Segundo os dados mais recentes do Departamento de Migrações da Secretaria Nacional de Justiça, vinculado ao Ministério da Justiça, mais de 51 mil pessoas cruzaram a fronteira da Venezuela para passar a morar no Brasil. Para o especialista em migrações Luiz Felipe Magalhães, esse número tende a aumentar após o ataque do governo dos Estados Unidos ao país vizinho e o sequestro do presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro.
Magalhães, que é pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), conversou nesta segunda-feira (5) com a Rádio Brasil de Fato. Em entrevista ao programa Conexão BdF, ele afirmou que o cenário político e social da Venezuela neste momento pode fazer com que mais pessoas tenham de deixar o país.
“São as crises que produzem a migração, e não a migração que produz as crises. Ou seja, deveremos ter ainda mais expansão da migração refugiada venezuelana no Brasil em decorrência dessa agressão imperialista na Venezuela”, avaliou.
Magalhães aponta que a município de Pacaraima (RO), na fronteira do Brasil com a Venezuela, deverá ver crescer o fluxo de pessoas fazendo a travessia para o lado brasileiro. Isso vai exigir articulação entre os poderes para atendimento dessas pessoas e da população local.
“É um fenômeno que exige muito em termos de governança migratória, políticas públicas e articulação entre governo federal, estadual e municipal para que a gente possa construir uma sociedade mais acolhedora, com condições de trabalho mais digna para esses imigrantes que estão e vão continuar vindo ao Brasil, agora cada vez mais, porque o país deles está sendo ocupado militarmente por outro país”, alertou.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
