Novas agressões

Após sequestro, EUA sancionam seis transportadoras de petróleo da Venezuela; China, Colômbia e Irã condenam ação

China classificou as sanções de Washington como 'abusivas'; Irã diz que EUA fazem 'pirataria estatal'

imagem do ataque dos EUA a petroleiro
Imagem divulgada pela Procuradora-Geral dos EUA mostra momento do sequestro do petroleiro por militares estadunidenses | Crédito: HANDOUT / US ATTORNEY GENERAL PAM BONDI'S X ACCOUNT / AFP

Em uma nova escalada da pressão de Washington sobre Caracas, o governo Donald Trump sancionou seis empresas de navegação que operam no setor petrolífero venezuelano. A decisão foi publicada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos nesta quinta-feira (11), um dia depois da Casa Branca ter sequestrado um navio petroleiro venezuelano. 

“A ação mira o setor petrolífero da Venezuela, que continua financiando o regime ilegítimo de Maduro”, diz o comunicado da instituição. 

Três sobrinhos de Cilia Flores, esposa de Nicolás Maduro, e um empresário supostamente ligado ao presidente também foram sancionados. “Ramón Carretero Napolitano, um empresário panamenho, facilitou envios de derivados de petróleo em nome do governo venezuelano”, diz a administração Trump. 

Nesta sexta-feira (12), o governo da China reagiu ao anúncio de Washington. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que os Estados Unidos fazem uso “abusivo” das sanções, e disse que o novo pacote contra a Venezuela fere o direito internacional.

“A China se opõe a sanções unilaterais e ilícitas, que não têm base no direito internacional nem autorização do Conselho de Segurança da ONU, além do uso abusivo de sanções”, afirmou Jiakun.

Por sua vez, o governo do Irã classificou, também nesta sexta-feira, o sequestro do navio petroleiro como uma “pirataria estatal” que “despreza” o direito internacional. 

“A ação da Marinha dos Estados Unidos contra um navio comercial que transportava petróleo venezuelano perto da costa da Venezuela é pirataria estatal. Invocar leis internas estadunidenses e sanções ilegais não pode justificar nem alterar a natureza ilegal desse roubo armado no mar”, disse, em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores iraniano.

Outro país que reagiu ao sequestro trumpista foi a Colômbia. “Acabaram de apreender um petroleiro. Isso é pirataria. [Os EUA] estão demonstrando por que estão fazendo o que fazem. Petróleo, petróleo e petróleo”, disse o presidente Gustavo Petro, em uma declaração nesta quinta-feira (11). 

Já o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sanchéz, classificou os ataques contra embarcações que circulam perto da costa venezuelana como “inaceitáveis”. “Na minha opinião, essas operações extrajudiciais são inaceitáveis porque minam o direito internacional”, disse Sánchez, em entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal italiano L’Espresso. Até o momento, ao menos 87 pessoas foram mortas. 

Reação venezuelana

No dia seguinte ao sequestro da embarcação, o presidente Nicolás Maduro afirmou que a verdadeira intenção por trás da pressão de Washington sobre Caracas foi revelada. “A máscara deles caiu. Não, não é narcotráfico, isso é fake news. É o petróleo, que eles querem roubar, e a Venezuela vai defender sua soberania sobre seus recursos naturais e vamos voltar a triunfar.”

O presidente da Venezuela disse, ainda, que os tripulantes do navio roubado estão desaparecidos. Segundo Maduro, a embarcação transportava cerca de 1,9 milhão de barris de petróleo comprados do país latino-americano.

O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela afirmou que a apreensão do navio pelos EUA é um “roubo descarado” e um “ato de pirataria internacional”

O governo venezuelano apresentou uma denúncia formal à Organização Marítima Internacional (OMI) contra os Estados Unidos, pedindo que sejam acionados os mecanismos internacionais para garantir a liberdade de navegação e o comércio marítimo.

Editado por: Nathallia Fonseca

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