IBGE

Brasil manteve baixo investimento público em saúde mesmo durante a pandemia de covid-19

Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, gastos privados continuaram maiores no período

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

Ouça o áudio:

Despesas das famílias com remédios aumentaram no período - Fábio Pozzebom/Agência Brasil

Nem mesmo a pandemia da covid-19 levou o Brasil a aumentar significativamente os gastos públicos com saúde. Em 2020 e 2021, o país continuou com resultados abaixo do índice das nações que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

No primeiro ano da emergência sanitária, a participação do governo nas despesas do setor em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) foi de 4,2%. Em 2021, ano mais crítico da crise global e mais mortal da história do Brasil, esse investimento foi ainda menor, ficou em 4%.

Os dados fazem parte da pesquisa Conta-Satélite de Saúde, divulgada nesta sexta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o estudo, o investimento da OCDE foi de 7,4% no biênio.

Em nações como Alemanha, França e Reino Unido, o gasto público com o setor superou 10% no mesmo período. Mas o Brasil sai perdendo mesmo na comparação com países da América Latina. Colômbia e Chile, por exemplo, apresentaram índices superiores ou próximos a 6%.

Outra diferença que chama atenção é a proporção de gastos públicos e privados. No Brasil, a participação do governo é historicamente menor, uma distorção que não é observada nas outras regiões citadas na pesquisa. Durante a pandemia, esse cenário se repetiu. 

Famílias e instituições sem fins de lucro a serviço das famílias (ISFL) gastaram R$ 449,2 bilhões e o poder público R$ 319,8 bilhões, em 2020. No ano seguinte, os resultados foram, respectivamente, R$ 509,3 bilhões e R$ 363,4 bilhões. 

:: Governo bloqueia R$ 2,9 bilhões do Orçamento para cumprir arcabouço fiscal ::

Gastos das famílias 

As despesas familiares com serviços privados, que eram superiores a 67% do gasto anual total com saúde em 2019, caíram para 64,9% em 2020 e 63,7% em 2021. O resultado inclui pagamentos de planos de saúde.

Por outro lado, os gastos com remédios aumentaram. Entre 2010 e 2019, corresponderam, aproximadamente, a 1,6% do PIB. Nos primeiros dois anos da emergência sanitária eles subiram para 1,9%.

O consumo de remédios representou 32,5% das despesas com saúde das famílias em 2020 e 33,7% em 2021. Isso significou o total de R$ 143,1 bilhões (2020) e R$ 168,3 bilhões (2021).  

:: Preço dos medicamentos terá reajuste de 4,5% a partir do próximo domingo (31) ::

O IBGE também inclui na análise os medicamentos distribuídos gratuitamente pelo governo, contabilizados como despesas públicas. Em 2021 eles foram 3,4% da despesa de consumo final do governo com saúde ou R$ 12,2 bilhões.

Ainda de acordo com o levantamento, o crescimento médio do consumo das famílias com saúde foi quase três vezes superior ao observado em outros bens e serviços. A alta foi de 7,1%, enquanto o resultado geral dos setores foi de 2,6%. 

No ano de 2021, o Brasil gastou um total de R$ 872,7 bilhões em despesas ligadas à saúde, o que representa 9,7% do PIB. No ano anterior, o valor chegou a R$ 769 bilhões ou 10% do Produto Interno Bruto. 
 

Edição: Nicolau Soares