PRISÕES DE ISRAEL

Advogado Salah Hammouri denuncia a situação dos prisioneiros políticos palestinos em visita ao Brasil

Ex-prisioneiro político está em um roteiro pelo país desde 17 de novembro, com eventos programados até o dia 27

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O advogado palestino e ex-prisioneiro político Salah Hammouri está em roteiro pelo Brasil
O advogado palestino e ex-prisioneiro político Salah Hammouri está em roteiro pelo Brasil | Crédito: Katia Marko

O advogado palestino e ex-prisioneiro político Salah Hammouri está em roteiro pelo Brasil desde o dia 17 de novembro, quando passou por Porto Alegre no evento “Histórias de Summud”, na Associação dos Servidores da Secretaria Municipal de Saúde, numa parceria com a Frente Parlamentar Porto Alegre/Palestina e a Frente Gaúcha de Solidariedade ao Povo Palestino.

A série de eventos públicos, reuniões com organizações da sociedade civil e compromissos com a mídia seguem até o dia 27 de novembro.

Segundo Hammouri, a visita tem como objetivo aumentar a conscientização internacional sobre a situação dos prisioneiros palestinos, “em um momento em que os últimos dois anos testemunharam níveis sem precedentes de horrores impostos pela colonização israelense”.

Salah Hammouri participou do evento “Histórias de Summud”, na Associação dos Servidores da Secretaria Municipal de Saúde, em Porto Alegre – Foto: Divulgação

Durante os eventos, o advogado apresenta a história do movimento dos presos políticos palestinos e as condições atuais enfrentadas pelos palestinos. Ele também aborda o projeto de lei discriminatório sobre a pena de morte, recentemente apresentado e atualmente em tramitação no Parlamento israelense, situando-o dentro de um sistema colonial mais amplo que também ceifou a vida da criança palestino-brasileira Walid Abdullah – cujo corpo continua retido por Israel.

Hammouri é um ex-prisioneiro político que foi preso várias vezes, a primeira em 2001, aos 16 anos, e a última em 2022. Ele passou um total de 10 anos em prisões israelenses. A última vez que foi preso, em 2022, foi sob detenção administrativa por 9 meses. Como ele é de Jerusalém, sua residência permanente foi revogada pelo Ministério do Interior de Israel, e ele foi deportado para a França, onde reside atualmente, pois tem nacionalidade francesa por parte de sua mãe.

Em sua passagem por Porto Alegre, conversou com o Brasil de Fato RS.

Brasil de Fato RS: Poderia detalhar a situação e os números de prisioneiros políticos nas prisões israelenses?

Salah Hammouri: Podemos falar sobre as condições dos prisioneiros políticos antes e depois do 7 de outubro. Antes do 7 de outubro, havia cerca de 5,3 mil prisioneiros políticos palestinos nas prisões israelenses. O mais antigo deles, que infelizmente ainda está preso, é Juma’a Ibrahim Adam, de Jericó. Ele está detido desde 1986.

No último relatório que tivemos, datado até o meio de outubro, e sem contar os prisioneiros de Gaza, temos 9.250 prisioneiros políticos palestinos. Desses, 49 são mulheres e 350 são crianças. Na lei de Israel, uma criança palestina pode ser julgada a partir dos 12 anos.

Como a ocupação utiliza o sistema prisional?

A ocupação israelense, desde 1948, usa as prisões como forma de domínio sobre a sociedade civil palestina, mas também como forma de destruição.

Não sabemos exatamente quantas mulheres e crianças foram presas em Gaza desde 7 de outubro, mas sabemos que são milhares. Para Gaza, há uma prisão especial, chamada Sde Teiman, que fica no deserto, onde os palestinos são torturados.

Que tipo de tortura é aplicada?

Nessa prisão de Sde Teiman, milhares de palestinos foram e continuam sendo torturados de diversas formas. A tortura não é só física. Temos casos de estupro contra mulheres, crianças e homens.

Dos últimos palestinos que foram libertados no acordo de troca, eles chegaram a Gaza com testemunhos de estupro e de outras formas de tortura. A negligência médica e a tortura já assassinaram 78 palestinos na cadeia. Centenas de prisioneiros políticos palestinos são considerados agora como desaparecidos. Não conseguimos acesso às informações exatas porque Israel não as libera.

Posso dar dois exemplos de tortura.

Discoteca: Prisioneiros políticos que foram para o Egito mencionaram essa forma de tortura. Eles eram colocados em um quarto com música muito alta por 24 ou 48 horas seguidas, sem interrupção, prevenindo que eles dormissem e os obrigando a escutar e ficar naquele quarto.

