Violações

MPF processa a União por danos causados pela Lava Jato e cita interferência nas eleições 2018

Ação tramita na Justiça Federal em Mossoró (RN), aponta parcialidade de Moro e também conecta operação ao golpe de 2016

Sérgio Moro era juiz federal que conduziu os julgamentos que resultaram nas condenações de Lula (PT) no âmbito da Lava Jato em Curitiba (PR) | Crédito: Lula Marques

Os procuradores da República Emanuel Ferreira e Camões Boaventura, do Ministério Público Federal (MPF) no Rio Grande do Norte, ajuizaram na última segunda-feira (30) uma ação civil pública contra a União pelos danos causados pela operação Lava Jato. A ação tramita na Justiça Federal em Mossoró (RN), e pede o reconhecimento dos retrocessos e dos estragos causados pela força-tarefa e pelo ex-juiz Sergio Moro.

Segundo o MPF, o Moro realizou, de forma sistemática, violações "à necessária separação entre as funções de julgar e investigar", além de ofensas ao regime democrático como um todo.

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"O magistrado atuou de modo parcial e inquisitivo, demonstrando interesse em influenciar indevidamente as eleições presidenciais de 2018, após a qual foi nomeado ministro da Justiça [por Bolsonaro]", diz a petição inicial da ação.

Moro conduziu os julgamentos que resultaram nas condenações do ex-presidente Lula (PT) no âmbito da Lava Jato em Curitiba (PR), anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por incompetência e parcialidade.

Durante o pleito de 2018, o ex-juiz de Curitiba divulgou uma delação do ex-ministro Antonio Palocci contra Lula, sem provas, apenas para fragilizar candidatura de Fernando Haddad (PT), segundo interpretação do Supremo.

Ferreira e Boaventura também afirmam que a Lava Jato "influenciou de modo inconstitucional o impeachment [de Dilma Rousseff] em 2016."

Na ação, os procuradores pedem que a União promova "educação cívica para a democracia" no âmbito das Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfan) e da Escola Nacional do Ministério Público (ESMPU), para prevenir retrocessos constitucionais como os da Lava Jato.

Os autores pedem que, nesses cursos, sejam debatidos temas como "democracia militante, erosão constitucional e democrática e novas formas de autoritarismo de tipo fascista e populista, a fim de qualificar os respectivos profissionais nas novas tarefas a serem desempenhadas em prol da proteção do regime democrático e em respeito ao sistema acusatório."

Editado por: Vivian Virissimo

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