DANÇA CONTEMPORÂNEA

‘Meada’, primeira obra solo da bailarina Luíza Fischer estreia nesta quarta (26) em Porto Alegre

Apresentação tem início às 19h, na Sala Álvaro Moreyra, e traz o corpo em suas múltiplas existências

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’Meada’ é tensão do início ao fim, um suspiro interrompido que não alivia, um imperar do peso sobre o corpo, uma metáfora sobre circunstâncias da vida que nos acontecem, e que não temos outra alternativa a não ser ceder
’Meada’ é tensão do início ao fim, um suspiro interrompido que não alivia, um imperar do peso sobre o corpo, uma metáfora sobre circunstâncias da vida que nos acontecem, e que não temos outra alternativa a não ser ceder | Crédito: Renata Stein

Meada é a primeira obra solo da bailarina porto-alegrense Luíza Fischer que estreia nesta quarta-feira (26), a partir das 19h, na Sala Álvaro Moreyra de Porto Alegre (RS). Integrante do Coletivo Moebius, Fischer pesquisa e trabalha com dança contemporânea na Capital desde 2008. Para o espetáculo, a artista traz essa experiência desenvolvida coletivamente desde 2023 e busca fisicalidades significativas a fim de desenvolver linguagens peculiares e poéticas para seu trabalho. Os ingressos custam entre R$ 30 e R$ 60 e podem ser adquiridos aqui.

Entre as curiosidades da performer e intervenções da diretora Patrícia Nardelli, surgiu o espetáculo solo: um deslocamento que acontece com a cabeça no chão. “Meada é uma jornada de transformação. Nos lembra que o corpo pode ser muitas coisas, existir em muitas condições. A adaptação é inevitável e acontece à revelia da vontade”, afirma Nardelli.

A ênfase na pesquisa física permeia todo o processo, fazendo com que sempre seja o corpo em movimento que evoque imagens, sensações, memórias e sentidos. Dialogando a partir da experiência deste corpo-sujeito, está a narrativa que parece enriquecer a experiência do fazer e do observar.

Em cena, a instauração de um estado de presença em performance permite que o corpo se transfigure através do movimento, modificando o espaço ao redor e a percepção do público, que, afetado, abre-se para a experiência da obra. Assim, testemunhar essa jornada é participar dela, experienciando no próprio corpo a mudança de estado que ela produz. O que era, então, inicialmente um estudo sobre o peso e o apoio da cabeça, torna-se uma metáfora do desnovelar de uma vida impossível que pesa sobre os ombros, leva ao chão e, em processo, torna-se outra.

Meada é tensão do início ao fim, um suspiro interrompido que não alivia, um imperar do peso sobre o corpo, uma metáfora sobre circunstâncias da vida que nos acontecem, e que não temos outra alternativa a não ser ceder. Uma obra sobre insistir na desistência, desistir uma vez, e de novo, e de novo, até o próprio desistir se fazer caminho para aceitar um caminho sem volta: uma transformação iminente e necessária se aproxima”, reflete a preparadora corporal Isadora Franco.

A obra conta com trilha original composta por Patrícia Nardelli, que utiliza as sonoridades para compor uma teia que sustenta e tensiona o espaço a ser ocupado pelo corpo em cena e pelos corpos fora dela. A trilha é atmosférica, com elementos gerados a partir de ruído elétrico processado por pedais de efeito construídos conjuntamente com a movimentação da performance.

Algumas das referências de imagem colhidas ao longo da pesquisa são as esculturas de Louise Bourgeois, como a Maman (1999). “A aranha, aliás, é uma referência de movimento e também para a construção poética e estética da obra, que ganha teias, patas e um corpo que se move quase de maneira não humana”, destaca Franco.

Serviço

Meada

Data: 26 de novembro (quarta-feira)

Horário: 19h

Local: Sala Álvaro Moreyra – Av. Erico Verissimo, 307 – Azenha, Porto Alegre (RS)

Ingressos: R$ 60,00 inteira | R$ 30,00 meia

Editado por: Katia Marko

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