Soterramento (O Enterro): Um outro método terrível é o enterro. Israel enterrava os prisioneiros vivos sob o solo, abrindo apenas um pequeno furo com um canudo para que pudessem respirar. Eles ficavam ali por dias.

Outras formas de tortura incluem a negação de acesso à comida, banho e água. A colonização israelense prevenia o acesso à higiene, o que levou ao desenvolvimento de muitas doenças de pele. Muitos prisioneiros também passavam meses e meses sem acesso à luz do sol.

O que é a prisão administrativa e o que são os “combatentes ilegais”?

Temos 3.370 pessoas em prisão administrativa e 1.205 classificados como “combatentes ilegais”.

A prisão administrativa é uma lei que foi criada na época do mandato britânico na Palestina e replicada por Israel depois de 1948. É uma ordem militar que coloca qualquer palestino sob prisão em um período que varia de um a seis meses. Essa prisão é baseada em um arquivo secreto e pode ser renovada quantas vezes for necessário. Nem o prisioneiro nem o advogado podem ver o que está no arquivo, e eles não sabem a acusação.

O status de combatentes ilegais começou em 2005, na época em que os israelenses saíram de Gaza. Implica que todos os palestinos presos em Gaza são classificados dessa forma. Temos dezenas de prisioneiros com esse status no Líbano e dezenas de sírios que foram presos.

Você é um ex-prisioneiro político. Pode nos contar sobre sua experiência de detenção e deportação?

Eu sou um ex-prisioneiro político, fui preso várias vezes. A primeira delas foi em 2001, quando eu tinha 16 anos. A última foi em 2022. No total, passei 10 anos nas prisões israelenses.

Minha última prisão, em 2022, foi sob detenção administrativa, e fiquei preso por nove meses. Como sou de Jerusalém, onde os palestinos têm apenas a residência permanente (e não nacionalidade), minha residência foi revogada pelo Ministério do Interior de Israel, e fui deportado para a França. Eu tenho nacionalidade francesa por parte da minha mãe, e é onde resido atualmente.

Tivemos recentemente um cessar-fogo para troca de prisioneiros. Isso mudou a situação?

Durante o genocídio, tivemos mais de um “cessar-fogo” para troca de prisioneiros, com sete trocas em dois anos. Cerca de 5,6 mil prisioneiros políticos palestinos foram soltos. Cerca de 300 deles, a maioria com 20 a 22 anos de prisão, foram deportados para o Egito. O restante foi solto para Gaza e para a Cisjordânia.

Existe uma estratégia em curso. Na realidade, Israel não respeitou o cessar-fogo em nenhum momento. Eles continuaram os seus ataques em Gaza, o genocídio, o cerco e os assassinatos continuam. Eles estão diminuindo a escala dos bombardeios e as imagens que saem, mas continuam avançando com seus planos de domínio.

E qual a perspectiva futura?

O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou a resolução e o plano dos Estados Unidos de trazer forças internacionais para dominar Gaza. Acredito que os Estados Unidos, Israel e o Ocidente estão implementando uma nova rota para recontrolar a região, não apenas na Palestina, mas também no Líbano.

O trabalho real começa depois desse dito cessar-fogo, com a reconstrução e o trabalho que precisa ser feito em Gaza, sabendo da contínua ocupação na Cisjordânia, nos territórios de 1948 e em Jerusalém. A ocupação israelense mantém seu sonho de se livrar de todos os palestinos em toda a Palestina.

O mais importante agora é manter as nossas campanhas, a mobilização e as incidências. Nada disso pode parar. Temos um caminho longo de luta.

Confira agenda no Brasil

24/11 – São Paulo

19h – Aula Pública sobre os Prisioneiros Políticos Palestinos com Salah Hammouri

Local: Tapera Taperá

25/11 – Campinas

18h30 – Aula Pública sobre os Prisioneiros Políticos Palestinos com Salah Hammouri

Local: SindQuinze (Endereço: Rua Doutor Quirino, 594, Centro)

26/11 – Campinas

12h30 – Aula Pública sobre os Prisioneiros Políticos Palestinos com Salah Hammouri

Local: Auditório da ADunicamp (Av. Érico Veríssimo, 1479, Cidade Universitária da Unicamp)

26/11 – São Paulo

19h – Alesp com Salah

Local: Plenário Tiradentes, Alesp (Av. Pedro Álvares Cabral, 201)

Editado por: Marcelo Ferreira

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