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Estudo indica alta eficácia da CoronaVac contra variante delta

Revista Lancet publica comprovação científica de que vacina sino-brasileira protege contra a nova cepa

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A enfermeira Mônica Calazans foi a primeira brasileira a ser vacinada no Brasil, em 17 de janeiro deste ano, com o imunizante CoronaVac - Governo do Estado de São Paulo/Divulgação

A revista científica internacional The Lancet publicou, nesta quarta-feira (18) estudo sobre a CoronaVac conduzida pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China em parceria com a Escola de Saúde Pública da Província de Guandong. A região passou por um surto da variante delta, que foi aproveitado para a condução do levantamento.

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Os resultados foram considerados “animadores”. A CoronaVac apresentou alta proteção contra a variante que está se tornando dominante em todo o mundo. O estudo, no entanto, foi publicado na página oficial de pré-prints da revista e ainda falta ser revisado por outros cientistas.

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De acordo com o estudo, a proteção da CoronaVac contra a nova cepa está entre 65,5% e 77,7% contra casos sintomáticos. O levantamento analisou 10.813 pessoas, entre imunizados e as do grupo de controle que não havia recebido o imunizante (placebo).

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Entre os vacinados, não foram registradas mortes. “O estudo demonstrou claramente que a vacina, dada em duas doses, tem uma efetividade de até 100% para prevenir mortes causadas pela variante delta, que preocupa o mundo”, disse o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas. O imunizante é produzido pela instituição brasileira em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.

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Vacina Coronavac, dada em duas doses, tem uma efetividade de até 100% para prevenir mortes causadas pela variante delta / Ahmad Gharabli / AFP

O estudo também avaliou a queda de eficácia com apenas uma dose de CoronaVac em casos de infecção pela delta. Durante o período analisado, 102 pessoas foram acometidas por pneumonia, uma manifestação mais severa da covid-19.

Destes, 85 não haviam tomado o imunizante, 12 tomaram apenas uma dose e apenas cinco estava com o esquema vacinal completo. O resultado atesta a eficácia da CoronaVac também para evitar casos graves de covid-19 mesmo em caso de pacientes vacinados com apenas a primeira das duas doses necessárias.

Novos estudos comprovam eficácia das vacinas contra variante delta

No Brasil, apenas o Rio de Janeiro já confirmou a prevalência da mutação. Nos países em que a cepa se tornou dominante, foram observadas elevações importantes no número de novos casos de covid-19.

Entretanto, nos locais com vacinação mais avançada, como Inglaterra e Israel, esse crescimento não trouxe aumento expressivo de mortes. Já nos Estados Unidos, em que parte da população rejeita as vacinas, a variante delta provoca novos colapsos no sistema de saúde. Autoridades do país afirmam que 99% das mortes recentes pela doença foram de pessoas que não quiseram tomar nenhuma vacina.

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Doria ignora alertas

O estudo sobre a eficácia da CoronaVac foi divulgado também, durante coletiva de imprensa do governo de São Paulo. Diante da constatação de que é preciso acelerar a aplicação em massa das segundas doses, a secretaria de Saúde paulista anunciou a diminuição do intervalo entre doses da Pfizer, de três meses para 21 dias.

Estudos apontam que um intervalo maior entre as aplicações resulta em maior proteção. Entretanto, ante a ameaça crescente da variante delta, especialistas concordam com a necessidade de acelerar a segunda dose. A própria farmacêutica Pfizer recomenda, em bula, o intervalo reduzido.


Semana no país foi marcada por suspensões na imunização em várias cidades por conta da insuficiência de vacinas / Thomaz Kienzle / AFP

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Por outro lado, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) anunciou também o desmonte quase total do Centro de Contingência da Covid-19. O conselho estratégico era responsável pela tentativa de articulação de políticas públicas que respeitassem a ciência diante da pandemia. Agora, dos 21 membros originais, apenas nove seguem no colegiado. Também houve uma renomeação do grupo, agora chamado de Comitê Científico da Covid-19. “Convidamos nove membros para integrarem o Comitê. Mesmos cientistas, mas com número menor. Diante da queda acentuada, não precisam 21 pessoas para o que nove podem fazer com eficiência”, disse o governador. Seguem com Doria João Gabbardo, Paulo Menezes, David Uip, Paulo Medina, Geraldo Neto, Carlos Carvalho, Luiz Carlos Figueira Júnior, Luiza Bonfá e Esper Kallás.

A dissolução foi decidida na noite de segunda-feira (17), mesmo dia em que Doria decretou “o fim da pandemia” e a suspensão de todas as medidas de restrição no estado. A ação foi mal recebida por parte do Centro de Contingência e alvo de críticas da comunidade científica, como manifestou o neurocientista Miguel Nicolelis, em seu Twitter.

Segunda dose e volta às aulas

Nicolelis lembra que a variante delta é até 70% mais contagiosa do que cepas anteriores e dá sinais claros de que avança no Brasil. Países com a vacinação mais adiantada já estão adotando a terceira dose de vacinação para reforçar a imunidade de grupos de maior risco, como idosos e imunodeficientes. Portanto, o Brasil, que tem menos de 26% de sua população vacinada com duas doses, segue sendo motivo de preocupação para os cientistas.


Vacina da Pfizer é a única aprovada pela Anvisa para uso em adolescentes / Orlando Sierra / AFP

Outro ponto amplamente criticado diz respeito à pressa do governo paulista para o retorno das aulas presenciais. A secretaria de Educação vem pressionando professores, mesmo não vacinados, a retornarem às atividades presenciais. Na segunda-feira (17) o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp) garantiu na Justiça o direito do retorno apenas dos vacinados com duas doses, e garantido o prazo de 14 dias para imunização completa. Na contramão, o secretário Rossieli Soares disse que “somos o primeiro estado a retomar as atividades ainda no ano passado. Temos uma volta às aulas cada vez maior e melhor”.

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Há meses, o governador já havia abandonado o Plano São Paulo, que previa um retorno gradual das atividades. Pressão de setores da sociedade fizeram com que o governador “atropelasse” o calendário desenhado pelos cientistas. “Doria não vai mais poder dizer que está seguindo a ciência”, disse ao jornal O Globo, o médico Marcos Boulos, que integrava o conselho.

Balanço

Enquanto parte do poder público acredita que a pandemia acabou, o Brasil registrou mais um dia com número alto de mortos nesta quarta-feira. Foram 1.064 vítimas notificadas no último período de 24 horas monitorado, levando o país a 571.662 mortos.

Destaque para a elevação no número de casos registrados. Foram 41.714, consideravelmente superior à chamama média móvel de 30.402 novos casos a cada um dos últimos sete dias. Os números são do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

O número alto de novos doentes tem relação com o avanço da variante delta, que já deixa seis cidades fluminenses com 100% da capacidade hospitalar ocupada. Desde o dia 23 de junho, o Brasil vinha registrando quedas diárias no indicador de novos casos. Entretanto, desde domingo (15), os números estão em elevação.

Diante do cenário, a epidemiologista e pesquisadora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ethel Maciel alertou, em seu perfil em uma rede social: “Onde a delta é dominante temos aumento de casos, mas vamos retomar todas as atividades e promover aglomerações. Temos um percentual pequeno de segundas doses aplicadas e já precisamos de terceiras em grupos imunocomprometidos”.