos a eleições adiantadas para ver quem tem o apoio do povo, quem tem os votos, para ver quem ganha. Assumamos esse desafio, para uma solução pacífica, democrática, constitucional”, disse Maduro, que tem mandato até 2025.

Nicolás Maduro também defendeu os diálogos de paz, iniciados entre governo e oposição na última semana, na Noruega. “Sou um homem que acredita na palavra, como veículo para comunicar e superar às diferenças. Sou um homem de paz, porque a única coisa que conheço é a paz, a luta pela paz. Mas não confundam-se pensando que sou um bobo, um inocente. Acredito na paz, acredito no diálogo, mas estou preparando o povo para defender a pátria como for, onde for e quando for”, asseverou o presidente.

Veja como foi a manifestação na transmissão ao vivo do Brasil de Fato:

Eleitores chavistas

Flor Angel Díaz foi uma das 6 milhões de pessoas que votaram para eleger a Nicolás Maduro em 2018. Nessa segunda-feira (20), ela saiu da cidade Mérida, na região andina ao sul do país, para mais uma demonstração de apoio ao líder da Revolução Bolivariana. “Vim hoje aqui apoiar nosso presidente, em honra a Chávez. Temos que defender nossa pátria com nossa vida, porque os danos que estão cometendo contra nosso país para atingir o presidente, na verdade eles estão afetando o povo”, defende Díaz.

Aposentada Flor Angel Díaz explica por ela apoia a Maduro (Foto: Fania Rodrigues/Brasil de Fato)

Ela conta que acompanhou atenta cada passo dos últimos acontecimentos políticos ocorridos na Venezuela e diz que a razão principal da derrota da oposição nas últimas tentativas de golpe contra o governo é o patriotismo dos venezuelanos. “Estamos nos dando conta de que o que a oposição quer é vender o país. Nós somos incapazes de vender nossa pátria. Eles querem roubar todas as nossas riquezas, mas não vão poder”, assegura a aposentada.

O morador de Caracas Amilcar Marrero concorda que o fracasso da oposição nas últimas investidas para tomar o poder deve-se à resistência da população. “Aqui há um povo consciente, que tem claro o objetivo de seguir com o processo de transformação. Uma lástima que a oposição que não tenha líder, não tenha projeto de país. E é uma lástima que em todo esse processo não temos uma oposição de verdade, porque em todas as democracias as oposições são fundamentais”, explica Marrero.

Manifestante fala sobre o cenário que levou à eleição de maio de 2018 (Foto: Fania Rodrigues/Brasil de Fato)

Retrospectiva política

Nesses últimos 12 meses, o confronto político entre os chavistas e opositores resultou têm alimentado a crise interna no país.

20 de agosto de 2018

Atentado contra o presidente. Dois drones carregados com bombas explodem em evento, próximo ao palco onde estava o presidente Nicolás Maduro e toda a cúpula militar.

5 de janeiro de 2019

Assembleia Nacional escolhe nova mesa diretiva e Juan Guaidó é eleito presidente do Congresso venezuelano.

10 janeiro

Presidente Nicolás Maduro toma posse. O juramento foi realizado no Tribunal Supremo de Justiça. Representantes da ONU e mais de 90 países participam da posse e reconhecem legitimidade de Nicolás Maduro.

23 de janeiro

Em ato realizado pelos partidos de oposição, em Caracas, o deputado Juan Guaidó, se autoproclamou “presidente interino” da Venezuela. O governo dos Estados Unidos e os países do grupo de Lima reconhecem a Guaidó. Nicolás Maduro anuncia rompimento de relações diplomáticas com os EUA.

23 de fevereiro

O deputado e líder da oposição Juan Guaidó vai para a cidade colombiana de Cúcuta, de onde lidera uma ofensiva para tentar passar caminhões com suposta ajuda humanitária. A ação não foi bem-sucedida.

8 de março

Um apagão nacional afeta o país. Governo acusa oposição e o governo dos EUA de ataque eletromagnético no sistema elétrico. Eles negam qualquer participação.

30 de abril

Juan Guaidó e o dirigente do seu partido, Vontade Popular, Leopoldo López, anunciam um “levantamento militar” contra o governo de Nicolás Maduro, que foi classificado depois pelo governo como “tentativa de golpe de Estado”. A ação fracassa e López pede refúgio na embaixada da Espanha.

Edição: Rodrigo Chagas