COMÉRCIO JUSTO

Feira de Economia Solidária projeta R$ 500 mil em vendas até quarta-feira (10)

O balanço parcial foi apresentado pela presidenta da Unisol/RS, Nelsa Nespolo, durante seminário de formação

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Seminário de formação reuniu lideranças estaduais e nacionais, na manhã desta segunda-feira (8), no auditório do Sindicato dos Professores e Funcionários de Escola do Rio Grande do Sul (Cpers)
Seminário de formação reuniu lideranças estaduais e nacionais, na manhã desta segunda-feira (8), no auditório do Sindicato dos Professores e Funcionários de Escola do Rio Grande do Sul (Cpers) | Crédito: Débora Beina

Os mais de 300 empreendimentos que compõem a 27ª Feira Estadual de Economia Popular e Solidária já comemoram os resultados da edição, que deve ultrapassar R$ 500 mil em vendas no período de dez dias.

O balanço parcial foi apresentado pela presidenta da Unisol/RS, Nelsa Nespolo, durante o seminário de formação realizado na manhã desta segunda-feira (8), no auditório do Sindicato dos Professores e Funcionários de Escola do Rio Grande do Sul (Cpers).

A artesã Terezinha Bacon de Farias, da Art em Fios, de Passo Fundo, comemorou as vendas – Foto: Stela Pastore

“Eu vendi tanto que nem conseguia sentar para descansar”, celebrou a artesã Terezinha Bacon de Farias, da Art em Fios, de Passo Fundo. Artesanato, confecções e produtos da agroindústria familiar ocupam os 84 estandes instalados no Largo Glênio Peres, onde a feira ocorre desde 1º de dezembro e segue até quarta-feira (10), às 14h.

“A feira acontece apenas uma vez por ano e é uma oportunidade única de adquirir produtos autorais gerados por empreendimentos coletivos”, convida Nespolo.

Mais tempo para vender e cuidado com o planeta

É a primeira edição em 27 anos que os expositores não pagaram pelos estandes – que antes chegavam a custar até R$ 1 mil – além da ampliação do período de vendas e dois seminários de formação, avanços fortemente aplaudidos no encontro.

“São menos despesas e mais ganhos para quem produz. Cada produto vendido vai direto para o bolso de quem faz e partilha com o coletivo”, afirmou Nelsa Nespolo, referência no setor.

“A economia solidária já nasce com todos os princípios do ESG em sua essência. Ela ainda tem um rosto feminino que ninguém segura quando o compromisso é fazer um mundo melhor”, completou a dirigente da Unisol/RS. A feira deste ano tem como slogan “Comércio justo e consumo consciente”.

Um levantamento nacional está em andamento para atualizar o CadSol – Cadastro Único da Economia Solidária, instrumento que permitirá maior precisão em políticas públicas

Economia solidária na estratégia política de 2026

O evento marcou também a posse dos novos integrantes do Conselho Estadual de Economia Solidária (Cesol) – Foto: Stela Pastore

O seminário reuniu lideranças estaduais e nacionais. Professora e pesquisadora do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), Josiane Krebs destacou que integrar a economia solidária é “mais que uma forma de produzir, é um modo de vida onde se luta por direitos”.

O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, apontou as políticas públicas que voltaram a tirar o Brasil do Mapa da Fome, como a retomada do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e a normalização dos estoques reguladores que estabilizam preços básicos.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Pepe Vargas (PT), reforçou: “A economia solidária existe, é real e funciona”, lembrando que o RS foi o primeiro estado a criar uma Secretaria de Economia Solidária, no governo Olívio Dutra (1999–2002).

O parlamentar aprontou alguns desafios como a formalização dos empreendimentos, acesso a crédito e financiamento facilitados, e a capacitação para o mercado competitivo.

Vargas defendeu a renovação do Congresso Nacional para alinhar sua ação aos interesses da população e sintonizar com as políticas para o Brasil avançar. Ele criticou as altas taxas de juros, que consomem parte significativa do orçamento público.

A deputada federal Maria do Rosário (PT) chamou atenção para a composição do Congresso, majoritariamente milionário, masculino e branco, e alertou: “Nesse cenário, não há plano para a economia solidária neste Legislativo. É preciso um movimento pela coerência para transformar o Brasil, mudando a conformação do Parlamento, que hoje defende minorias privilegiadas e sequestra metade do orçamento público para emendas com interesses eleitorais”.

Posse do Cesol e defesa de políticas públicas

O evento marcou também a posse dos novos integrantes do Conselho Estadual de Economia Solidária (Cesol). Por aclamação, participantes defenderam a recriação da Secretaria Estadual de Economia Solidária. As discussões avançaram sobre estratégias de fortalecimento do setor diante do cenário eleitoral de 2026.

A defesa da vida das mulheres ganhou destaque, com músicas e manifestações lembrando que o país registra quatro feminicídios por dia e contabilizou 84 mil estupros em 2024, tema que motivou uma passeata no sábado (6), durante a feira.

Um ano da Lei Paul Singer: marco para o Brasil

Completando um ano de vigência, a Lei nº 15.068/2024 (Lei Paul Singer) foi destacada como divisor de águas. Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela criou a Política Nacional de Economia Solidária (PNES) e o Sistema Nacional de Economia Solidária (Sinaes), além de reconhecer oficialmente os Empreendimentos de Economia Solidária (EES) como categoria jurídica.

A PNES estabelece diretrizes como gestão democrática, livre adesão, prática de preços justos, cooperação entre empreendimentos, distribuição equitativa dos resultados, transparência na gestão, comércio justo e solidário, desenvolvimento local e sustentável, entre outros princípios que orientam a política pública no país.

A feira conta com apoio do governo federal (via Secretaria Nacional de Economia Solidária), Fundação Banco do Brasil, governo do estado, Sindicato dos Servidores Técnico-Administrativos em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e Instituto Federal de Educação (Assufrgs), Ong Moradia e Cidadania, Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetraf-RS), Avesol, Central Única dos Trabalhadores (CUT/RS), Sindicato dos Metalúrgicos, Cpers, entre outras entidades.

Editado por: Katia Marko

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