inadmissível

Repúdio à violência contra quem defende a água pública

Porto Alegre não pode admitir práticas autoritárias, nem a criminalização da participação popular em espaços de debate

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Manifestantes são barrados na entrada da Câmara de Porto Alegre durante votação sobre a privatização do DMAE | Crédito: Foto: Rafa Dotti

Anos atrás vivenciei uma linda experiência democrática de luta na Câmara de Vereadores. Unido a centenas de estudantes e militantes sociais, ao lado de figuras que hoje estão ocupando cargos no Legislativo, como os vereadores Giovani Culau e Juliana de Souza e os deputados Matheus Gomes e Laura Sito, lutávamos contra o aumento das passagens e em defesa do passe livre. Na época, chegamos a ocupar o plenário da Câmara por alguns dias, e negociamos tanto a pauta quanto a desocupação com os vereadores, presididos à época pelo Dr. Thiago Duarte.

Democraticamente, o processo todo transcorreu de maneira pacífica, como se espera que aconteça em um espaço como a Câmara de Vereadores, local destinado às discussões e disputas de interesse da população de Porto Alegre. A Brigada Militar e a Guarda Municipal, comandadas à época pelo governador Tarso Genro e pelo prefeito José Fortunati, acompanharam o processo exercendo seu papel: garantir a ordem e proteger a população.

No último dia 15, acompanhamos, atônitos, um processo muito diferente. A Guarda Municipal de Porto Alegre, comandada pelo prefeito Sebastião Melo e sob orientações da presidente da Câmara, Comandante Nádia, além de sequer permitir o acesso da população à casa legislativa, agrediu covardemente a população, vereadores, deputados e jornalistas às portas da casa do povo, orientados a “dispersar” os militantes que pretendiam pressionar contra a privatização da gestão do nosso bem mais precioso: a água.

Já é revoltante pensar que existam forças na nossa sociedade engajadas na pauta de entrega à iniciativa privada do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae). Esse absurdo, por si só, já merece todo o nosso repúdio. Mas pensar que, para defender esse absurdo, a bancada de direita porto-alegrense, liderada pela defensora da ditadura que hoje preside a Câmara – com o aval do prefeito – se acha no direito de ordenar violência abusiva da Guarda Municipal contra aqueles que lutam em defesa do nosso bem mais precioso, é inadmissível. E merece mais do que apenas nosso repúdio.

Esses inimigos dos direitos do povo e da democracia merecem toda a nossa indignação, mobilização, ações politicas e jurídicas, para que não consigam nem implementar sua agenda militarista de repressão e opressão à classe trabalhadora, tampouco conquistar sua meta neoliberal de colocar nas mãos de bilionários ou multinacionais o Dmae, assim como, através do governador Eduardo Leite, já conseguiram fazer no estado com a Corsan.

Se faz necessária uma investigação imediata, seguida de punição aos responsáveis, exigindo respeito à democracia e aos direitos fundamentais da sociedade. Porto Alegre não pode admitir práticas autoritárias como essa, nem a criminalização da participação popular em espaços de discussão de nossa municipalidade.

Somente com unidade popular e mobilização constante teremos condições de barrar o avanço de políticas entreguistas e violentas como essa. Sigamos em luta!

*Luciano Fetzner é presidente do SindBancários Porto Alegre.

** Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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