O MUNDO DIZ NÃO

Na ONU, 184 países votaram contra o bloqueio imposto pelos EUA à Cuba

Em 29ª votação na Assembleia Geral das Nações Unidas, maioria dos países condena embargo

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela) |

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Pela 29ª vez, Assembleia Geral da ONU aprovou, nesta quarta-feira (23), a resolução pelo fim do bloqueio contra Cuba - ONU

Nesta quarta-feira (23), a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) votou pela 29ª vez uma resolução pelo fim do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos contra Cuba desde 1962.

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Novamente, a ampla maioria das nações votou pelo fim do embargo, com 184 votos a favor, dois contrários (Estados Unidos e Israel) e três abstenções (Colômbia, Ucrânia e Emirados Árabes Unidos).

A resolução é proposta anualmente pelo governo cubano que denuncia o prejuízo de US$ 147,8 bilhões em quase 60 anos de bloqueio econômico.

Durante a gestão de Donald Trump o embargo ainda foi recrudescido com a aplicação de 243 medidas coercitivas unilaterais, afetando diretamente o envio de remessas dos EUA à ilha caribenha e o acesso a combustível.

Somente em 2020, durante a pandemia, o país registrou perdas de US$ 3,5 bilhões por conta da imposição do bloqueio, que dificulta o acesso a insumos médicos.

Cuba foi o primeiro país da América Latina a desenvolver uma vacina própria contra a covid-19, mas conta com doações internacionais para adquirir seringas.

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Durante sua exposição, o representante cubano destacou o caráter extraterritorial da medida, que penaliza terceiros países que queiram comercializar com a ilha.

“É uma grande vitória da justiça e da verdade para o povo cubano”, declarou o Ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez.


"O governo dos Estados Unidos assumiu a covid-19 como um aliado na sua guerra não convencional contra Cuba", afirmou o ministro cubano Bruno Rodríguez durante a Assembleia Geral da ONU / ONU

O presidente cubano também comemorou o resultado. “São já 28 anos de rechaço mundial ao bloqueio. Os agressores ficam sem argumentos e os solidários reforçam seu apoio”, publicou Miguel Diaz Canel.

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Ainda que o documento seja enviado à Assembleia Geral da ONU pela missão diplomática cubana, os países do Movimento dos Não Alinhados (MNOAL), além do grupo China + 77 reiteram seu suporte à petição anualmente.

“A violência econômica se tornou a arma preferida dos Estados Unidos para expandir sua guerra perpétua. Os EUA são uma ameaça para a segurança da humanidade, já que está comprovado que a agressão econômica tem um impacto comparável a uma guerra convencional”, afirmou o embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada.

Em nome da Comunidade dos países do Caribe (Caricom), o chanceler do Haiti, Antonio Rodrigue afirmou:"Vamos seguir reiterando nossa oposição e rechaço à imposição de medidas coercitivas unilaterais e seguiremos convocando ao fim imediato e incondicional do bloqueio". 

Da mesma forma, o representante da Argélia, Soufiane Mimouni salientou "o bloqueio obstrui o desenvolvimento econômico e afeta seu esforço de implementar a Agenda 2030 da ONU para o desenvolvimento sustentável".

"É um exemplo flagrante de uma política exterior agressiva, que viola direitos humanos e o bem-estar do povo cubano", destacou o embaixador russo, Vasili Nebenzia.

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Mesmo com os impactos negativos do bloqueio, Cuba desenvolve seis fórmulas próprias contra a covid-19, a Soberana 02 com 62% de eficácia comprovada e a Abdala com 92% de eficácia aprós aplicação de três doses. 

Durante a pandemia, o governo cubano enviou missões médicas a 39 países para ajudar na contenção da crise sanitária.

Até o momento,a ilha acumula 172 mil infectados e 1.193 falecidos pela doença, segundo o Ministério de Saúde Pública

 

 

Edição: Leandro Melito